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Dois Terços lança campanha no Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia
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Qui, 16 de Maio de 2019 19:32

Genilson_Coutinho_Foto_Divulgao_Yuji_SogawaItamar Ferreira Souza (2013), Felipe Doss (2017), Thadeu Nascimento, ou Têu Nascimento (2017), Willian Neves de Santana (2018), Sabrina Santos Vidal (2019) e Alex Fraga (2019). Esses foram alguns baianos na lista dos 1.428 LGBTQIA+ assassinados no Brasil nos últimos quatros anos, e, infelizmente, seus assassinos continuam soltos por falta de investigação, ou por serem “esquecidos” nos autos dos processos nas varas criminais, enquanto familiares e amigos vivem o luto eterno pela perda de um entente querido.
Diante desta triste realidade, o site Dois Terços (www.doistercos.com.br), veículo de notícias LGBTQIA+ da Bahia, lança, no Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia (17), uma campanha, que tem como norte trazer para as esferas do movimento LGBTQIA+, dos políticos e dos ativistas dos Direitos Humanos, a cobrança para a prisão destes assassinos (e punição para todos os assassinatos) e pressão para que o STF criminalize a homofobia, e, assim, reduza a banalização dos altos índices de violências contra LGBTQIA+, em razão da falta de uma lei que puna esses crimes no país.

A campanha – que é um questionamento sobre até quando os LGBTQIA+ serão vítimas da homofobia e os culpados estarão soltos – será um dos assuntos abordados nas ações do site, e principalmente nas redes sociais, grupos de WhatsApp e sites de paquera, buscando atingir o maior número de pessoas para que elas façam, junto a nós, uma reflexão sobre a atual situação de vulnerabilidade da comunidade.

Para Genilson Coutinho, ativista LGBTQIA+ e editor chefe do Dois Terços, todo dia é dia lutar e somar novos defensores e questionadores nesta luta pela vida das pessoas LGBTQIA+. "É triste ter que divulgar, todos os dias, a morte de um LGBTQIA+, acompanhar nas redes sociais frases como ‘até quando?’ e ‘mais um de nós que se vai’ e seguir sem notícias sobre investigações e muito menos a prisão dos culpados. O sofrimento das famílias e amigos são imensuráveis, e, ainda que a prisão destes assassinos não traga um familiar ou amigo de volta, ao menos possibilitará um pouco de paz para aqueles que aguardam por justiça", pontua Coutinho, que afirma também que esta “tem que ser uma luta diária, pois já não suportamos dados alarmantes e punição zero”.

Quem também fala sobre essa falta de punição é Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

Punição e culpados

De acordo com o relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), em menos de um quarto desses homicídios o criminoso foi identificado e menos de 10% das ocorrências resultaram em abertura de processo e punição dos assassinos. A maior parte dos homicidas identificados eram desconhecidos da vítima, relacionamento casual. Apenas 4% (18) dos criminosos eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Segundo a presidente da ANTRA, Keila Simpson, um dos fatores que tem contribuído para o aumento significativo dessa violência, com certeza, foi – e é – o momento político que enfrentamos (as declarações homofóbicas do presidente da república e a incitação ao ódio, pregada por ele a todo momento); a inexistência de ações que impliquem na redução dessas violências e assassinatos; o levante efusivo de religiões com discursos fanáticos, radicais e intolerantes.

“Apesar da visibilidade alcançada através das mídias sociais os crimes continuam acontecendo. Nesse dia 17 de maio não temos muito o que comemorar, mas, sim, o que reivindicar, principalmente a massificação das violências físicas e verbais”, declara Keila. Ela faz menção, ainda, a dados de pesquisas que revelam que a naturalização dessas violências tem feito os índices de suicídio entre pessoas LGBTQIA+ aumentarem. A falta de enfrentamento e punição faz com que as vítimas sejam violentadas outra vez quando esses crimes são julgados.

Diante desse cenário, é de suma importância que os ministros do STF, no dia 23, votem favoráveis à criminalização da homofobia (condicionando ao crime de racismo). “Sabemos que a legislação, em si, não vai erradicar a violência, mas será o instrumento que punirá as pessoas que a cometem, e a partir disso, tendo um aparato legal, é possível que haja a redução dos crimes, aumentando a segurança da comunidade LGBTQIA+”, afirma Keila, que indica que, junto à criminalização, é necessário reforçar o trabalho de conscientização da sociedade sobre respeito à diversidade, principalmente de que a comunidade busca direitos iguais e não privilégios.

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