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O problema é que o sentido é forte demais.. Por Gustavo Conde
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Dando o que Falar
Qui, 26 de Julho de 2018 06:12

Gustavo_CondeO episódio do funcionário que homenageou Dilma com a escrita confeiteira afetuosa em uma singelo prato de sobremesa no restaurante ‘A Favorita’ - e recebeu uma 'retratação institucional' de seu patrão - é emblemático demais. É a elite do atraso em sua plenitude didática.

O fato de o proprietário se achar no direito de se manifestar a respeito e declarar que a homenagem ‘não traduz a posição do restaurante’ é o ó do borogodó da elite escravocrata e da mediocridade colonial que encrustam os donos do poder no Brasil.

O pior é que tem gente que acha que ‘é isso mesmo’, os analfabetos espirituais que habitam os interiores semi abastados do país, sobretudo os interiores de São Paulo. Conheço muitos pessoalmente. É a velha profundidade humana de um pires de café raso.

O Sr. Arecco (esse é o nome dele) dono do restaurante, não tem absolutamente nada a ver com o que pensa seu funcionário, nem com o fato de este funcionário manifestar seu pensamento dentro da ‘sua propriedade’.

Esse pensamento escravagista explícito da nossa elite, gesto escandaloso de ingerência cidadã, será em um futuro próximo tipificado como crime, tal como o crime de racismo e o crime de homofobia (é, na verdade, um desdobramento desses dois).

A ideia de que ‘propriedade física’ se desdobra em ‘propriedade intelectual’ é uma monstruosidade. É a mesma lógica que impera no Grupo Globo.

O dono da Rede Globo é absolutamente igual ao dono do restaurante: ambos não querem que seus funcionários tenham liberdade de expressão. Calcule, portanto, a indigência do nosso sistema de comunicação: o dono de um conglomerado de R$ 70 bilhões age como um dono de restaurante (com todo o respeito aos donos de restaurante).

O Chico Pinheiro também não pode ‘escrever na sobremesa’. O William Bonner não pode ‘escrever na sobremesa’ (esse nem saberia). A Renata Vasconcelos não pode ‘escrever na sobremesa’. O caboman ‘José da Silva’ não pode ‘escrever na sobremesa’. O iluminador ‘João de Deus’ não pode escrever na sobremesa.

Essa é a lógica da nossa elite. É por isso que eles detestaram os governos do PT. Não é porque o trabalhador começou a frequentar o aeroporto ou porque a filha da empregada é melhor em matemática aplicada que o filho da ‘patroa’. É porque essas pessoas começaram a ‘falar’ e a se ‘expressar’.

É muito mais insultuoso para a nossa elite obtusa e destituída de conteúdo ter que lidar com pessoas reais, que falam e pensam com ‘qualidade’ e profundidade, do que ter que lidar com a comodidade daquela ‘falsa qualidade’ de discurso que o dinheiro pode pagar (a revista Veja, por exemplo).

Donos de ‘Globos’ e de ‘restaurantes’ são o vetor que faltava para a compreensão da tese que explica em definitivo o Brasil. Eles não suportam o sentido. Como são rarefeitos, são intolerantes à densidade. Mas querem controlar isso, querem multiplicar a própria mediocridade como elemento de controle da força de trabalho.

O problema é que o sentido é forte demais.

Eu posso explicar o que significa ‘o sentido ser forte demais’ com o auxílio de um ditado popular. É praxe nos estudos linguísticos do discurso, os ditados populares explicarem de maneira metafórica os protocolos de produção de sentido das sociedades.

Não é, portanto, o ‘bem que sempre vence o mal’. É o ‘sentido que sempre vence a falta de sentido’. O sentido, meus caros, vai prevalecer, não se preocupem. A falta de sentido não aguenta muito tempo ‘sozinha’, até porque a condição simbólica da nossa espécie é produzir e consumir sentido. Se esse regime fracassar, a espécie fracassa (ou se torna insuportável).

Recobremos o sentido das nossas vidas e do nosso país para que assim possamos escrever em muitas sobremesas que ainda virão pela frente. Uma vez experimentada a liberdade de pensar, ela jamais deixa de provocar o comichão de sua emergência nos sujeitos e na história.

A ferida profunda, causada pela adaga do golpe, infeccionou o tecido e a carne e quase matou o paciente. Mas o sistema autoimune não se entregou. Agora, o sentido ‘coça’.

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