Sessão Abraccine estreia filme maranhense com debate na Sala Walter da Silveira
Nova etapa do Projeto chega a Salvador no dia 27/08 com a exibição, às 18h30, do inédito “Boi de Lágrimas”, de Frederico Machado. Após a sessão, debate com a participação da roteirista e crítica de cinema Amanda Aouad e do realizador e cineclubista Ramon Coutinho
Espaço de difusão do cinema brasileiro, a tradicional Sessão da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) está de volta a Salvador para mais uma etapa. Desta vez, a atração fica por conta do lançamento do longa-metragem maranhense “Boi de Lágrimas”, do realizador Frederico Machado, no dia 27 de agosto, às 18h30, na Sala Walter da Silveira. Como de costume, após a exibição um bate-papo vai analisar a obra com o público presente. A mediação do debate está a cargo da professora, roteirista e crítica de cinema filiada à Abraccine, Amanda Aouad. O convidado especial será o cineasta, produtor cultural e cineclubista Ramon Coutinho.
Produção independente
“Boi de Lágrimas” (Brasil, 2018, 60 minutos) é o quarto longa-metragem de Frederico Machado. O filme é uma obra com traços experimentais, que segundo o diretor, é um filme de horror sobre política e cultura popular. Contando a história de maneira livre e abstrata, o filme se concentra em cinco personagens: um homem que é tocador de pandeiro em um grupo de Bumba meu Boi da periferia de São Luís; sua filha, dançarina do Boi que resolve participar das manifestações políticas que ocorrem na cidade; o namorado da filha, que apenas é um escape para o desejo da filha; o amigo da família, que é um personagem que tem sentimentos ambíguos com todos os personagens que o circundam, e sua esposa, que grávida, aguardando com dor o nascimento de seu filho. Esses personagens, avulsos, são trabalhados apenas para servirem como propulsores de sentimentos e dualidades quanto ao momento social, político e cultural de hoje e sempre no Brasil. Mais do que a narrativa, o filme procura descobrir caminhos para linguagens. Feito como cinema de guerrilha, onde a equipe também trabalha como elenco, o filme se constrói sobre a égide da liberdade de criação.
Filmado durante apenas três dias, o filme teve custo de apenas 10 mil reais. A equipe e o elenco trabalharam de forma colaborativa. O filme pretende também em sua distribuição, se tornar uma ação inovadora. A estratégia é percorrer apenas festivais dos quais será convidado, não fazendo parte de nenhuma mostra competitiva. Além da distribuição no cinema ser restrita à Sessão Abbracine e, posteriormente, apenas com exibições em Cineclubes e Cinematecas.
O filme é, em suma, um exercício do fazer cinematográfico. “Boi de Lágrimas” está sendo descrito pela crítica como “um registro de nossa poderosa resistência poética”, fazendo ligações com o cinema de Glauber Rocha. Como atesta o crítico Marco Fialho, “enquanto Glauber era fixado em um conceito modernista das artes, Frederico Machado é mais antenado a uma visão de contemporaneidade. Glauber era afeito à alegoria, inclusive nos discursos de seus personagens, já Frederico prefere recursos mais sóbrios. Mas a similaridade entre os dois vem mais de uma proposta de criar um mosaico que instaura ou assume o caos como realidade”.
O quinto longa-metragem de Frederico Machado, “As Órbitas da Água”, está em fase de montagem e será lançado em 2019.
Serviço
SESSÃO ABRACCINE: “Boi de Lágrimas”, de Frederico Machado. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: 14 anos
QUANDO: 27 DE AGOSTO DE 2018
ONDE: SALA WALTER DA SILVEIRA (Rua General Labatut, nº 27 – subsolo da Biblioteca Pública dos Barris)
