Salvador, 15 de dezembro de 2017
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Gil & Germinar, Por franciel Cruz
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Qui, 28 de Setembro de 2017 13:03

Franciel-CruzTodo trabalhado no distanciamento brechtiano, esperei passar as regulamentares 48 horas para não tropeçar nas vastas emoções & pensamentos imperfeitos que aperreavam meu maltratado juízo desde a noite do último sábado.

Metido a ladino, pensava que, simplesmente sacando do coldre esta pueril e procrastinadora estratégia, era possível fugir e/ou me proteger daqueles insanos turbilhões de desmantelos - seja lá que porra isto signifique. Mas o fato é que não havia saída. A fuga era apenas um ledo, ivo e inútil engano.

Ingenuamente, ainda acreditei que poderia pegar um atalho. Bastava vestir a carapuça de crítico musical - e beleza. Escapuliria dos transtornos.

Então, me programei pra dizer que a pianista Maíra Freitas, espancando as teclas com vigor e tensão no início do show Refavela40, lembrava, de algum modo, a justa fúria de Nina Simone. (Óbvio que não podia escorregar nesta esparrela hiperbólica do exagero desmedido). Motô, leva o carro para outra direção. Assim, pensei em falar do paradoxo Moreno X Caetano. Enquanto o pai busca a eterna jovialidade, o filho no palco parece já ter nascido póstumo. Apresenta-se arrastado igual a uma procissão de quarta-feira de cinzas, não que isso seja ruim. Até orna em algum momento...

Por fim, cogitei, inclusive, falar mal de Céu. Porém seria desonesto. A moça nos leva às alturas, com o perdão do trocadilho. Bastou ela soltar (?) a voz e eu subi todas as escadas rumo ao bar. Boa apresentação. Permitiu que eu bebesse, fumasse, conversasse e fosse no sanitário tranquilamente, sem remorso.

Mas, tudo isso perde ou ganha sentido (o que dá no mesmo) quando GILBERTO GIL entra em cena. O show, com seus altos e baixos, acaba ali e começa outra coisa. O primeiro riso tem o conforto de um abraço. Não estes abraços superficiais, mas aqueloutros, afetuosamente ancestrais. Nos sentimos protegidos e sabemos que, dançando, cantando e vivendo com ele nada de mal vai nos acontecer. E não acontece mesmo. Quero dizer: acontece tudo. Tem dois neguinhos, Bob Marley. Ê mo ri ô, Camafeu de Oxóssi, eu vi e vivi a religação: E lá estavam Fela Kuti, as crianças, os netos, tataravôs, bisavôs, avôs, pai Xangô Aganju. Rufam tambores seculares. E o canto/gargalhada estridente de Nara vai se acalmar no talento (in)contido de Bem Gil. Todos juntos saem do bloco pra fazer a patuscada.

Saem e ficam, eternamente, pois com Gil não é preciso morrer pra germinar. Gilberto ilumina e obnubila até as falsas luzes dos patéticos celulares. Permanece e germina.

Segura a Bahia e balance, meu ministro!!!

P.S Sou contra efemérides, mas hoje cabe exceção, pois é aniversário da combativa índia baiana nascida no Canadá: Maya Manzi, menina que possui tantas sabedorias, belezas e felicidades quanto uma canção de Gilberto Gil.
Muitos obrigados para sempre!!

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