Teatro Vila Velha, CEM Palcos e Teatro da Garagem realizam em parceria o projeto “conexão além-mar: Brasil & Portugal”
A programação começa esta semana em Portugal com novas apresentações do espetáculo “A Baba do Lobo”, em Lisboa, e lançamento do livro da peça, que tem como protagonistas as dançarinas/atrizes Cristina Castro e Leonor Keil e a encenação de Marcio Meirelles e Graeme Pulleyn
O Teatro Vila Velha volta a cruzar fronteiras ultramarinas para dar continuidade ao seu fluxo de cooperação internacional com países lusófonos, fortalecendo uma trajetória colaborativa, artística e cultural, que tem suas origens ainda na década de 1990. Dessa vez, através do “conexão além-mar: Brasil & Portugal”, inicia mais um ciclo extenso (2026 a 2028) que inclui intercâmbios de formação, processos criativos e circulação de espetáculos; começando no final deste mês de maio com o lançamento do livro da peça “A Baba do Lobo”, no dia 28/05, e apresentações dessa encenação nos dias 29 e 30/05, ambos no Teatro Taborda, em Lisboa. A montagem, protagonizada pelas dançarinas/atrizes Cristina Castro e Leonor Keil, também é fruto de um processo em cocriação, entre o Vila e a produtora portuguesa CEM Palcos, com direção de Marcio Meirelles e Graeme Pulleyn.
Daylight Project (Portugal)
Nessa travessia, além da artista, diretora e curadora Cristina Castro, embarcam também no mês de julho as atrizes da Cia. Teatro do Novos: Clara Torres e Meniky Marla, nessa vertente de formação para colaboradores do Vila, por meio da residência Daylight Project, programada para acontecer de 04 a 27/07. Com direção artística do encenador, dramaturgo, professor e cenógrafo Carlos J. Pessoa, a atividade é uma iniciativa bienal do Teatro da Garagem, que constitui em 2026 uma das suas iniciativas formativas e criativas mais estruturantes, assumindo-se como um programa internacional de residência artística destinado a jovens criadores recém-formados — atores, encenadores, performers, dramaturgos e artistas do corpo e da palavra. O projeto propõe um percurso intensivo de investigação e criação que articula formação especializada, experiência territorial e produção artística coletiva, promovendo o desenvolvimento de práticas contemporâneas e a consolidação de percursos profissionais emergentes.
Circulação Portugal no Brasil
Nesse intenso manancial de cooperações artísticas entre o Teatro Vila Velha (Salvador/Brasil), CEM Palcos (Viseu/Portugal) e Teatro da Garagem (Lisboa/Portugal), o “conexão além-mar: Brasil & Portugal” realiza ainda uma circulação de espetáculos portugueses em Salvador. Muito em breve as datas, horários e locais serão divulgados.
+ SOBRE A Baba do Lobo
A Baba do Lobo estreou em junho de 2025, integrando a programação do projeto O Vila Ocupa o MAB, e no mesmo mês e ano seguiu em turnê internacional, percorrendo nove cidades portuguesas: Viseu, Coimbra, Évora, Porto, Moimenta da Beira, Sátão, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Vouzela. O espetáculo parte de uma abordagem poética, histórica e intercultural das sequelas da exploração humana e natural desse minério nas cidades portuguesas, entrelaçando diversos paralelos brasileiros e mundiais para debater questões como as catástrofes ambientais, a poluição, os impactos da extração de recursos naturais, as mazelas do neoliberalismo – e das guerras criadas em consequência – entre outros assuntos urgentes: a exemplo do impacto histórico da exploração de volfrâmio em Viseu (nos anos 1940), do dilema atual da mineração de lítio e dos desastres ambientais de Mariana, no Brasil.
Com a atriz, dançarina e coreógrafa Cristina Castro (BR) e a atriz e dançarina Leonor Keil (PT) e encenação do diretor anglo-português Graeme Pulleyn (Portugal) e de Márcio Meirelles (Brasil), o espetáculo se projeta através das memórias de duas personagens viúvas que perderam seus companheiros, precocemente na extração de minérios. Entrecruzando vídeo, música e testemunhos das comunidades afetadas, “A Baba do Lobo” convida o público a refletir sobre um futuro mais justo e mais sustentável.
