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Coronavirus: Com quem se preocupar? Por Walter Takemoto
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Ter, 17 de Março de 2020 00:08

Walter-TakemotoDizem que a contaminação pelo coronavirus é democrática, não distingue classe social.

No ocidente, e aqui no Brasil, na verdade os primeiros transmissores do coronavirus foram aqueles que vieram de viagem internacional, não são, portanto, os mais pobres da sociedade.

Dos primeiros casos na Bahia, registrados em Feira de Santana, uma senhora que voltou de viagem internacional transmitiu para a mulher que trabalha em sua casa, que por sua vez transmitiu à mãe.

E aí cabe a pergunta: quais são os procedimentos que o governo federal está adotando em relação aos passageiros, estrangeiros e brasileiros, que desembarcam nos aeroportos e portos brasileiros?

Não se tem informações sobre medidas efetivas que o Ministério da Saúde esteja implementando de monitoramento real dessas pessoas na chegada ou em seus domicílios.

Nos voos internacionais que pousaram até o final de semana, no máximo a tripulação informava que se alguém apresentasse algum sintoma deveria procurar atendimento médico.

Enquanto vários países adotam medidas rigorosas para conter a pandemia, suspendendo voos e controlando desembarque nos portos, o presidente Bolsonaro, contrariando medida adotada pelo Ministro da Saúde, determinou a liberação do desembarque dos passageiros de navios de cruzeiro.

Não se trata de histeria ou disseminação de pânico. Trata-se de reconhecer que essa pandemia é real, não fantasia ou produção do demônio, que mata, gera sequelas e pode colapsar o sistema de saúde, atingindo grande parte da população brasileira.

Na Itália em apenas 24 horas foram registradas 368 mortes. Na China 1 a cada 7 pessoas com mais de 80 anos morreram. E das que foram contaminadas, 1 a cada 5 foram internadas e 5 de cada 100 precisaram de UTI.

Segundo estimativa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por volta de 460 mil pessoas serão contaminadas em quatro meses, até ser ultrapassado o pico de contágio, 80% serão casos leves e moderados com internação domiciliar, 20% necessitarão de internação hospitalar e por volta de 1% (no mínimo) ou 4.600 pessoas, apresentarão quadro que exigirá UTI.

E o grave: o SUS possui 16 mil leitos no país sendo que 95% estão ocupados no momento (dados da Associação de Medicina Intensivista Brasileira). E como se atenderá os que precisarem de UTI em decorrência do coronavírus? Quem decidirá quem fica e quem sai?

As medidas adotadas pela China chegaram a escandalizar várias pessoas, como medidas autoritárias, de comunistas, de cerceamento da liberdade de ir e vir. Se compararmos os dados entre a China e a Itália, constatamos que no país europeu está sendo muito mais grave e com maior mortalidade. A Itália, inicialmente, não deu importância ao coronavírus e o governo demorou a implementar medidas de contenção da epidemia e proteção da população.

A China hoje apresenta uma grande redução de novos casos, com retomada gradual das atividades nas cidades que concentraram os casos de contaminação, e é hoje a referência para o mundo no combate ao coronavírus e nas pesquisas sobre medicamentos e vacina.

É preciso planejar medidas para impedir que a contaminação atinja uma grande parcela da população em curto espaço de tempo, o que provocaria um impacto impossível de ser assumido pelo sistema público de saúde, que será a demanda da maioria.

O que podemos fazer para nos proteger e proteger a coletividade circula nas redes sociais em profusão, seja com cuidados individuais ou coletivos. Trata-se de um pacto social que todos precisamos aderir.

Principalmente nós, que temos acesso ao conhecimento científico, informações sobre o que ocorre no mundo, que temos capacidade de adotar medidas preventivas que podem contribuir para tornar menos rápida a disseminação do coronavirus, temos que fazer a nossa parte.

Mas podemos ir um pouco além neste debate.

Temos, também, que questionar o poder público sobre suas responsabilidades.

Um exemplo: e o transporte coletivo? Como manter um metro de distância entre as pessoas em um ônibus ou metrô lotado? Aqui em Salvador o prefeito ACM Neto permitiu que as empresas de ônibus transportem até 7 pessoas por metro quadrado! De que adianta higienizar ônibus no início e final do trajeto nessas condições?

E o isolamento domiciliar? Como uma pessoa com o vírus que mora em um quarto e cozinha com mais 5 ou 6 pessoas, vai ficar isolada?

É preciso lembrar que na China o governo isolou as pessoas contaminadas em hospitais e prédios, com atendimento permanente, e no caso de quarentena domiciliar existiam equipes para dar suporte. E os trabalhadores informais, aqueles que vendem hoje para se alimentar amanhã? Qual o plano de contingência para dar condições de sobrevivência à suas famílias? Não podemos nos esquecer que o governo Bolsonaro cortou milhares de famílias do programa Bolsa Família e a fila de espera supera 1 milhão!

Temos que cobrar de parlamentares, gestores e governantes que apresentem à sociedade medidas que garantam à população mais pobre, que são os que mais sofrem nesses momentos, medidas eficientes e eficazes que as protejam.

Medidas individuais são importantes, mas poder adota-las é em si um privilégio. É preciso que políticas de maior impacto social estejam à frente no enfrentamento do coronavírus no país.

E a principal delas se demonstra agora: defender o SUS, exigir que a PEC do teto do gasto seja revogada, e os bilhões de reais retirados do SUS sejam destinados imediatamente ao seu orçamento. Walter Takemoto

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