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O Apagão da Mente - Alzheimer. Por Antônio de Souza Andrade Filho
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Qui, 06 de Setembro de 2018 07:17

Antonio_de_Souza_AndradeImagine um curto-circuito nos neurônios e um black-out no cérebro, pronto, esta é a imagem que melhor define a patologia chamada Alzheimer, uma enfermidade clínico patológica, cuja alteração fundamental é a deterioração intelectual (demência).

Descrita pelo neurologista alemão de nome Alois Alzheimer, em 1906, como uma forma de demência senil, porém de evolução rápida e com sintomas focais, como dificuldades visual e espacial e de linguagem. Alteração da memória recente, a sua incidência está entre 50 e 60 anos, mas já se manifesta entre os 35 e 45 anos, constituindo a chamada forma juvenil. Estudos mundiais revelam que a partir dos 65 anos, 5% da população mundial sofrem da doença, e que esta taxa aumenta com o avanço da idade. Estima-se para o ano 2025, cerca de 71% da população mundial acima dos 65 anos apresentará algum tipo de demência, e o Mal de Alzheimer estará no topo da pirâmide.

Quais sãos os sintomas? No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceito pelos familiares como parte normal do envelhecimento, mas que vão agravando-se gradualmente. Os idosos tornam-se confusos, e por vezes, ficam agressivos, passam a apresentar distúrbios de comportamento e terminam por não reconhecer os próprios familiares.

A perda de memória causa a estes pacientes um grande desconforto em sua fase inicial e intermediária, já na fase adiantada não apresentam mais condições de perceber-se doentes, por falha da auto-crítica. Não se trata de uma simples falha na memória, mas sim de uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social, devido a dificuldades para reconhecer pessoas próximas e objetos. Mudanças de domicílio são mal recebidas, pois tornam os sintomas mais agudos. Um paciente com Doença de Alzheimer pergunta a mesma coisa centenas de vezes, mostrando sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas, frases são truncadas, muitas permanecendo sem finalização.

À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes dos familiares e cuidadores, quando precisam de ajuda para se locomover, têm dificuldades para se comunicarem, e passam a necessitar de supervisão integral para suas atividades comuns de vida diária (AVD), até mesmo as mais elementares, tais como alimentação, higiene, vestir-se...

FASE INICIAL:

Distração

Dificuldade de lembrar nomes e palavras

Esquecimento crescente

Dificuldade para aprender novas informações

Desorientação em ambientes familiares

Lapsos pequenos, mas não característicos de julgamento e comportamento

Redução das atividades sociais dentro e fora de casa

FASE INTERMEDIÁRIA :

Perda marcante da memória e da atividade cognitiva

Deterioração das habilidades verbais, diminuição do conteúdo e da variação da fala

Apresenta mais alterações de comportamento: frustração, impaciência, inquietação, agressão verbal e física

Alucinações e delírios

Incapacidade para convívio social autônomo

Perde-se com facilidade, tendência a fugir ou perambular pela casa

Inicia perda do controle da bexiga

FASE AVANÇADA :

A fala torna-se monossilábica e, mais tarde, desaparece

Continua delirando

Transtornos emocionais e de comportamento

Perda do controle da bexiga e do intestino

Piora da marcha, tendendo a ficar mais assentado ou no leito

Enrigecimento das articulações

Dificuldade para engolir alimentos, evoluindo para uso de sonda enteral ou gastrostomia (sonda do estômago)

Morte.

Não há um teste específico que estabeleça de modos inquestionável a doença de Alzheimer. O diagnóstico de certeza só e feito através de exame patológico (biópsia do tecido cerebral), conduta não realizada quando o idoso está vivo. Desse modo, o diagnóstico de provável Demência tipo Alzheimer é feito excluindo outras patologias que podem evoluir também com quadros demenciais, tais como:

Doenças da tireóide, Acidentes vasculares cerebrais, Hipovitaminoses, Hidrocefalia, Efeitos colaterais de medicamentos, Depressão, Desidratação, Tumores cerebrais, entre outros. Para nosso alento, recente pesquisa sugere que uma das formas de preservação do mal é manter em atividade a vida intelectual. Precisamos diagnosticar com precocidade Mal de Alzheimer, porque o diagnóstico é quase sempre tardio. Necessitamos porém retirar da velhice a imagem de decadência intelectual. E que dentro em breve teremos a cura.

Dr. Antônio de Souza Andrade Filho é chefe do Serviço de Neurologia HUPES-UFBA, professor titular de Clínica Neurológica da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, doutor do Departamento de Neurociência  e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e Presidente da Fundação de Neurologia e Neurocirurgia – Instituto do Cérebro.

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