Pontapé inicial antifascista. Por Carlos Pronzato
Nada mais apropriado que um espaço global de resistência ao avanço atual da ultradireita no mundo, como foi a I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL ANTIFASCISTA, acontecida em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março. Com um saudoso cheirinho de nostalgia do I Fórum Social Mundial (2001), cujo slogan foi “por um outro mundo possível”, reuniu personalidades políticas, militantes, movimentos sociais progressistas e das esquerdas mundiais. Participei da programação com a exibição do filme “Memórias do 25 de abril, 50 anos da Revolução dos Cravos”, sobre a queda do fascismo português (1926-1974). 25 anos depois do FSM, na mesma capital gaúcha que sediou aquele marco de encontro da resistência global no início do século, num evento internacional de similares características, podemos dizer que outro mundo ainda é possível?
Pelo conteúdo e teor dos enfáticos discursos nos diversos e lotados auditórios e até nas atividades autogeridas, poderíamos dizer que sim, que há uma luz no fim do tenebroso túnel capitalista que neste preciso momento impõe ao planeta, mais uma vez, as suas costumeiras guerras de rapina.
Se nos atemos ao nosso espaço territorial americano, isto é, ao sul do Rio Bravo que nos separa dos EUA — o promotor das guerras junto com o sionismo genocida do Estado de Israel —, nestas duas décadas e meia houve avanços e retrocessos sociopolíticos, em termos estritamente institucionais, com algumas presidências progressistas atingindo o poder político, promovendo melhorias básicas no campo do assim denominado — e limitado — Estado de Direito (ou de Direito privado). A mobilização social espontânea ou organizada também teve — e tem — seu papel significativo, já que, sem este contundente alicerce popular, não haveria a ponta do iceberg da estrutura social, a presidência e o Parlamento.
O sistema capitalista, em franca decomposição, precisa da nossa tarefa como seres humanos, organizados ou não politicamente, habitantes de um planeta conflagrado por causa do capitalismo estadunidense (também europeu e asiático), para enterrá-lo definitivamente. E é justamente neste sentido que assistimos hoje ao espetáculo que pode colaborar com este fim: o de um país agredido, Irã, que não só resiste, senão que coloca em dúvida o sucesso norte-americano nesta sua mais recente acometida da sua facínora ultradireita.
Será o país persa, homenageando a memória da sua Revolução de 1979, quando destituiu a monarquia autocrática de Reza Pahlavi, com forte apoio dos EUA durante 26 anos, e constituiu a República Islâmica, o grito de vitória da humanidade contra o fascismo dos Estados Unidos e seus aliados? Se depender de tudo que foi dito nesta conferência, o pontapé inicial já foi dado.
Carlos Pronzato
Cineasta documentarista, poeta, escritor
Membro do IGHB (Instituto Geográfico e Histórico da Bahia)
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