O texto colagem de Pulleyn e Meirelles, foi escrito a partir dos textos base “A Idade dos Metais”, da dramaturga brasileira Mônica Santana, e “Os Filhos de Quarta Feira” do escritor português Sandro William Junqueira, criados em residência em Viseu/Portugal, a partir de pesquisas e testemunhos de sobreviventes das minas do volfrâmio, recolhidos nos municípios do distrito de Viseu.
“A Baba do Lobo” é uma cocriação entre a CEM Palcos e o Teatro Vila Velha e conta com o financiamento da Direção Geral das Artes (Ministério da Cultura PT) e do Município de Viseu, através do programa Eixo Cultura. É também uma coprodução com os municípios de Moimenta da Beira, Sátão, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Vouzela. E faz parte do projeto “O Vila Ocupa a Cidade”.
Para ficar atualizado e bem informado sobre todos os eventos e projetos, acesse o instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades da programação.
O Teatro Vila Velha conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.
FICHA TÉCNICA:
Encenação e texto: Graeme Pulleyn (PT) e Marcio Meirelles (BR)
Elenco: Leonor Keil (PT) e Cristina Castro (BR)
Textos base: Sandro William Junqueira (PT) e Mônica Santana (BR)
Música: Gonçalo Alegre (PT) e João Milet Meirelles (BR)
Vídeo: Leandro Valente (PT) e Rafael Grilo (BR)
Desenho de Luz: José Alves (PT) e Marcos Dede (BR)
Cenário: Erick Saboya (BR)
Figurino: Marcio Meirelles (BR)
Direção de Produção: Guida Rolo (PT)
Coordenação de Produção: Clara Torres (BR)
Assistência de Produção: Filipa Fróis, Hugo Carvalho, Laura Tavares (PT)
O HISTÓRICO COCRIATIVO
A primeira vez que o encenador Marcio Meirelles cruzou o Atlântico para montar um espetáculo em Portugal foi em 2013. Depois, mais dois em 2015, outro em 2023 e agora mais este. Além disso, nesse histórico de intercâmbio luso-afro-brasileiro, duas outras montagens: uma em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe, tendo como parceiros do Teatro Vila Velha a Cena Lusófona, o Teatro Viriato e o Centro Cultural Português do Mindelo e, nos três últimos anos, a Cem Palcos. Entre criações e atividades de formação orientadas pelo artista nesses países, inclui-se também Angola e Moçambique. Relembrando ainda que em 2023 a CEM Palcos desenvolveu o projeto “Esse Caminho Longe” com artistas de São Tomé e Príncipe e Brasil; com a criação do espetáculo partilhada com Márcio Meirelles e Cristina Castro.
+ SOBRE A RESIDÊNCIA DAYLIGHT PROJECT do Teatro da Garagem
Daylight Project do Teatro da Garagem é um projeto de investigação prática na área da criação teatral. Dirigido a alunos de cursos superiores de teatro e a profissionais da área, o projeto desenvolve-se em torno de atividades de campo e laboratórios de aprofundamento crítico e materialização de objetos cênicos. Neste ano zero, o projeto conta com participantes do sul da Europa, nomeadamente da Turquia, Grécia, Espanha e Portugal. No trabalho a desenvolver, centrado na prática teatral, são oferecidos percursos em torno da criação artística tendo como ponto de partida um conjunto de experiências imersivas – atividades de campo.
Visando o desenvolvimento da consciência de criação, para que, gradualmente, os intervenientes reconheçam e consolidem as suas próprias estratégias e metodologias de trabalho. A realização de laboratórios práticos visa fornecer aos participantes as ferramentas de concretização cênica, ao nível técnico e logístico (luzes, dança, motivação, composição de personagens, presença cênica, música, multimídia, texto clássico), que lhes permitam o aprofundamento das competências profissionais associadas às artes de palco. A dimensão internacional do projeto favorece uma dinâmica de partilha de diferentes experiências culturais, alicerçadas num propósito comum de interconhecimento, colaboração e mobilidade.
