Aldeia Nagô
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O canto de um lugar: conexão com a ancestralidade através da música

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Tauamim

Foi sentado na porta de sua casa, há sete anos, que Tauamim Kuango recebeu inspiração para compor sua primeira música. A partir daquele momento, passou a se comunicar com sua ancestralidade através das canções. O resultado desse encontro divino é o disco “O canto de um lugar”.

Com produção de Marcelo Santana, da produtora Aquahertz Beats, e do próprio Tauamim, que gravou percussão e vocais, o material apresenta oito faixas – sete das quais, compostas pelo artista – e conta com as participações do rapper Xarope MC (na música “Rei da nação”), da cantora australiana Maitê Inaê e de Ibrahim Project (na faixa “Céu cortante azul”)

 

Batidas eletrônicas, percussão e vozes que passeiam entre a doçura de uma conversa com uma entidade e a postura visceral de quem clama por respeito marcam as músicas, totalmente inspiradas pelas entidades cultuadas nas religiões de matriz africana, sobretudo o candomblé, da qual é adepto. Tauamim afirma que o álbum fala dos orixás de maneira poética. “O trabalho fala dos orixás de uma forma que as pessoas que são da religião e aquelas que não são, mas são simpatizantes, possam se identificar com as letras das músicas”, explica.

As canções retratam a vivência de Tauamim em terreiros de candomblé. O artista conta que se baseou numa observação dos cumprimentos, danças e outros movimentos das entidades. As referências para a construção da obra vêm do trabalho de artistas como o grupo Os Tincoãs, dos cantores e compositores Lazzo Matumbi e Mateus Aleluia, e do grupo de rap Opanijé, com o qual Tauamim já fez parceria em outra ocasião. “Eu considero esse trabalho como MPB, porque ele engloba um pouco de cada coisa que é feita aqui na Bahia, que é o grande berço da música popular brasileira”, ressalta Tauamim.

Tauamim Kuango

Nascido e criado na Rua do Curuzu, na Liberdade, considerado por muitos como o bairro mais negro de Salvador (cidade que é a mais negra fora da África), Tauamim Kuango faz parte do bloco afro Ilê Aiyê há mais de 20 anos e é percussionista da banda. Já realizou turnês pelas principais capitais do Brasil e por países da Europa, América do Sul e África. Também já dividiu palco com grandes nomes da música brasileira e mundial. Além disso, é vocalista e fundador da banda Afrodendê, que tem um trabalho inspirado na música de artistas negros da Bahia e mistura vários elementos ao samba-reggae.

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