Salvador, 27 de September de 2021
Acesse aqui:                
facebookorkuttwitteremail
Erro
  • Your server has Suhosin loaded. Please follow this tutorial.
Por que Bolsonaro faz o que bem entende. Por Moisés Mendes
Ajustar fonte Aumentar Smaller Font
Dando o que Falar
Sáb, 31 de Julho de 2021 06:13

moises-mendesBolsonaro pode repetir a live de quinta-feira, em que agrediu a Justiça Eleitoral e provou que não tem provas de fraudes em eleições, e no curto prazo não acontecerá nada. Se quiser, pode até dizer em mais uma transmissão ao vivo que, se perder a eleição por 7 a 1 para Lula, o filho Dudu chamará o jipe, o cabo e o soldado e invadirá o Supremo e o TSE.

Bolsonaro continua com imunidade para dizer o que bem entende porque não conhece os próprios limites e não tem limites impostos pelos que ele ofende e poderiam enfrentá-lo em nome das instituições. Mas não só por isso.

As reações ao que ele faz e diz estão sempre aquém do dano causado. Todas as manifestações de qualquer área, incluindo a imprensa, em resposta às ameaças de Bolsonaro, são insuficientes como contraponto às suas agressões.

Os blefes de Bolsonaro são ofensivamente mais fortes, mesmo que sejam blefes, do que qualquer resposta racional aos seus desatinos.

Gilmar Mendes, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, todos podem dar respostas contundentes a Bolsonaro, mas que serão apenas respostas contundentes.

Mendes pode dizer que Bolsonaro precisa parar de dizer besteiras sobre o voto impresso. Fux, com quem Bolsonaro firmou uma trégua há apenas 18 dias, pode discursar na segunda-feira, como já avisou, com a reafirmação de recados a Bolsonaro e a Braga Netto.

Alexandre de Moraes pode determinar, como advertência, que a Polícia Federal retome as investigações sobre as interferências de Bolsonaro na própria Polícia Federal.

Mas tudo o que integrantes do Supremo ou do Congresso (pobre Congresso) fizerem ou fingirem que fazem estará sempre muitos tons abaixo dos ataques produzidos. Tem sido assim.

Bolsonaro faz o que bem entende por saber que instituição alguma e em lugar algum será incapaz de enfrentar o fascismo se não tiver respaldo do que vem das ruas, e não da internet.

Não o respaldo dos humores subjetivos do mundo virtual. Tampouco o respaldo de vontades expressas em voz alta, em tribunas diversas, mas sem a correspondente ação política.  

Bolsonaro sabe que as instituições da democracia não impõem medo ao autoritarismo se não tiverem muito mais do que os ecos da indignação e da gritaria.

As quatro manifestações de rua contra Bolsonaro constroem perspectivas incertas. As esquerdas não podem se enganar. O que aconteceu até agora nas ruas ainda é pouco.

A cada manifestação, a controvérsia é sempre a mesma, e o Brasil debate se a caminhada mais recente foi maior ou menor do que a anterior. Se não há consenso sobre o crescimento dos protestos, é porque estamos quase onde começamos.

São quatro manifestações em dois meses. Repetem que os atos ganharam em capilaridade, com as caminhadas espalhando-se por mais cidades, mas ainda falta potência política.

Anunciam que a grande manifestação será a de 7 de setembro. Mas o que virá, e quando, depois do 7 de setembro? O 15 de novembro?

As esquerdas avaliam as fragilidades de Bolsonaro a partir da imprecisa, porque alugada, base política do centrão, e da sempre gasosa fidelidade dos militares, ou Bolsonaro não teria perdido seus chefes das três armas e o ministro da Defesa.

E Bolsonaro conta com as incertezas e os medos das instituições e das esquerdas. E sabe que as esquerdas e as instituições não têm ainda o povo que esperavam ter.

Hoje, Bolsonaro só corre riscos diante dos rolos dos coronéis da CPI do Genocídio e da ameaça do imponderável, sempre presente em lives como a de quinta-feira e nos momentos em que pede colo à claque do cercadinho do Alvorada.

Nos improvisos, ele pode a qualquer momento tropeçar numa frase que o conduza ao erro fatal. Mas o que poderia ser esse erro?

Não há como saber ou intuir, ou não seria o imponderável. A democracia brasileira pode estar hoje na dependência desse imponderável.

 

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas 'Todos querem ser Mujica' (Editora Diadorim)

Artigo públicado originalmente em https://www.brasil247.com/blog/por-que-bolsonaro-faz-o-que-bem-entende

Compartilhe:

 

FOTOS DOS ÚLTIMOS EVENTOS

  • 24.02.2020.395Desfile Ilê Aiyê. C Grande. Alb 4. 24 Fev 2020
  • 24.02.2020.326Desfile Ilê Aiyê. C Grande. Alb 3. 24 Fev 2020
  • 24.02.2020.126Desfile Ilê Aiyê. C Grande. Alb 2. 24 Fev 2020
  • 24.02.2020.002Desfile Ilê Aiyê. C Grande. Alb 1. 24 Fev 2020
  • 24.02.20.167Mudança, Magary, Motumbá. C. Grande. 24 Fev 2020
  • 24.02.20.121Didá & Respeita as Minas. Campo Grande. 24 Fev 2020

Parabéns Aniversariantes do Dia

loader
publicidade

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS

GALERIAS DE ARTE

Mais galerias de arte...

HUMOR

  • A Justiça brasileira_1
  • Categoria: Humor
Mais charges...

ENQUETE 1

Qual é o melhor dia para sair a noite?