Aldeia Nagô
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Filmes sobre questões dos povos indígenas na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema

9 - 12 minutos de leituraModo Leitura

evento traz 20 títulos ligados às temáticas dos povos indígenas

* “O Urso Inconveniente”, grande prêmio do júri para documentários no Festival de Sundance, é atração da cerimônia de abertura

* brasileiro “Arquivo Vivo”, de Vincent Carelli, é exibido tem pré-estreia mundial

* destaque da programação histórica, “Nanook, o Esquimó”, de 1922, é considerado clássico do cinema documentário

* programação acontece de 28/05 a 10/06, com entrada franca

* sessões acontecem no Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e em 28 espaços do Circuito Spcine

* plataformas parceiras Itaú Cultural Play e Spcine Play disponibilizam parte da programação após o festival

* patrocinado pelo Itaú, Spcine e White Martins, com apoio Veja, festival é uma realização da OSC Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal

Com um total de 104 filmes, a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema destaca 20 obras que abordam questões relacionadas aos povos indígenas brasileiros e de outros países.

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival acontece de 28 de maio a 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita. 

A atração de abertura do evento, em 27/05, é “O Urso Inconveniente”, uma coprodução entre os EUA e o Reino Unido inédita no Brasil.  O longa causou forte impacto no Festival de Sundance deste ano, quando venceu o grande prêmio do júri para documentários. Dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, o filme acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar, que se aproxima de áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem.

Nesta edição da Mostra Ecofalante de Cinema, a programação histórica tem como grande destaque “Nanook, o Esquimó”, produção de 1922 considerada precursora do documentário como gênero cinematográfico. Para o filme, o diretor Robert J. Flaherty acompanhou ao longo de todo um ano a vida de Nanook e sua família, integrantes dos inuítes, povos indígenas que habitam as regiões árticas do Canadá, Groenlândia e Alasca.

Ainda inédito no Brasil, o peruano “Runa Simi” registra a luta de um dublador que tenta convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa. Pelo filme, o cineasta Augusto Zegarra foi eleito como o melhor diretor de documentário estreante no Festival de Tribeca, nos Estados Unidos.  

Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no festival Cinéma du Réel, na França, “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro” acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical na fronteira entre o Suriname e a Guiana Francesa. Ele navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno enquanto entrega suprimentos para comunidades remotas, à medida que as mudanças ambientais e a mineração de ouro ameaçam seu modo de vida. Os diretores Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander mostram no filme que as mudanças climáticas e a mineração de ouro corroem constantemente as fontes de vida da população local: a terra, a floresta e o rio. 

Uma coprodução Espanha/França/Bélgica, “O Silêncio da Terra” focaliza o assassinato de defensores ambientais latino-americanos. Entre os focalizados está o brasileiro Paulo Paulino Guajajara (1993-2019), ativista ambiental indígena e defensor da terra. Ele foi morto por madeireiros ilegais em uma emboscada dentro da Araribóia, no Maranhão. O diretor Frank Gutiérrez define o documentário como “um ato de reparação” que busca “não apenas denunciar, mas também proteger”. “O que é tornado visível é mais difícil de apagar”, afirma ele.

Em Territórios e Memórias, a mostra competitiva brasileira do festival, estão cinco longas-metragens relacionados a temática. Obra inédita em pré-estreia mundial, “Arquivo Vivo”, o mais recente longa-metragem dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara”, “Martírio” e “Adeus, Capitão”), revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual ele é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. 

Dirigido por Alice Villela e Hidalgo Romero, “Até Onde a Vista Alcança” focaliza três gerações de indígenas Kariri-Xocó em um road movie político e espiritual. Munidos de câmeras, drones, cachimbos, cocares e maracas, os personagens percorrem os marcos geográficos de seu território

Obra que acompanha a candidatura de Almir Suruí a deputado federal e a atuação de sua filha, Txai Suruí, unindo a vivência na floresta às articulações políticas, “Minha Terra Estrangeira” é assinado por João Moreira Salles (de “Santiago” e “No Intenso Agora”) em parceria com Louise Botkay e com o Coletivo Lakapoy, formado por cineastas indígenas. A trama retrata a floresta amazônica sob ataque e a luta dos líderes indígenas contra o desmatamento e o cenário político de 2022.

Animação brasileira feita em coprodução com o Peru, o longa “Nimuendajú”, de Tania Anaya, narra a história de Curt Unckel, alemão de nascimento que se tornou um dos maiores cientistas sociais do Brasil. Por 40 anos, ele conviveu com diferentes povos indígenas, se dedicando a registrar línguas, mitos, rituais e sonoridades e acabou tomando posicionamento firme contra a violência de latifundiários, do governo e da opinião pública que ameaçavam os povos que estudava. 

“O Jardim de Maria”, longa de estreia da diretora Jade Rainho, acompanha Maria, uma matriarca Guarani Mbya, na luta para replantar um território ancestral na periferia de São Paulo. O filme, que destaca a resistência indígena na Terra Indígena do Jaraguá, foi exibido com repercussão no festival DOC NYC, em Nova York, e mereceu elogios da crítica por seu olhar sensível para registrar costumes, espiritualidade e modos de vida.

São também cinco os curtas-metragens presentes na competição Territórios e Memórias. Um dos destaques é “Replikka”, recém-premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais prestigiosos do mundo. Com o prêmio, a produção está qualificada para concorrer ao Oscar de melhor documentário de curta-metragem em 2027. Dirigido pelo cineasta indígena Piratá Waurá (do território do Xingu) e pela premiada diretora Heloisa Passos, o filme retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia.

