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A política, o jogo, a isca. Por Sergio Siqueira
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Sex, 10 de Março de 2017 16:29

Sergio_SiqueiraA política no Brasil está mais para um doc drama do que para ideologia. O mais importante não é o que é e sim o que parece ser, e todos os marqueteiros carregam nas tintas, sabendo que num país com pouca cultura e educação, a emoção vale muito mais que a razão e as promessas causam mais efeito do que a verdade, daí todos prometerem o Nirvana.

Para os homens de Marketing que gostam do jogo, não importa muito o candidato e nem o partido, mas sim a caixa registradora, a grana, o resto se ajeita. Quem quiser pode analisar que eles, vão de um extremo a outro, da esquerda para a direita, da direita para o centro e a palavra que soa na boca, vai ser sempre a mesma : sou um profissional! O jornalista Átila de Albuquerque, que já nos deixou e trabalhava com política, foi talvez o único a se mostrar por inteiro, quando tratou desse assunto. Em entrevista a televisão. Perguntado sobre seu trabalho, simplesmente resumiu: “ sou um pistoleiro de aluguel”. 

A Bahia sempre teve grandes marqueteiros políticos, os melhores, basta citar Fernando Barros, Geraldão, Duda Mendonça, e João Santana ( Patinhas ) que fez a campanha vitoriosa de Lula e Dilma. Fui colega de Patinhas, tivemos amigos comuns, ele frequentou algumas vezes meu ap na década de 70 e sempre foi uma pessoa muito culta, inteligente, inquieto e circulava nas duas correntes : a da política ( grêmio, jornal etc ) e também na contracultura ( parceiro de Moraes, Bendengó etc ), num tempo em que essas 2 áreas tinham diferenças e não viviam em harmonia.

Patinhas era um dos melhores, mas não era arrogante. A palavra arrogante aparece agora, retroagindo a um fato político referente a disputa Aécio x Dilma, quando lá atrás Patinhas falou que Dilma ia ganhar a eleição e que ia haver uma “antropofagia dos anões”, uma frase que a princípio demonstrava arrogância e menosprezo pelos adversários “, eu mesmo achei isso e até comentei : “ ih, Patinhas ficou arrogante, coisa que ele nunca foi “.

Tempos depois, lendo uma entrevista que o jornalista Luiz Maklouf Carvalho fez com ele, vi a explicação bastante plausível para esta frase, que tirou o foco dos adversários da campanha e colocou Santana que sempre foi discreto no meio do tiroteio. Fala Santana :
" (...) Eu juntei nesta metáfora, um ser até hoje misterioso e estranho, que é o anão, com um rito primitivo e pagão, ainda fundamente encravado no inconsciente coletivo, que é a antropofagia.“ A junção de “anão” e “antropofagia” provoca uma reação em cadeia, uma sinapse poderosa. Por isso o comentário provocou tanta celeuma. Se não tivesse embutido nessa matáfora , teria saído logo de cena ou talvez nem entrado. Os racionalistas ingênuos viram apenas “arrogância” no meu comentário. Desvendo isso agora, para que você constate, mais uma vez, o poder das metáforas.

E veja como podemos faze-las funcionar em determinadas direções. Isso, aliás, já vem sendo feito há milênios. Os cântigos religiosos, as bruxarias e os poemas de amor de efeito encantatório repousam nesta ciência. Isso não foi descoberto pela política moderna. Mas há ainda duas intenções ocultas que passaram despercebidas. Eu fiz essa declaração em um momento em que a candidatura da presidente Dilma estava fragilizada, para fora e para dentro, depois de forte queda de aprovação que ela teve com as jornadas de junho. Ou seja: eu tinha a intenção de fortalece-la.

Por outro lado, e isso que é mais importante, eu queria fazer meu primeiro teste da força e do equilíbrio emocional dos principais concorrentes. Queria encontrar uma forma, mesmo que pequena, de enfraquece-los. E ver como eles reagiriam. Eles morderam fortemente a isca. A matáfora os envenenou. Ficaram presos dentro deste círculo mágico meses a fio – basta ver quantas vezes repetiram essa história dos anões, ao longo da campanha. E com uma tremenda mistura de ódio e desdém contra mim. Sem querer exagerar meu papel, tenho quase certeza que eles podem ter repetido para si mesmos, ou na intimidade, “ eu vou provar a este filho da puta quem é o anão”. Isso tem um lado bem divertido. Em determinados momentos de uma campanha, é mais tático você influenciar os adversários do que influenciar o eleitor.”

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