FLICA 2026 reúne André Carvalhal, Dora Freind e Paulo Moreira para debater arte e criatividade na era da IA
De 5 a 8 de novembro, programação reúne escritores, artistas e influenciadores digitais para pensar os limites e as transformações geradas pelo avanço da Inteligência Artificial
A inteligência artificial já é uma realidade para quem cria, escreve, desenha e compartilha ideias. Diante do seu avanço, surgem novas possibilidades para os artistas, mas também novas dúvidas sobre autoria, identidade e sobre o que torna uma criação verdadeiramente autêntica. Essas questões irão atravessar a Geração FLICA, espaço voltado à juventude dentro da Festa Literária Internacional de Cachoeira, entre 5 e 8 de novembro, que este ano tem como objetivo discutir os caminhos da produção de conteúdo em tempos de IA.
“Pensar essa curadoria foi justamente misturar linguagens e referências, que é uma característica muito forte da juventude. Trouxe nomes da literatura, ilustração, humor e criação de conteúdo que estão vivendo esse momento da IA na prática. A ideia é colocar diferentes olhares em diálogo e mostrar que a inteligência artificial está atravessando as mais diversas formas de criação, provocando curiosidade, questionamentos e novas oportunidades”, comenta o curador Deco Lipe.
“(IA)gora, para onde vai a nossa imaginação?” é a pergunta que vai guiar a mesa de abertura do espaço, localizado no Cine Theatro Cachoeirano, na quinta-feira (5), às 14h. A conversa terá participação de André Carvalhal, escritor carioca, finalista do prêmio Jabuti e diretor criativo especialista em comportamento, branding e design sustentável; Sandra Liss, poeta, escritora, doutora em Literatura e Cultura pela UFBA e professora de Literatura da UNEB; e mediação de Breno Fernandes, escritor e coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da UNEB, em Alagoinhas, onde pesquisa o impacto da IA na cultura.
Para André Carvalhal, é importante estabelecer um equilíbrio e ampliar o repertório para além do que os algoritmos oferecem. “A gente precisa exercitar aquela nossa busca despretensiosa, o acaso, aquilo que nos surpreende, aquilo que a gente descobre. Todas essas coisas causam um efeito diferente na gente do que é encontrado através do algoritmo. Quanto mais a gente terceirizar o nosso pensamento, a nossa criação, imaginação e criatividade, sem a gente treinar e praticar o nosso pensamento, principalmente o autoconhecimento, a gente tem uma possibilidade muito grande de se perder e de perder a nossa identidade ao longo desse processo”, pontua.
O que a IA não consegue reproduzir – Um dos pontos altos do segundo dia da Geração FLICA será a mesa “Histórias que só a gente conta”, na sexta-feira (6), às 16h, que vai abrir um diálogo sobre a potência criativa em suas múltiplas formas e o que continua sendo insubstituível na experiência de um escritor ao contar uma história. O encontro reúne a escritora e atriz carioca Dora Freind e o artesão, artista visual, cordelista, arte-educador e professor baiano Matheus Chão de Palha, com mediação da educadora Catarina Neris.
Com lançamento do livro “As vacas não me olham mais na cara”, Dora Freind irá compartilhar com os visitantes da FLICA o processo de construção da voz narrativa de seu novo romance, que parte da fronteira entre humano e animal, para fazer um paralelo e pensar a relação entre humano e robô. “Eu vivi um processo muito selvagem, instintivo e intuitivo para criar uma personagem que vai se gentificando ao longo da obra, o que é totalmente o oposto do que a IA faz, um processo vivo, quente e intenso. Pretendo falar sobre essa forma tão humana de contar uma história, que escapa à lógica genérica da inteligência artificial”, explica.
Dora revela ainda que, atualmente, um dos maiores desafios de criar uma conexão verdadeira com o público está em fazer com que uma história permaneça em meio ao excesso de estímulos e à velocidade com que os conteúdos são consumidos. “No meio de tantas coisas diferentes ao mesmo tempo, vídeos e áudios escutados na velocidade dois, nosso desafio é construir algo que não seja tão efêmero como esse momento fragmentado que estamos vivendo. Como construir algo que fica e não se dissipa no meio de um mar gigante de informações?”, questiona.
Criatividade que não cabe no algoritmo – O futuro da arte também está em jogo diante da evolução da inteligência artificial. É com essa provocação que a Geração FLICA promove, no sábado (7), às 9h, a mesa “Traço, quadro e ideia: Ilustração e HQ na era da IA”, reunindo ilustradores e quadrinistas para discutir as mudanças na criação, na identidade e nos caminhos profissionais de quem trabalha no meio artístico.
Participam o ilustrador paraibano Paulo Moreira, vencedor de três categorias do 42º Troféu Angelo Agostini e conhecido pelas suas tirinhas de humor nas redes sociais; a ilustradora baiana Isabella Ismile, criadora da página @eipretinha e da personagem Maflô, que traz de forma leve temas como autoestima e identidade negra; e o ilustrador baiano Breu, pesquisador de quadrinhos pelo PIBIC, psicólogo e estudante de Artes Visuais da UFRB. A conversa será mediada por Daniel Cesart, ilustrador, escritor, quadrinista e editor, vencedor do 36º e do 37º Troféu HQMIX.
Para Paulo Moreira, o avanço acelerado da inteligência artificial tem provocado transformações que atravessam diversas profissões, especialmente aquelas ligadas à criação artística. Segundo ele, o uso de grandes acervos de imagens para simular estilos e linguagens reforça a necessidade de discutir limites, cuidados e formas de proteger o trabalho autoral.
“Acho que deve se falar como, hoje em dia, o avanço sem regulação nenhuma da IA tem afetado principalmente quem trabalha com arte, a exemplo da utilização de todo o acervo na internet de estilos de desenhos e pinturas de outros artistas para tentar simular algo feito por humano. Iremos abordar como lidamos com isso, os cuidados que devemos ter e como o trabalho humano ainda não é substituível quando se quer algo bem feito”, afirma.
A 14ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado da Bahia, por meio do FazCultura, da Secretaria da Fazenda (Sefaz), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria da Educação (SEC). O evento integra o Bahia Literária, programa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à SecultBA. A realização é da SCHOMMER Produções.
SERVIÇO:
GERAÇÃO FLICA – FLICA 2026
Quando: 5 a 8 de novembro
Onde: Cine Theatro Cachoeirano, Cachoeira-BA
Mais informações:
Instagram: @flicaoficial | https://www.instagram.com/flicaoficial/
