Luta por equidade racial ganha espaço na Festa do Bonfim
O Coletivo Agbara Dudu marcou presença mais uma vez no cortejo da Lavagem do Bonfim, nessa quinta-feira (15) em Salvador, reunindo militantes e apoiadores. Em Yorubá, Agbara Dudu significa “força negra”.
O objetivo do grupo é sensibilizar a sociedade para a importância da representatividade da população preta nos espaços de poder e refletir sobre as políticas públicas de reparação racial em todas as esferas de governo.
Esse ano as faixas e camisas exibidas no cortejo denunciaram o genocidio da população preta na Bahia e no Brasil e reivindicaram a equidade racial como condição para a Democracia no país.
Para a educadora Marlene Ferreira, que integra o coletivo desde a fundação em 2024, a manifestação popular na Lavagem do Bonfim inspira a resistência cultural e a luta política por equidade racial. ” A população preta aqui e em todo país sempre enfrentou com coragem o racismo e as tentativas de silenciamento. Até hoje a luta por liberdade e igualdade nos move, porisso ocupamos as ruas e todos os espaços por direitos” , afirmou.
Durante todo o ano, o coletivo promove mobilização social em comunidades, escolas e rodas de diálogo sobre temas como a representatividade do povo preto na política e no mercado de trabalho e o combate ao racismo. As atividades são realizadas em parceria com entidades sociais como a Sociedade Protetora dos Desvalidos pioneira no Brasil, fundada em 1832.
Em manifestação pública os organizadores do ato afirmaram : ” Marcamos presença na Lavagem do Bonfim como ato político, cultural e espiritual, afirmando o poder do povo preto nos espaços públicos e nas tradições populares de Salvador. Em caminhada-manifesto, o coletivo ocupou o território com corpos, vozes e símbolos ancestrais, transformando a festa em um espaço de denúncia, pertencimento e afirmação identitária, onde o axé se fez política, memória e resistência coletiva”.Nas redes sociais (@coletivoagbaradudu) o coletivo avaliou sua presença na festa . ” O Agbaradudu finaliza sua caminhada na Lavagem do Bonfim com o compromisso renovado de afirmar a presença, a força e a organização do povo preto nos espaços da cidade. Nossa participação foi gesto político, expressão de fé, memória viva e afirmação de existência coletiva. Seguimos adiante, fortalecidos pelo axé que nos move, conscientes de que ocupar, caminhar e manifestar também é construir futuros possíveis”.
