Salvador, 20 de novembro de 2017
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Os monstrengos do bom gosto. Por Franciel Cruz
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Seg, 16 de Outubro de 2017 15:03

Franciel-CruzPara não ser acusado de palhaço das perdidas ilusões, mais do que já mereço, mantive um obsequioso silêncio em relação à (mal) dita reforma da minha amada, idolatrada, salve, salve Concha Acústica. Além de não querer ficar remoendo memórias, pois aprendi com o poeta que meu tempo é hoje, evitava também enveredar pelo debate meramente financeiro.

Sim, minha comadre, apesar de entender que R$ 80 milhões (total gasto na obra) é dinheiro pra caralho num estado carente de muitas coisas, a princípio não achava de bom tom me guiar pela crítica fácil em relação à dinheirama até porque acredito que investir verba em equipamentos culturais é algo importante. (Mas que era – e é – dinheiro pra caralho não há dúvida). 
Pois muito bem, digo, pois muito mal.

Infelizmente, o crime não ficou restrito ao desperdício da grana. O prejuízo que o governo do estado causou à Bahia, a um dos nossos melhores locais de shows, senão o melhor, é muito maior do que toda esta dinheirama. Houve um verdadeiro atentado não só contra o patrimônio físico, mas também uma agressão no sentido afetivo.

Tal mutilação, já era perceptível desde o primeiro dia da propalada reinauguração. Sim, confesso: eu estive lá no show de Maria Bethânia para convidados porque um amigo generoso me fez esta gentileza. Na ocasião, dei um desconto no desmantelo porque a chaparia branca estava lá em peso. Contudo já naquela noite senti o amargo gosto de coturno no canto esquerdo da boca. Voltei no day after pra (re) ver Os Novos Baianos e, teimoso, bati ponto diversas outras vezes. Nestes retornos era inútil fingir pois a dor não passava. E doía também no bolso. O antigo espaço popular estava gentrificado. Se tivesse escrito petrificado não estaria errado. A Concha perdeu o molejo.

E ontem, no confuso show de Gil, Gal & nando reis, esta situação foi levada ao paroxismo. Uma galera, que deve se achar dona do equipamento, queria impor o modo certo de ver o show na concha. E, claro, seria sentado. Um destes canalhocratas, que tal e qual um robô ordenava que as pessoas se sentassem, cometia, quase que concomitantemente, a heresia de ficar conversando bobagens, em voz estridente, com umas amigas durante a execução de “retiros espirituais”. Perceberam o tamanho do crime? Mas, óbvio, que o fundamental, para a criatura, era apenas mandar as pessoas botar a bunda no cimento. Nesta posição obediente, elas podiam alto quase gritando com os amigos ou brincar com o celular e até mesmo nem olhar para o show que estaria tudo beleza. Só não podia era ficar em pé. Dançar então, ave maria.

Agora, nesta ressaca descomunal, digo sem medo de parecer hiperbólico: O governo matou a Concha. Aliás minto. Fez algo muito pior. Criou um monstrengo insensível que desperta o autoritarismo dos estúpidos mestres do bom gosto & dos bons modos.

Ah, sim, para não ficar apenas nos lamentos, informo que continuarei a ir ao local para ver e viver os shows em pé ou, talvez, sentado, mas sempre do jeito que eu achar melhor, e não do modo imposto por qualquer zé ruela pretensamente civilizador.

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