SOBRE O TEATRO VILA VELHA
Com mais de 60 anos de história (completados em 31 de julho de 2024), o Teatro Vila Velha é um dos mais importantes e inovadores espaços de difusão artística do Brasil. Fundado em 1964 pela Sociedade Teatro dos Novos, está localizado no Centro de Salvador BA. Tem como missão fomentar a criação artística coletiva e comprometida com a reflexão e o respeito à diversidade. O Vila mantém intensa programação presencial e virtual, tem seus próprios programas de formação artística – a universidade LIVRE, que já revelou grandes nomes da arte nacional, e o Pé de Feijão que inicia crianças, adolescentes e professores no universo das artes da cena – e recebe espetáculos e artistas do mundo inteiro. Atualmente, o Vila começa a passar por uma reforma financiada pela Prefeitura de Salvador. Por essa razão, deu início ao programa ‘O Vila Ocupa a Cidade’, uma série de ações, criações e colaborações que mantém o Teatro Vila Velha atuante e presente, ao longo de 2024 a 2026, em diversos outros teatros e espaços culturais. A marca de um espaço sempre em experimentação, formação artística e constante diálogo com a sociedade.
SOBRE A CEM PALCOS
A CEM Palcos é uma estrutura de criação e programação artística, sediada em Viseu, Portugal. Três eixos essenciais dão voz, corpo e movimento à sua prática artística. Promove novas dramaturgias, contemporâneas e relevantes, com atenção ao território de origem, mas num diálogo constante entre o local e o universal. Defende que a criação performativa não tem de ficar confinada aos palcos tradicionais e aposta na experimentação de novas formas de criação e apresentação, levando os espetáculos a espaços e contextos não convencionais, em estreita relação com as suas comunidades. Acredita que, nas artes, há lugar para todos — não apenas como espectadores, mas também como participantes e criadores.
Ao longo do seu percurso, a CEM Palcos consolidou-se como uma estrutura de referência, com projetos e espetáculos marcantes, como: Esse Caminho Longe (2023) com artistas de São Tomé, Portugal e Brasil; Facas e Flores (2024) com artistas de França, Argentina e Portugal; NOVe (2020 – 2025) programa internacional de novas dramaturgias; Diálogos (2020 – 2025) programa de residências artísticas em meio rural; Grande Colheita (2023) espetáculo inclusivo com jovens em risco de exclusão. A experiência internacional, evidenciada por parcerias e criações em São Tomé e Príncipe e Brasil, tem desempenhado um papel fundamental na evolução da sua abordagem artística e comunitária, ampliando possibilidades de trabalho em rede e fortalecendo práticas de inclusão, experimentação e diálogo intercultural.
SOBRE CRISTINA CASTRO
Artista das artes cênicas, coreógrafa e gestora cultural. Premiada pela Unesco com o Prize for the Promotion of the Arts. Diretora e curadora artística do Vivadança Festival Internacional. Colabora com o diretor teatral Marcio Meirelles desde 1996, em peças teatrais, na área de direção de movimento, coreografia e atuando também em algumas delas como atriz. Formada em Dança pela Universidade Federal da Bahia. Como dançarina profissional trabalhou em grupos independentes e na companhia oficial do Estado da Bahia. Fundou no Teatro Vila Velha a Cia. Viladança, criando e circulando seu repertório com espetáculos de dança contemporânea no Brasil e países da Europa e da América do Sul. Participou como diretora convidada do Programme Commun 2019 – Swiss Arts Council Pro Helvetia, em Lausanne/Suíça e do International Visitors Programme of the Cultural Funding Organisation NRW KULTsekretariat, em cidades da Alemanha. A convite do Instituto Francês e Embaixada da França integrou a equipe de curadores internacionais no Focus Danse et Bretagne – França. Em 2023 colaborou com a Cem palcos na movimentação do espetáculo “Esse Caminho Longe” dos diretores Graeme Pulleyn e Marcio Meirelles, na cidade de Viseu – Portugal.
