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Eu Gregório do jornalista e cineasta Raul Moreira
Quinta-feira 08 Novembro 2018, 19:00

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Independentemente da literatura, o pré-lançamento promete, uma vez que muitos dos convidados usarão uma máscara de gato, do nariz pra cima, sem falar da presença da banda de jazz Geleia Solar, famosa por tocar aos sábados na Jam no MAM, além do DJ Elettra, entre outras atrações.

Depois de Salvador, estão programados, na ordem, lançamentos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Aposta da editora Noir, no mercado há dois anos, com seu perfil irreverente e transgressor, como se percebe no seu catálogo de livros, Eu, Gregório vai estar no próximo ano nas livrarias latino-americanas e europeias, uma vez que está sendo traduzido para diversas línguas, entre elas a espanhola, a inglesa, a francesa, a italiana e a alemã.

Com uma tiragem de dois mil e quinhentos exemplares, número razoável, levando-se em conta a crise no mercado editorial, a Noir acredita no inusitado e na força do texto de Eu, Gregório, uma livro que acaba “sequestrando” o leitor, como diz o editor e escritor Gonçalo Jr., autor, entre outros, de A Guerra dos Gibis (Companhia das Letras), e Alceu Pena (Manole), que chegou a ganhar o Prêmio Jabuti como Melhor Biografia, em 2011, para ser desclassificado depois, em episódio polêmico.

Meu adorável Gregório

Bartolomeu Pires Vianna (Magma Press)

Só quem já se relacionou com gatos, no bom sentido, conhece as delícias e as surpresas que envolvimento do tipo pode propiciar. O jornalista e cineasta Raul Moreira, que estreia na ficção literária justamente com um romance no qual um gato frajola é o protagonista, de título Eu, Gregório (Editora Noir), com pré-lançamento na quarta-feira (29), no Palacete das Artes, bem sabe: a sua paixão por eles é tão grande que o livro é dedicado, in memoriam, aos felinos com quem conviveu.

Independentemente da trama intrincada e da personalidade complexa do gato Gregório, que trafega ali, no fio tênue entre o ser e o não ser, entre o bem e o mal, chama a atenção os detalhes minuciosos por via dos quais o narrador de orelhas pontudas fala de si e, por tabela, de sua espécie, muito mais antiga que o homo sapiens, como ele faz questão de salientar em toda a sua sabedoria.

“É como se, em certos momentos, Gregório falasse por ele e por todos os gatos do mundo, reivindicando e propondo tudo àquilo que lhes é de direito”, diz Raul Moreira, que já criou gatos em Salvador, em Milão e até em Dublin, onde durante um ano adotou um frajola “que parecia gente” e, de alguma forma, serviu de inspiração para a construção do personagem de seu livro.

Aliás, os frajolas, também conhecidos como gatos europeus no Velho Mundo, sempre foram o fraco do escritor. “Tive três e os amei incondicionalmente”, diz, para depois confessar: “Sempre que vejo algum, seja lá onde for, paro para contemplá-los e, muitas vezes, me sinto tentado a levá-los para casa”.

No que se refere às relações com os bichanos, Moreira diz que se trata de um sentimento diferente daquele dispensado aos cães, por exemplo. “Já tive cachorros, também, mas, confesso que os gatos me atraem justamente pelo fato de que não os controlamos e, quando os conquistamos – na verdade somos conquistados –, é pura magia e mistério”, divaga.

De alguma forma, por via de Gregório, o autor elabora uma espécie de tratado a respeito do que é ser um gato, seja de apartamento ou de rua. Em certos trechos do livro, o narrador fala de como um felino deve se alimentar, da importância da hidratação para os rins, do jeito se sobrevier a uma queda de sessenta metros e, até, como lidar com a castração.

Aliás, a elucubração a respeito do viver sem os testículos, enfim, desprovido de testosterona, é uma das partes mais sugestivas do romance Eu, Gregório. De forma melancólica, o narrador relata o tédio gerado pela ausência daquele hormônio essencial, da impossibilidade de desejar, e até descreve o seu complexo pelo fato de que a sua urina não tem o mesmo “poder” daquela despejada nos cantos por gatos que ainda mantêm os seus aparatos genitais intactos.

Presentes em fábulas clássicas, a exemplo do felino risonho de Alice no País das Maravilhas, ou mesmo o esperto Gato de Botas, sem falar de Garfield dos cartuns e da animação, o autor acredita que os gatos são dotados de um poder de sedução particular, sem falar de todas as crendices em torno dele: “Independentemente da trama, quando escrevi o livro o fiz pensando na mística dos felinos e também nas pessoas que convivem com eles”.

Mas o autor avisa: quem espera se deparar em Eu, Gregório com um conto de fadas, com um manual de como conviver com felinos, cuidado. Ainda que aparentemente sejam tecidas questões lúdicas e existenciais da vida de sábio gato de apartamento, segundo Raul Moreira as páginas da ficção acabam por macular o que restava da inocência do mundo, ainda que, como diz Gregório, não há inocentes, muito menos ele.

Somos todos Gregório

Bartolomeu Pires Vianna (Magma Press)

Quando perguntado, ainda adolescente, qual seria o seu ofício, a sua profissão, Raul Moreira sempre respondeu na lata: “Escritor!”.  Agora, depois dos cinquenta, finalmente realizou o seu desejo, uma vez que a ficção Eu, Gregório, sob o selo da editora paulistana Noir, já se encontra impressa, tanto que haverá um pré-lançamento em Salvador, cidade na qual habita o autor, dia 29 de agosto, no Palacete das Artes.

