2º Festival Caju de Leitores mira o reconhecimento à cultura dos povos originários e celebra a literatura indígena
O Festival Caju de Leitores volta a ocupar a Oca Tururim, em Caraíva (BA), de 4 a 7 de setembro. Com intensa participação da comunidade Pataxó Xandó, a segunda edição é mais um passo na direção do reconhecimento e do respeito à literatura indígena. Na programação estão escritores, artistas, fotógrafos e líderes de diferentes etnias. Daniel Munduruku, que escreveu mais de 50 livros e atualmente vive um personagem na novela “Terra e Paixão” (TV Globo), é um dos palestrantes.
O Festival Caju, com curadoria de Trudruá Dorrico e Joanna Savaglia, propõe a celebração da literatura, em especial a infanto-juvenil, e da cultura dos povos originários. O Caju possibilita o contato com saberes e costumes, incluindo orações e a culinária. Peixes, milho, mandioca e, outras iguarias locais, serão servidos diretamente da fogueira.
PRESENÇA PATAXÓ
De acordo com Joanna, o Caju de 2023 ganha força com a ampla participação dos artistas e líderes Pataxós. “Agora foi diferente. Já no início do ano me perguntaram quando teríamos o próximo”, recorda. Mais de 4 mil pessoas acompanharam as atividades do primeiro festival.
“As iniciativas nesse formato estão começando a florescer e tomar força, contribuindo para a nossa sociedade superar a visão preconceituosa e colonizadora que tem sobre os povos originários.”, comenta Joanna. “Uma literatura indígena editorial trabalhada na Terra Indígena Barra Velha significa um passo a mais nas trilhas da autonomia indígena.”, completa Truduá.
CLASSIFICAÇÃO LITERÁRIA INDÍGENA
Sairi Pataxó, líder da comunidade, será o anfitrião do festival. Escritor, foi o primeiro a lançar um livro com classificação indígena no país. Um marco recente (durante o Caju de 2022), que demonstra avanços no reconhecimento e respeito à produção artística dos povos originários. “Ele abriu um importante caminho, pois a classificação que mais se encaixava anteriormente era a folclórica”, explica Joanna.
PROGRAMAÇÃO
Logo após a abertura do festival, Pataxós convidam o público a participar do Awê, uma manifestação de canto e dança. A prática é uma das mais longevas e populares da história da etnia e inclui elementos como o uso do timbero, um defumador produzido com ervas medicinais.
Oficinas de grafismo e ilustração, com Janaron Pataxó – ex-participante do reality “No Limite” (TV Globo) – e a artista Arissana Pataxó, estão na programação. Haverá ainda contação de histórias em volta da fogueira e o espetáculo de teatro “Fogo de 51”, dos alunos da escola Indígena de Barra Velha.
O festival contará com uma lojinha para comercialização dos livros, com direito a mesa de autógrafos. Está prevista homenagem ao escritor e desenhista Valdemy Sisnande, nativo de Caraíva. Aline Kayapó, Auritha Tabajara, Awoy Pataxó, Japira Pataxó, Marcia Kambeba, representantes da Rede Oxe, integrantes do Porto do Boi, como Tapy e Maria Coruja, da Aldeia Pará e do Coletivo Caraíva Sem Assédio são os demais convidados.
IDEALIZAÇÃO
Joanna Savaglia frequenta Caraíva, distrito de Porto Seguro, desde 1993 e sempre alimentou o desejo de realizar uma atividade cultural na região, um festival de literatura. A produtora chegou a inscrever o projeto em editais de leis de incentivo, mas se deu conta de que havia uma questão mais urgente: revitalizar a biblioteca local.
“Não fazia sentido fazer um evento literário em um lugar sem biblioteca e uma livraria”, observa Joanna. Depois de encerrar os trabalhos na biblioteca, a produtora retomou o projeto do festival e optou por ações voltadas à literatura infanto-juvenil indígena. “Crianças, adolescentes e adultos costumam participar juntos”.
O Festival Caju de Leitores tem patrocínio do Instituto Cultural Vale e da MMB Metals com incentivo da Lei Rouanet, Ministério da Cultura.
Mais informações pelo site www.cajuleitores.com.br
e pelo Instagram @cajuleitores.
