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MAB apoia projeto da UFBA: Memórias Do Reinado De Momo
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Seg, 10 de Fevereiro de 2020 10:14

MAB_Memorias_carnavalNa próxima sexta-feira (14) os pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, Professor Paulo Miguéz, Vice-Reitor da UFBa, e a coordenadora da pesquisa, doutora em Cultura e Sociedade pela UFBa, Caroline Fantinel, lançam no Museu de Arte da Bahia o novo website do projeto "Memórias do Reinado de Momo" . Eles promovem palestra, debate e a exibição do mini documentário , obra visual inédita sobre o Clube Carnavalesco Embaixada Africana (séc. XIX) assinada pelo artista plástico baiano Anderson AC, remetendo ao desfile mais emblemático do clube, datado de 1897. O evento acontece a partir das 14h no auditório do MAB, no Corredor da Vitória. Entrada gratuita.

O projeto de Pesquisa faz parte do estudo detalhado realizado pelo professor Paulo Miguéz sobre o Carnaval da Bahia, considerada uma das maiores festas de rua do mundo. Em Salvador a folia momesca data do final do século 19, quando surgiram as primeiras agremiações, clubes e sociedades carnavalescas. A partir de entrevistas com pesquisadores, recortes de jornais e fotografias da época, a segunda edição do projeto traz um levantamento das entidades carnavalescas até 1930, com destaque para os clubes mais emblemáticos do período, como Cruz Vermelha, Fantoches da Euterpe, Innocentes em Progresso, Pândegos da África e Embaixada Africana. Ao todo, serão disponibilizadas 30 fotografias raras e 200 matérias jornalísticas divulgadas à época.


“Conhecido mundialmente pela beleza dos seus blocos afro e pela potência do seu trio elétrico, o carnaval soteropolitano foi palco de uma diversidade de outras experiências festivas. Salvaguardar essa memória, portanto, desponta como medida fundamental para devolver dignidade aos atores e grupos culturais, que foram invisibilizados ao longo desse reinado de Momo por conta de disputas diversas, sejam de ordem social, cultural, étnica, territorial ou econômica”, pontuou Caroline Fantinel.


Prova de que o carnaval não é apenas diversão, a pesquisa revela que os clubes negros foram proibidos de desfilar em 1905, tendo recebido permissão para retornar às ruas centrais da festa só depois de mais de uma década afastados. Por conta dessa grande campanha racista não há qualquer registro imagético ou sonoro destes clubes. Diante dessa situação lamentável, os pesquisadores do projeto decidiram que era fundamental retratar esse período, dando vida ao maior destes clubes afro-carnavalescos. Para tanto, o projeto irá apresentar uma tela que rememora e celebra o maior destes clubes, a Embaixada Africana. “Meu desejo foi de salientar aspectos do universo político e lúdico trazidos pela Embaixada, além de tentar mostrar seus ecos e influências nos carnavais atuais. Foi, sem dúvida, um dos meus maiores desafios recentes como artista”, afirmou Anderson AC, que assina o painel panorâmico de 0,60cm x 2,40m. Com passagens por Angola, Portugal e França, em 2019 o artista apresentou a mostra “Pintura Muralista” num dos pilares da resistência artística visual da arte negra no país: o Museu Afro-Brasil, em São Paulo.

Cordões, batucadas e escolas de samba

O projeto “Memórias do Reinado do Momo” teve início em 2015, apresentando um recorte um pouco mais recente da história dos festejos, com um trabalho de pesquisa que se debruçou sobre o período de 1930 até a década de 70 e contou a história dos cordões, batucadas e escolas de samba - organizações típicas da participação dos setores populares na festa e que, a exemplo do que sucedeu com as agremiações negras, praticamente desapareceram do cenário carnavalesco contemporâneo.

Todo o material levantando nesta primeira edição da pesquisa – mais de 160 entidades mapeadas, um acervo de 50 fotografias raras, 150 matérias jornalísticas, os resultados dos concursos oficiais da Prefeitura no período de 1955 a 1975, e ainda uma série com oito entrevistas com pesquisadores participantes da festa – também estará no website que será lançado dia 14.

“A nossa proposta é, justamente, revisitar e tornar pública q memória da nossa festa mais importante. Nessa segunda edição do projeto fomos ainda mais longe nessa linha do tempo, resgatando os fatos e os personagens que marcaram os primórdios do carnaval soteropolitano, especialmente no período da virada do século 19 pro 20. E a ideia de disponibilizar a pesquisa em um site é tornar esse conhecimento acessível e ao alcance de todos, restituindo o valor, a dimensão e a relevância dessas agremiações que, apesar do protagonismo de outrora, tiveram sua história e importância silenciadas”, destacou Fantinel.


O projeto “Memórias do Reinado de Momo” tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia.


Serviço:

Memórias do Reinado de Momo

  • Lançamento do novo website do projeto com exibição de minidocumentário e obra visual inédita sobre o Clube Carnavalesco Embaixada Africana

  • Debate com os pesquisadores Paulo Miguez, Caroline Fantinel, Fábio Baldaia, Rafael Soares e Iury Batistta

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