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A partir de janeiro, um ciclo termina, outro começa. Por André Singer
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Dando o que Falar
Seg, 24 de Dezembro de 2018 05:48

andre-singerA crise política se iniciou em 2015, com o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, e concluiu-se em 2018, com a vitória de um capitão reformado de extrema direita, passando pelo impeachment sem crime de responsabilidade. A sucessão de catástrofes acabou no pior cenário: a ascensão de um admirador da ditadura militar.

Olhada em conjunto, a etapa que deixaremos para trás em 31 de dezembro próximo corresponde à tentativa, com sucesso, de destruir o modelo erguido à sombra da Constituição de 1988. Sempre é bom registrar que o principal agente demolidor foi a Operação Lava Jato, apoiada na maciça e simpática cobertura da mídia.

O sistema anterior, que era também socioeconômico, foi varrido pela combinação de piora material com profusão de escândalos. Nas duas dimensões, o campo popular, comandado por Lula, não deu as respostas necessárias para manter a maioria conquistada em 2002. Os sobreviventes do terremoto —como é o caso do lulismo —podem até dar a volta por cima, mas terão que atuar em condições transformadas.

O espectro ocupado pelo centro e pela direita, por sua vez, deixou-se levar pela tentação do golpe parlamentar e foi tragado pelo candidato que encarnava o verdadeiro espírito golpista.

Agora não adianta chorar sobre o leite derramado: um novo ciclo se abre. A extrema direita ganhou o direito de implementar o seu modelo por pelo menos quatro anos.

Um misto improvisado, bizarro e lúgubre de trumpismo, pinochetismo e olavismo de carvalho está no ar. O anverso propositivo da Lava Jatoinaugura-se em 1º de janeiro e o seu perfil ainda é difícil de entender.

No entanto, dois pontos merecem atenção.

O projeto contrarreformista da Lava Jato só conseguiu pleno êxito por ter atuado no terreno da forte baixa econômica. Estivesse o PIB em alta, como 2010, o efeito das descobertas pilotadas desde Curitiba teria sido outro. Decorre que o desempenho da economia continuará a ser chave na etapa que se inaugura dentro de dez dias.

Em segundo, o trabalho de desmontagem da Lava Jato segue o seu curso, agora ameaçando o próprio resultado do processo anterior. A razão é simples. Parlamentar do baixo clero por 27 anos, o atual presidente eleito certamente deve ter participado de todos os hábitos do sistema que depois resolveu implodir.

Na qualidade de vidraça, o presidente da República a partir de janeiro vai levar muita estilingada. Aos que não gostam do programa ora vencedor, resta ter o discernimento de construir, em meio aos estilhaços que vão voar, propostas alternativas para o país.

André Singer é Professor de ciência política da USP, ex-secretário de Imprensa da Presidência (2003-2007). É autor de “O Lulismo em Crise”.

Artigo publicado originalmente em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/andresinger/2018/12/a-partir-de-janeiro-um-ciclo-termina-outro-comeca.shtml?loggedpaywall

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