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O futuro não é um deepfake, mas tem gente trabalhando para que seja. Por Jéssica Balbino

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Há algumas semanas, escrevi uma coluna perguntando se Daniel Vorcaro seria o Epstein brasileiro. Não porque eu tenha uma bola de cristal, embora, diante dos acontecimentos, esteja considerando seriamente incluir serviços de vidência no meu portfólio de MEI.

Na ocasião, contei que havia insistido para que a FLIPEI – Festa Literária Pirata das Editoras Independentes – realizasse uma mesa sobre bilionários e violência masculina, colocando em discussão os casos de Jeffrey Epstein, Samuel Klein e Daniel Vorcaro.

Há algumas semanas, escrevi uma coluna perguntando se Daniel Vorcaro seria o Epstein brasileiro. Não porque eu tenha uma bola de cristal, embora, diante dos acontecimentos, esteja considerando seriamente incluir serviços de vidência no meu portfólio de MEI.

Na ocasião, contei que havia insistido para que a FLIPEI – Festa Literária Pirata das Editoras Independentes – realizasse uma mesa sobre bilionários e violência masculina, colocando em discussão os casos de Jeffrey Epstein, Samuel Klein e Daniel Vorcaro.

A mesa aconteceu. A coluna saiu. Eu segui trabalhando, porque, infelizmente, a capacidade de identificar o apocalipse não paga os boletos.

Hoje, 13 de outubro, acordei com uma reportagem que fez minha coluna de setembro parecer um aviso escrito em letras garrafais na porta de um prédio em chamas.

Uma investigação publicada pelo UOL trouxe novos elementos sobre a rede de prostituição e exploração de mulheres associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nas mensagens reveladas, aparecem termos como “escravas” e “creche” para designar mulheres, entre elas estrangeiras em situação de vulnerabilidade.

Há também uma referência a um “Kassio”, cuja possível identificação com o ministro Kassio Nunes Marques precisa ser esclarecida pelas investigações. Eu gostaria muito de dizer que fiquei surpresa.

A verdade é que estou cansada de viver num país onde o absurdo não chega como exceção, mas bate ponto, recebe auxílio-moradia, frequenta os salões do poder e, quando dá tempo, ainda concede entrevista defendendo a família brasileira.

O que me perturba não é apenas o conteúdo das mensagens e sim a naturalidade com que determinados homens parecem compreender mulheres como objetos disponíveis para a circulação de favores.

Na coluna anterior, eu perguntava para que servia aquela rede, já que o escândalo nunca esteve simplesmente nas festas, nos jatinhos, nos homens ricos ou nas mulheres que apareciam nas fotografias. A questão era o que se produzia politicamente naqueles encontros. Intimidade? Influência? Silêncio? Acesso? Favores? Tráfico de mulheres?

A investigação precisa responder.

Antes que alguém resolva me acusar de estar fazendo uma cruzada moral contra a vida sexual dos bilionários, aviso: não tenho o menor interesse em fiscalizar quem transa com quem. Meu problema começa quando corpos de mulheres aparecem tratados como moeda de negociação entre homens poderosos. Aí não estamos falando de liberdade sexual, mas de poder.

É curioso, para dizer o mínimo, que tudo isso venha à tona justamente quando o país atravessa uma eleição em que a própria definição de verdade está em disputa.

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