Cenas de impacto estão presentes em “Floresta Cicatriz”, de Lian Gaia, um registro da Aldeia Marakanã, um território indígena no Rio de Janeiro. Através dos sonhos e da trajetória de uma jovem indígena em busca de reconexão com sua identidade, o curta destaca a resistência, memória e ancestralidade dos povos indígenas no contexto urbano. 

Animação dirigida por Cassiano Maxakali e Charles Bicalho, o curta “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas” foi realizada a partir de desenhos de moradores de uma aldeia indígena. O enredo aborda uma narrativa mitológica em que homens saem para caçar e não retornam, levando mulheres a trocarem seus filhos. Quando os homens voltam, cometem um ato de “amor bruto” (vingança) ao cegar os meninos.

“Lomba do Pinheiro”, de Iuri Minfroy, apresenta o cotidiano de integrantes da aldeia kaingang Fag Nhin, situada na zona leste de Porto Alegre, por meio de suas rotinas. O filme mostra o artesanato ali produzido e o treinamento de um time de futebol feminino, passando pela inserção da tecnologia na cultura indígena e pelo desejo de documentar a história da aldeia. Sua narrativa inventiva ganhou elogios da crítica especializada.

“Maira Porongyta – O Aviso do Céu” é uma obra de ficção que narra um aviso espiritual de Itaarió, criador do mundo Kaiabi, sobre o futuro do planeta e mudanças climáticas. Produzido pelo coletivo Ema’ē Jeree em Mato Grosso, o filme destaca o dinamismo espiritual e a visão ancestral de Kaiabi. Dirigido por Kujãesage Kaiabi, o curta venceu o Prêmio Cardume no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Já na competição Concurso Curta Ecofalante, exclusiva para produções realizados por estudantes do ensino superior, técnico, livre ou médio, está “Além do Marco: Direitos Indígenas em Jogo”, de Cássia Fernandes / FIAM-FAAM, acompanha a luta do povo Guarani pela defesa de seu território no Jaraguá, o menor pedaço de terra indígena demarcada no Brasil, localizado no município de São Paulo, enfrentando o impacto do marco temporal e a expansão urbana. 

Outros curtas-metragens selecionados para a sessão Concurso Curta Ecofalante são:

* “Da Aldeia à Universidade”, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo / Universidade Federal do Tocantins, sobre as experiências e conflitos culturais dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao saírem da aldeia em busca de formação universitária.

* “Mares de Sabedoria”, dos alunos do Clube Mares de Sabedoria / Universidade Federal de Pernambuco, no qual estudantes de Porto de Galinhas (PE) oriundos de famílias da pesca artesanal participam de um processo de realização audiovisual no qual passam a narrar suas tradições familiares.

* “Mestrinhos”, de Lwidge de Oliveira / Universidade Federal de Sergipe, sobre os Mestres da Cultura sergipana, celebrados por meio de iniciativas como o Encontro de Mestres e Amigos, promovendo o seu reconhecimento.

* “Um Pé de Caju”, de Pablo Monteiro e Cadu Marques / Universidade Federal do Maranhão, um retrato da importância da educação em uma comunidade quilombola do município de maranhense de Alcântara para a garantia da preservação de seus valores históricos.

Além das exibições de filmes, estão também agendados na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema encontros, bate-papos com realizadores, oficinas e uma masterclass. Seleções de filmes ficam disponibilizadas em duas plataformas de streaming parceiras, ambas com acesso gratuito: Itaú Cultural Play e Spcine Play. 

Mais detalhes sobre a programação podem ser acessados através dos endereços https://ecofalante.org.br/ e https://www.instagram.com/mostraecofalante/.  

A Mostra Ecofalante de Cinema é viabilizada por meio da Lei Rouanet e do ProAC – ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. O evento tem patrocínio do Itaú, White Martins e da Spcine e apoio da VEJA. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.

“Esta iniciativa é realizada com recursos do ProAC, o Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Neste projeto, foram adotadas medidas de democratização de acesso, tais como:

– A mostra acontece gratuitamente em sua totalidade. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição.

– Parte dos ingressos podem ser disponibilizados para os patrocinadores distribuírem aos seus funcionários, parte aos parceiros de divulgação para distribuírem ao público do seu veículo e parte das sessões serão realizadas fora do circuito comercial de cinemas em São Paulo em parceria com o Circuito Spcine (que engloba 20 espaços culturais) e com as Fábricas de Cultura.

– Os debates serão gratuitos. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição.

– Os debates serão gravados e disponibilizados no canal do Youtube da Mostra Ecofalante que pode ser acessado através do link: https://www.youtube.com/mostraecofalante.

O fortalecimento do acesso aos bens e serviços culturais, realizados com recursos públicos e por meio de políticas de incentivo, é um compromisso do Governo do Estado de São Paulo com o povo paulista.”

serviço

15ª Mostra Ecofalante de Cinema

www.ecofalante.org.br 

de 28 de maio a 10 de junho de 2026

entrada franca

locais

Reserva Cultural – avenida Paulista 900, Bela Vista – São Paulo

Sala Paulo Emílio / Centro Cultural São Paulo – rua Vergueiro 1000, Paraíso – São Paulo

e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine

evento viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura e do ProAc ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas

patrocínio: Itaú, Spcine e White Martins

apoio: VEJA

apoio institucional: Embaixada da França no Brasil, Institut Français e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

produção: Doc & Outras Coisas

coprodução: Química Cultural

realização: Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.

redes sociais

www.instagram.com/mostraecofalante 

www.facebook.com/mostraecofalante 

www.twitter.com/mostraeco 

www.youtube.com/mostraecofalante 

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