Jornalista, cineasta, roteirista, crítico cinematográfico, ator, produtor, apresentador de programas televisivos, muitos já chamaram o baiano Raul Moreira de “cigano do jornalismo”. Pudera. Em 1994, ele estava em Imola quando da morte de Ayrton Senna, uma tragédia que não o freou como enviado de rádios e jornais brasileiros na cobertura da F-1: seguiu o circo da velocidade mundo afora nos anos seguintes, até se fixar na Itália, mais precisamente em Milão.

Foi então que passou a se corresponder com os principais veículos impressos brasileiros, como a Folha de S.Paulo, o Correio Braziliense, o jornal esportivo Lance!, o Estado de Minas, a Gazeta do Povo, A Tarde e  a Carta Capital, entre tantos outros.

Na época, escreveu para editorias diversas, mas, seu fraco, mesmo, era e continua sendo a cultura: entrevistou gente do calibre de Umberto Eco, Dario Fo, Norberto Bobbio, Luciana Stegagno Picchio, Oliviero Toscani, Massimiliano Fuksas, Gillo Pontecorvo, Ettore Scola, Damiano Daminai, Nanni Moretti, Paulo Coelho, Manuel de Oliveira, Caetano Veloso e Gilberto Gil, ambos para a RAI Internacional, entre tantos outros exponentes da cultura nacional e internacional.

A experiência e os anos vividos correndo o mundo – morou também em Roma, Dublin, na Irlanda, e viveu muitas temporadas entre Espanha e Portugal –, talvez o tenham aproximado  de certa universalidade, a ponto de ele afirmar categoricamente: “As minhas aldeias são as cidades nas quais vivi e vivo, onde estive e estou em constante aprendizado, cantando-as, mas sempre sofrendo a enorme dor de existir, ”.

De certa forma, tal aprendizado se reflete em Eu, Gregório, uma ficção na qual se encontram elementos autobiográficos, naturalmente, mas, acima de tudo, residem duas questões fundamentais da existência: vida e morte. Na condição de um gato, Gregório, o narrador, que assimilou todo o conhecimento de Mimi, sua dona, uma mulher culta e lésbica que se descobre portadora de uma doença desconhecida, o autor, de forma surpreendente, constrói uma teia narrativa que embaralha as cartas e torna a leitura um exercício no mínimo desafiador.

Porque, em Eu, Gregório, aquilo que é talvez não venha a ser, situação que obriga o leitor a ficar atento às “gatunices” do narrador felino, um personagem que parece trafegar no limite tênue entre o ser e o não, entre o bem e o mal. Tudo isso o faz dúbio em certos momentos, condição que de alguma forma desconstrói a saga de um pretenso herói incumbido da nobre missão de salvar Mimi.

“Quando li o escritos de Raul Moreira o fiz de forma compulsiva”, diz o editor da Noir Gonçalo Jr., que vai além: “Já recebi o livro pronto, mas isso não me impediu de fazer algumas sugestões, ainda que, substancialmente, o que foi materializado no papel seja praticamente o mesmo que pus os olhos há quase dois anos”.

Segundo Gonçalo Jr., independentemente da trama, o que o fascinou em “Gregório” foi o seu humor narrativo em certos momentos, um sofredor capaz de transformar em chistes e belas palavras situações difíceis e complexas, típicas de um sedutor quase diabólico: “Gregório é um gato que nos envolve, nos captura, nos faz cúmplices de sua tragédia”.

Para Raul Moreira, no seu livro de estreia, “Gregório” simboliza o seu amor à literatura, uma forma encontrada para saudá-la. Há momentos em que a arte de escrever é citada, posta como uma obsessão de um gato frajola que conhece da literatura russa aos regionalistas brasileiros, do realismo fantástico ao existencialismo, algo que a torna autobiográfica.

Há, também, como principio de tudo, o amor de Raul Moreira pelos gatos. O ultimo deles, por sinal, Celene, morreu poucas semanas atrás, na Itália, aos 20 anos, assistida pela ex-companheira do autor, uma animalista que o fez ingressar em um mundo no qual era fácil encontrar numa mesma casa centenas de gatos, maioria dos quais recolhidos na rua.

De Peri a Zizou, de Neco a Celene, gatos de Raul Moreira a quem o livro é dedicado, in memoriam, em Eu, Gregório os felinos são humanizados, no sentido mais nobre da palavra, enquanto os Homo Sapiens são criaturas bestiais, ainda que o narrador de orelhas pontudas se sinta distante de um e do outro. Eis a tragédia. Ou seria uma comédia? Ou uma tragicomédia? Seja qual for a resposta, somos todos Gregório!

 

Valor Acesso Grátis

Quando: Dia 08 de Novembro (quinta-feira), às 19 h. Moreira vai lançar a sua primeira ficção literária, Eu Gregório, publicação da editora paulistana Noir. Animam o lançamento o DJ Elettra, entre outras

Localização  Associação Atlética da Bahia
Rua Barão de Itapuã, 218 - Barra
Brasil/Bahia/Salvador
40140-060

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