Salvador, 20 de August de 2018
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Sobre "Rancharia, com Elomar e velhos amigos tropeiros” por Tito Baiense
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Qui, 02 de Agosto de 2018 12:10

Tito_Bahiense2Foi lindo pelo ponto de vista da fraternidade deste estilo nosso de Musica de Cantador, da Caatinga, do Sertão da Bahia. 
Um TCA atento, lotado para viver uma incrível atmosfera da Musica do nosso “Interior”. Pois já se vão alguns anos que o “bode” como é assim chamado pelos mais chegados não realiza um show em Salvador.

Além de Elomar e João Omar, estavam lá, Fábio Paes, Roze e Carlos Pitta, artistas convidados,
defensores sinceros de um estilo musical que se confunde com literatura e que ao mesmo tempo te leva à uma melancolia encontrada no fado.

Este “Western baiano”, como Elomar me fez entender a partir de elucubrações dele próprio dizendo para a platéia de como o inconsciente coletivo do estilo “velho oeste” foi bem trabalhado pelo cinema americano e que a partir disso a cultura do lugar, da região, sai ganhando. Me remete de imediato a Glauber Rocha, em “Deus e o Diabo na Terra do Sol” película marco do Cinema Novo filmada em plena caatinga de Monte Santo- Bahia. Este estilo baiano de cantador do sertão deste agreste que se assemelha a faroeste.

São aspectos que habitam um homem de Vitoria da Conquista-Ba do alto de seus 80 anos, o estilo de “Cantador” continuar firme. Um violão como sempre muito bom, a voz, um pouco mais velha que o habitual, não menos melodiosa, nos conduz ao mais profundo silencio, necessário para compreendermos os longos tesouros-textos introdutórios das canções, pausas de “causos”, para em seguida nos darmos conta que o Mestre brinda-nos com uma novidade tecnológica: um microfone de rosto, que ao meu ver solucionou muito sobre a mobilidade de cena para o artista Elomar, mas, exigiu do técnico um traquejo extra em nos garantir um claro vocal de um homem cheio de histórias, de pronúncias, dialetos, de um espírito antigo e ao mesmo tempo enigmático. Que confessa risonho inadequações deste novo tempo.

Tempo. Tempo é um tema que para Elomar é a própria carne ali exposta. Parece que ele traz consigo uma chave que nos abre para uma sala, um espaço criativo onde tudo de repente precisa parar para ele, o Tempo-Elomar, com suas óperas-canções, passar.

O instante dos convidados foi um show a parte, uma surpresa mais do que para além do que alguns mais puristas, na expectativa, como eu que comentava com outros ao final do concerto, que o “velho bode” poderia ter optado pelo mesmo show que vem rodando o Brasil inteiro; só ele e João Omar ao violão e cello, mas, como ha muito não aparecia em Salvador precisava-se de 2:30h de espetáculo para grandes amigos se confraternizarem no palco e tudo assim transformar-se numa inesquecível odisséia de grandes tropeiros!

Vamos além de Ellomar:

João Omar!
O Maestro João Omar, filho de Elomar, meu amigo da Escola de Musica da Ufba, está tocando e arranjando como nunca! Numa precisão e exuberâncias maravilhosas! Pura orquestração! Seu violão é uma Casa Forte, um encontro acadêmico e caatingueiro, fundado pelo teu pai. Flutuações melódicas, paralelismo de acordes, digitações, frases que expandem a consciência de quem vê! João funda uma nova Academia! Extremo e cuidadoso nas idéias. 
Seja ao violoncelo, seja ao violão, soa tudo rico, conciso, forte!

Para reforçar o time foram chamados Tota Portela, grande concertista brasileiro, flautista da OSBA, e o querido Kito Mattos, ao violão que acompanhou brilhantemente Pita. Kito acompanhou tb alguns momentos de Elomar e João.

Kito Mattos, um prof de violão! 
Um Sr simpático que toca nas noites soteropolitanas e tb em grandes compromissos de sarau, fez uma das melhores e mais criativas apresentações de um violão de acompanhamento, de base, que presenciei! Perguntei depois se ele tinha noção do que ocorrera e o mestre me disse sorridente na sua simplicidade corriqueira, que não...rs!

Roze!
de Tucano-Ba. 
É considerada única no seu estilo desde que apareceu em meados dos anos 70 em palcos baianos para ganhar projeção nacional. Cantadora estimada, de timbre marcante, diferente. Um personagem vivo! Uma atmosfera em pessoa, uma lenda! Linda, reflete sentimentos no seu cantar me dando impressões de que vem gente, pássaros, vento, folhas...Ela enfrenta notas desafiadoras, deixa o clima seguir, é corajosa, voz de guerreira, nos engrandece, nos fortalece, nos arrepia!

Fábio Paes!
de Serrinha- Ba.
Grande Cantador e contador de causos. 
Fabio começa a tocar e a plateia é inflamada com seus dizeres, sua consciência ativista! Afinal é um historiador, evoca o momento político atual com destreza, sua voz é grave, proeminente e bem humorada. Vira um convite a surpresas. Uma voz que deixa clara a poesia, a luta do cidadão no seu dia-dia. De violão marcado determina a força da canção. Fabio com apenas três canções deixou uma platéia em delírio, encantada!

Carlos Pitta! 
de Feira de Santana-Ba. 
Pita esteve em noite iluminada. Cantou perfeito tudo! Valorizou cada nota, cada tempo, cada frase. Nos mostrou o lugar real que representa com seu timbre médio agudo de rapaz apaixonado. Compositor de melodias bem bordadas e de felizes parcerias! Esbanja poética! Consegui depois do show chegar ao camarim e o confessei do quanto vi no cantar dele o que há tempos estava afim de encontrar! Emocionante! Carlos Pita parecia cantar para um céu enluarado!

Caminhamos para um final delicioso onde convidados e Elomar entoaram improvisos em quadrinhas melódicas dentro de um tema que evoca muito bem esse estilo caatingueiro do sertão baiano que tanto me fascina.

Estar diante de Elomar é algo impressionante. Ele traz consigo uma carga atmosférica que muitas vezes só vivenciamos em literatura. É mágico, dramático e inspirador!

Além do Amor, da Natureza, o artista Elomar tem como fonte de inspiração o sofrer. Ele reflete nas suas letras o abandono, o descaso político, a fome, o tísico corpo que não se aguenta, e ao mesmo tempo inclina uma esperança. Percebo que por vezes ilustra àquela máxima de Euclides da Cunha de que: “...o sertanejo, é antes de tudo um forte...”. Me arvoro num gancho: se caso este sofrimento acabasse, como seria a inspiração do poeta diante de um Novo Sertão?

Alguns gritos de Lula Livre rolaram. Eu gritei e do meu lado um bocado de gente ficou calada.

Elomar tem um grande publico. Uma grande Fraternidade que me sinto parte. Daí penso: 
que Bahia é essa? Que grandeza cultural me pertence??

Assim ví, assim encantado saí de "Rancharia, com Elomar e velhos amigos tropeiros”.

Um Concerto para sempre!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas no palco e campo de beisebol

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