Espetáculo “O Beijo no Asfalto”, da obra de Nelson Rodrigues, estreia, em Salvador, no Teatro FARESI, com produção do Centro Cultural Ensaio.
A obra de Nelson Rodrigues continua sendo uma das mais emblemáticas da cultura brasileira. A acidez e o olhar cirúrgico do dramaturgo, ao retratar a hipocrisia e o lado mais sombrio do ser humano, tornam seus textos uma inesgotável fonte de adaptações, recriações e encenações. Não por outro motivo, o Centro Cultural Ensaio traz a Salvador um dos textos fundamentais do célebre autor carioca: “O Beijo no Asfalto“, que narra a história de Arandir, homem que beija na boca, a pedido, um agonizante transeunte que acabou de ser atropelado na rua, e vê esse ato ganhar proporções inimagináveis nas mãos do repórter Amado Ribeiro e do delegado Cunha. A estreia da nova montagem acontece no Teatro FARESI, com sessões nos dias 19 e 20 de Setembro, Sexta-feira e Sábado, às 20:00. Os ingressos, custando entre R$30,00 e R$80,00, podem ser comprados pela plataforma Ingresso Digital, através do link: https://ingressodigital.com/evento/17458,17459/o-beijo-no-asfalto. Classificação: 14 anos.
A obra de Nelson Rodrigues conta com direção e encenação de Fábio Tavares (“Lenda das Yabás” [2012], “Fé” [2017], “Temporada Final” [2022], “Navalha na Carne” [2023], “Auto da Compadecida” [2023] e “Os Saltimbancos” [2024]). O espetáculo promete trazer algumas inovações na estrutura do seu roteiro, realçando e trazendo novas camadas aos fortes temas abordados na obra, como o sensacionalismo midiático, paixões reprimidas, corrupção e contundentes dilemas morais, que são a marca inconfundível do mestre carioca. Diante da propagação incontrolável da notícia do beijo, a vida pessoal, familiar e profissional de Arandir vira de ponta cabeça, revelando segredos e expondo o lado mais vil e humano das personagens.
A direção e o elenco, composto por Arthur Celis, Augusto Barbosa, Freitas Jr., Juliana Costa, Maria Braga, Muntaser Khalil e Natália Britto, trazem aos palcos uma poderosa e atemporal história sobre os meandros das relações familiares, imbuídos de paixões, e o poder da propagação midiática, que permanece atual e indispensável. O retrato da família tradicional brasileira ver-se-á despedaçado, expondo as feridas e a hipocrisia que permeiam os lares de hoje e de sempre.
