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O Carnaval me chama por Roberto Midlej
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Cultura
Ter, 22 de Janeiro de 2008 10:34
Poucos assuntos tiram a serenidade de Moraes Moreira, mas um deles é o Carnaval da Bahia: "Muitos falam sobre minha ausência no Estado. Mas garanto que, se não tenho participado da festa, não é por falta de vontade. Já disse que, se for para sair no pior horário, no pior trio elétrico e se não tiver o tratamento que acho que mereço, eu prefiro não ir", afirma Moraes, que lança em Salvador, quarta-feira, no Tom do Saber, o livro A história dos Novos Baianos e outros versos.

"O Carnaval do Brasil me chama! Eu não vou ficar bajulando governador, prefeito, nem ninguém.
Eu quero ir porque mereço, porque prestei um trabalho ao Carnaval baiano, um trabalho grande. Só quando eu tiver essas condições todas de dignidade e respeito, eu voltarei", afirma.
Ele se manifesta contra a mesmice da festa baiana: "Eu já havia cantado essa bola nos anos 80, sabia que ia acontecer esse impasse a que o Carnaval chegaria.
Fui o único que se manifestou contra isso que está aí, mas sofri retaliações terríveis na conjuntura anterior, que todos sabem qual é!" Mas não há mágoas: "Tenho saudades, mas não tô pedindo pra voltar, estou muito bem. Tenho agenda cheia, sou bem pago, bem recebido. Toco em Natal, Fortaleza, Pernambuco, em tudo que é lugar!".
Enquanto isso, os foliões, aqui, vão se contentando com pérolas do Bonde do Maluco, como "Não vale mais chorar por ele/ Ele jamais te amou..." O LIVRO - "Do interior da Bahia / Pra capital Salvador / Em busca de seus destinos / Chegavam lá todo dia / Querendo virar "Dotô" / Meninos e mais meninos..." Para o bem da música, Moraes Moreira não seguiu o destino desses "meninos" lembrados por ele nos versos iniciais de A história dos Novos Baianos e outros versos, livro em que o compositor conta, em forma de cordel, a saga de um dos maiores grupos da história da música brasileira.
"São 96 versos que obedecem aos rigores do cordel. Como Galvão [ex-integrante do grupo] já havia contado a versão dele em prosa [no livro Anos 70 e Novos B aianos, Ed. 34], resolvi partir para outro formato. Além disso, a história do grupo tem verdade, tem vida, tem informação, e isso se encaixa perfeitamente no cordel", justifica o compositor.

O COMEÇO - Não fosse Tom Zé, possivelmente o Brasil não teria o privilégio de ser o berço de pérolas como Preta Pretinha, Acabou Chorare e A Menina Dança.
Foi o baiano de Irará que promoveu o primeiro encontro entre Moraes e Galvão: "Entrei num seminário de música e lá tive algumas aulas de violão com Tom Zé.

Mostrei algumas músicas minhas a ele, que gostou e depois me apresentou a Galvão. Começamos a parceria e, em 15 dias, já tínhamos seis ou sete composições prontas", recorda-se.
Aos poucos, os Novos Baianos foram tomando forma, com a entrada de novos integrantes, como Paulinho Boca de Cantor, Pepeu e Baby, que se apresentaram com o grupo no histórico show Desembarque dos Bichos, narrado no livro. Moraes lembra com bom-humor: "Era um show louco, gente em trapézio, voando sobre a platéia, iluminação psicodélica.
Uma atriz na Bahia exclamou: 'Se isso for arte, eu me suicido'. Era uma loucura!".

RIO DE JANEIRO - Loucura ou não, o saldo foi positivo: a banda decidiu seguir carreira profissional e partiu para o Rio, já que a Bahia não oferecia condições de profissionalização. Fechou contrato com a RGE, através de João Araújo, pai de Cazuza. Daí, surgiu o primeiro álbum, Ferro na B oneca, gravado em São Paulo.

Segundo Moraes, a metrópole paulista não era o sonho dos Baianos: "Nós queríamos ir para o Rio, que era a cidade da onda, onde estavam a intelectualidade e a juventude carioca. Era uma cidade mais libertária, que tinha tudo a ver com a gente", diz "Resolvemos então alugar um apartamento no bairro de Botafogo.
Decidimos que, para ser um novo baiano, não bastava tocar junto. Era preciso morar junto, numa comunidade".
Como outros artistas de sua geração, Moraes não poupa elogios ao cantor baiano João Gilberto: "Ele é o guru do grupo, ele é pai do disco Acabou Chorare. É o grande produtor espiritual do álbum, é o pai dessa criança."

