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Guerra das Mônadas Por Rilton Primo
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Dom, 29 de Dezembro de 2019 23:26

Rilton-PrimoEste me parece ser o segundo abismo do Brasil, não é econômico em si. Entre a simplicidade bela e sincera dos matutos e a arte sem simplicidade ou pessoalidade. Mas isto tem a inversa.

A propósito, em parte o homem não nasce com gêneros etc., pois não nasce sequer humano. O homem físico, a mão humana, a inervação do olho etc. é um artefato, fruto de mil trabalhos. O mais é incônscio, fruto do corpo, interagindo com inanimados e ânimas externas e íntimas.

Suassuna estava brincando de matutice ao ironizar Engels sobre a nossa ascendência evolutiva. Poderia ter dado um passo mais à frente e brincar de Prometeu desacorrentado e conceber que não apenas tem ancestrais comuns a macacos e, mais longe, às demais espécies, mas ria.

Em que medida o homem é fruto de si e até onde contribuiu para se fazer humanizar é uma questão de segunda ordem diante da pergunta sobre a realidade e eficácia desta contribuição.

Não houve apenas um menino criado por bichos. Nenhum falava ou agia humano? Remanesce ainda a questão na natureza do ser, do sapiens inumano ou humano, do homem tal e qual é.

Esta figura tem sido pintada de diferentes maneiras e tais pinturas afetam públicos e pintores.

Interessa mais saber que homem é história e não só natureza do que saber que esta não é só o conhecido. As artes têm um papel no humanizar o humano não porque o pacifica ou purifica. Sua capacidade é dar forma sensível às ânimas e inanimados e o faz em múltiplas dimensões.

Dar forma a ânimas e inanimados, em múltiplas dimensões, hoje, é uma guerra de mônadas que os tabaréus têm perdido não tanto por terem armas não afiáveis quanto por não afiadas.

Que o resultado ético das ciências e artes nunca foi intrínseco a seus ofícios é uma platitude. A ciência serve pra fazer a guerra e as artes para suprimir culturas sim, mas são só antinomias.

Os desabrochares da cultura de um povo já foram descritos como um espetáculo humano raro.

A inversa do abismo entre os modos vivenciais práticos e a arte abstrata é o convexo orgânico. Este píncaro, que é o sistema nervoso, é visível mas não é compreendido como quis Descartes.

Abrir cabeças de primatas com serras à procura de proto-ideias as mostra escassas no filósofo. Não por erro oposto o spinozismo mistificou-se com a hipótese de ideias inorgânicas, acéfalas.

Acresce que o sistema nervoso e demais sistemas são um só, que nisto cada monista acertou. Se isto é verdadeiro para além de órgãos internos até os ecossistemas, a ideia é ser compósito. A ideia de isolar a ideia do cérebro equivale a isolá-lo dos sistemas e estes da evolução natural.

Afirmar a evolução natural e os sistemas como subconjuntos daquela não elide haver ideias. Verbais ou averbais, inclusive não representáveis e incognoscíveis há os compósitos das ideias.

Daí a pesquisa pré-científica conserve sua vitalidade e terminologia infinitesimal e sem cálculo. O conceito ainda não foi sequer definido para ser computado e o átomo é o axioma perpétuo.

O matemático de hoje acha um atraso intolerável que se suponha haver algo para ser contado. O cálculo se libertou do átomo e concebeu o infinito incognoscível às ciências e artes, e ponto.

Por falta similar Euclides previu, com alegria e grande pesar, a extinção dos tabaréus no Brasil.   A paralela euclídica alcançou Canudos pela República, como crime confesso a colossos leigos. Na Amazônia descreveu com que galanteria a gente casta e ribeirinha servia café na choupana.

Talvez não tenha sido o troglodita de Borges que escreveu a Ilíada, mas foi ele outro Homero e não de pinturas rupestres cuja exatidão foi sublinhada por Lukács, mas intelectuais à Gramsci, pelo fato de serem seres cerebrados, do que se deduz que meninos-lobo são capazes de épico.

O minúsculo impensável pode vir a tornar-se compósito pensável e deste unir rebrotar Ilíadas. Não nascem sígnicas, mas espelhadas, porém possuem imaginação, a microfísica ad infinitum, lhes faltando, para não serem escapadiças como estátuas ambulantes, diria Platão, conexões.

Vez que a imaginação do cognoscível converta-se em sistema organísmico, vive por si mesma. A restrita diversificação da experiência limita o espelhamento, mas dois espelhos são o infinito.

Anciões, crianças, mulheres de Canudos expiaram à degola e a cidade foi submergida às trevas. Euclides viveu a contradição e Lukács a dialética; Gramsci, o presídio; Spinosa, a excomunhão. Meninos-meio-lobos fundaram Roma e reiniciaram esta epopeia de anátemas ao infinitésimo.

Assim como a vida renasce de forma independente nas colunas vulcânicas do oceano profundo as artes laicas não precisam de parentesco para espelharem as auroras e, extintas, renascerão.

 

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