SOBRE LEONOR KEIL
Nasceu em Ponta Delgada, Açores, em 1973. Iniciou os seus estudos na Escola de Dança de Maputo (Moçambique) Concluiu o curso da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa. Frequentou a licenciatura em dança na Escola Superior de Dança de Lisboa. Como intérprete trabalha entre dança, teatro, cinema e ópera com vários criadores nacionais e internacionais Participa no programa Vif du Sujet do Festival d’Avignon com o coreógrafo Javier de Frutos Cria as peças Miraginava, D.O.L, Bianca Branca, Um esqueleto de baleia no sótão dos avós , 0 fio de Medusa, Histórias de além terra , Cap.I – vídeo fulldome; Saltar das Paredes, Elo e Novelo, Fiando e Confiando, Manteiga de amendoim. Como co criadora em várias obras de dança, teatro, ópera, destaca nomes como, António Durães – Quarteto Contratempus, Tiago Cutileiro, Sónia Batista, Sara Carinhas, Tiago Barbosa, Maria João Gil, Marta Lapa, Francisco Campos, Joana Providência, John Mowat. Fundadora da escola de dança Lugar Presente, diretora artística do Festival Lugar Futuro e da Companhia Presente em Viseu. Membro fundador da associação cultural Ganso Manso.
SOBRE MARCIO MEIRELLES
Fundador do grupo Avelãz e Avestruz (1976-1989), criador e diretor do Espaço Cultural A Fábrica (1982) e diretor de um dos maiores centros culturais do Brasil – o Teatro Castro Alves (1987-1991). Em 1990 criou juntamente com Chica Carelli o Bando do Teatro Olodum. Revitalizou o Teatro Vila Velha e assumiu a direção artística em 1994. Entre seus trabalhos no teatro, destacam-se: o espetáculo “Ó Pai Ó!”, com o Bando de Teatro Olodum; “Candaces – A Reconstrução do Fogo” (2003), do grupo carioca Companhia dos Comuns, que virou samba enredo do Salgueiro no carnaval de 2007. Também co-dirigiu, com Werner Herzog, o espetáculo “Sonhos de uma Noite de Verão”, no Rio de Janeiro, para a ECO 92. Dirigiu, para o Bando, nova versão da comédia de Shakespeare premiada como melhor espetáculo pelo Prêmio Braskem, em 2006. Foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia (2007-2010) e, em junho de 2011, assumiu novamente a direção do Teatro Vila Velha, onde criou em 2013 a Universidade Livre de Teatro Vila Velha. Em 2019, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia. Dirigiu mais de 100 espetáculos, entre realizações no Brasil, na Europa e na África. Em 2022, marca os seus 50 anos de teatro com realizações artísticas em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.
SOBRE GRAEME PULLEYN
Graeme Pulleyn nasceu no norte de Inglaterra em 1967. Licenciou-se em Estudos Teatrais e Artes Dramáticas pela Universidade de Warwick e mudou-se para Portugal em 1990. Co-fundou e foi diretor artístico do Teatro do Montemuro entre 1990 e 2004. Encenador, ator, tradutor e gestor cultural vive e trabalha a partir de Viseu desde 2004. É diretor artístico da CEM Palcos – estrutura de criação e programação artística com uma forte vocação para as novas dramaturgias. Alguns projetos de criação recentes são: VOLTA A EUROPA de Lígia Soares – público infantil (2024); SARRADO GRANDE de Peter Cann – teatro jovem (2024); ESSE CAMINHO LONGE a partir de textos de Olinda Beja e Lígia Soares – projeto internacional Brasil/Portugal/São Tomé e Príncipe (2023); A GRANDE COLHEITA – espectáculo final do projeto de artes e inclusão HORTA DE DEMÉTER (2021-2023); TEIAS E ODISSEIAS – a partir da odisseia de Homero – espectáculo infantil/famílias (Teatro Mais Pequeno do Mundo 2023) JULGAMENTO E MORTE DO GALO – espectáculo comunitário em grande escala (Guarda 2020 e 2023; ) MACBETH de William Shakespeare; CRUZETA de Abel Neves – espetáculo com participação de mulheres 65 anos+ (2022); A VERDADE TEM TRÊS BOCAS – de Hanneke Paauwe (2022).