  Acabou Chorare consagrou o grupo, mas a grana era pouca
Depois de Acabou Chorare, a popularidade do grupo aumentou muito. Mas a grana continuava curta, lembra Moraes: "Nosso dinheiro não tinha dono. Eu e Galvão éramos os que mais ganhavam por causa dos direitos autorais, mas nós não pegávamos em dinheiro".
Veio a mudança para o Cantinho do Vovô, uma propriedade rural na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde se consolidou a comunidade.
Nessa época surgiram os famosos babas disputados por Pepeu, Dadi, Moraes, Paulinho e com a participação de craques como Nei Conceição, Afonsinho e até Brito, zagueiro da mítica seleção tricampeã.

DIFICULDADES - Depois, Moraes ainda lançaria, com o grupo, mais dois discos, Novos Baianos F. C. e Novos Baianos (que ficou conhecido como Alunte ). Mas, com nascimento dos filhos de alguns integrantes, as dificuldades aumentaram.

"A gente não tinha uma situação financeira regular, éramos desorganizados. Às vezes, não tinha comida e a gente se contentava em chupar laranja. Enquanto as crianças mamavam, tava tudo beleza. Mas depois cresciam e precisavam de outros alimentos.

E os malucos, de larica, tomavam o leite das crianças! Aí a barra pesou, veio o desgaste e, em 75, tive que sair, com dor e pena", afirma Moraes.

SOLO - Os primeiros anos da carreirasolo foram difíceis: "O primeiro disco, Moraes Moreira, de 75, não repercutiu muito e passei dificuldades com a família. Não tinha como pagar aluguel e cheguei a ser despejado".
O sucesso viria no segundo álbum.
Ali estava a música que faria decolar a carreira-solo e ele se tornaria um ícone dos carnavais: Pombo Correio. "Aí, as coisas melhoraram, vieram muitos shows.
Me voltei para o meu nome. Apenas eventualmente tocava Preta Pretinha ou outras músicas dos Novos Baianos. E, depois disso, foi um sucesso atrás do outro." Não foram poucos hits, como compositor ou cantor: Chão da Praça (com Fausto Nilo), Chame Gente (com Armandinho), Vassourinha Elétrica, todos clássicos absolutos dos anos 70/80.

A força de Moraes como compositor será lembrada no dia 4 de março, na 17ª edição do Troféu Dodô & Osmar, realizado pelo Grupo A TARDE. Ele e mais 27 compositores baianos serão os homenageados da noite. "Estou chegando a 500 composições gravadas. Não acho que o compositor baiano seja negligenciado, mas todo compositor deveria ter direito de gravar sua própria música e, mesmo que não seja um grande intérprete, sempre é bom ouvir a versão do criador." JOÃO - Foi no apartamento de Botafogo que os Novos Baianos, quando chegaram ao Rio de Janeiro, receberam um convidado que mudaria a história do grupo: João Gilberto. Procurado por Galvão, João foi visitar a trupe.

Moraes recorda a visita com detalhes: "Na primeira vez que ele me pediu pra tocar, eu tremia, fiquei nervoso. Ele gostou, mas fez uma observação importante: 'Está tudo bonito, mas vocês precisam olhar pra dentro de vocês mesmos'. Ele queria dizer que a gente devia prestar mais atenção ao Brasil. O nosso som era meio roqueiro, influenciado por Janis Joplin, Jimi Hendrix e bandas de fora do País. Aí, ele começou, naquele dia, a mostrar coisas de Noel Rosa e Herivelto Martins.
Aquilo despertou a brasilidade na gente. E, finalmente, quando um dia ele soltou os primeiros versos de Brasil Pandeiro, de Assis Valente, nós entendemos o recado.

Então, começamos a colocar cavaquinho, bandolim, pandeiro e outros elementos nos Novos Baianos".
As condições técnicas de gravação não eram as melhores, mas a sintonia entre os integrantes era tão grande que o resultado foi o álbum histórico, que se tornaria um dos mais importantes da MPB. Tanto é que, há poucos meses, a edição tupiniquim da revista Rolling Stone elegeu Acabou Chorare como o maior disco brasileiro de todos os tempos.

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