Aldeia Nagô
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Coach de Marido Curioso. Por GalindoLuma

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Geraldo_Galindo_Luma

Conheci uma mulher casada, bem casada – sejamos honestos -, feliz com o único marido que teve na vida, sem histórias de arrependimento ou aventuras extraconjugais. Amava o homem, e ele a ela, dentro daquele universo conjugal onde tudo parecia previsível: jantares, Netflix, férias na praia e, claro, o sexo no modo “papai e mamãe”. Até que um dia, sem querer querendo, eu entrei na história — não como o vilão, mas como uma espécie de, digamos assim, tutor involuntário.

Foi assim: descobri, aos poucos, que aquela mulher de sorriso tranquilo e aliança reluzente tinha um apetite por novidades que nem ela mesma sabia existir. Cada posição nova que eu apresentava era como abrir uma porta num quarto que ela nem imaginava ter na própria casa. “Nossa, que delícia! Cada dia você me apresenta uma ou mais posições novas, ela comemorava, com os olhos brilhando de encanto, como uma aluna aplicada numa aula de geometria prática. E eu, é claro, era o professor entusiasmado.

O curioso é que ela não guardava segredo. Tudo que aprendia comigo, replicava com o marido em casa. “Hoje fizemos aquela do “cavalo invertido”, ela me contava, orgulhosa, na semana seguinte. Eu ria, imaginando o pobre coitado lá, surpreso com a esposa transformada numa espécie de ninfa pós-graduada. Até que veio o primeiro sinal de alerta:

— Ele tá desconfiando — ela disse um dia, mordiscando o lábio.

— Desconfiando do quê?

— De onde eu tô aprendendo essas coisas. Falei que era do Kama Sutra, mas ele não acreditou. Disse que eu tô muito espertinha…

Sorri, sugerindo que ela inventasse um curso online ou um clube do livro erótico. Ela riu também, mas a verdade é que o marido não criou caso. Apenas aceitou, com um misto de gratidão e perplexidade, a nova versão da esposa — agora uma exploradora de lençóis.

O problema veio depois, quando meu estoque de posições acabou. Não sou o Kama Sutra ambulante, afinal. E aí, numa tarde qualquer, ela me soltou:

— Agora ele tá reclamando que parei de inovar.

— Como assim?

— Ele gostou da fase das acrobacias. Quer mais.

Fiquei sem resposta. Ironia das ironias: o marido, que no começo estranhou a esposa “pesquisadora”, agora exigia atualizações como se ela fosse um aplicativo. E ela, coitada, olhava pra mim esperando sugestões que eu já não tinha.

No fim, a moral da história é simples: cuidado ao presentear alguém com conhecimento. Pode ser que o presente vire dívida — e o aluno, professor do próprio professor. Ou, no caso dela, daquele marido que, sem saber, virou fã anônimo das minhas aulas particulares, sem pagar nada, só se beneficiando do meu esforço generoso.

E assim eles seguiram felizes, com um casamento renovado pela curiosidade alheia. E eu? Bem, eu fiquei com a consciência tranquila, e orgulhoso, pois, sem querer, virei coach da vida sexual dos outros. Mas, convenhamos, não deixa de ser um legado.

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