Ciranda Cultural visita três comunidades quilombolas na Chapada Diamantina para fortalecer conexão com o brincar
Em 2026, iniciativa passará por duas comunidades na região de Seabra e uma em Iraquara, culminando em segunda edição de carti lha coletiva ilustrada
O brincar carrega uma sabedoria ancestral alegre e potente; porém, assim como outras tradições culturais, as brincadeiras infantis podem desaparecer caso não sejam fomentadas no cotidiano e passadas à frente. Com o objetivo de promover o fortalecimento do brincar, o Ciranda Cultural chega à sua segunda edição em 2026.
Durante o mês de outubro e novembro deste ano, a equipe do projeto vai visitar três comunidades quilombolas da região da Chapada Diamantina , na Bahia, onde realizará rodas de diálogo, contação de histórias, confecção de artesanatos e outras atividades. Agreste e Mocambo da Cachoeira, localizadas em Seabra, e Esconscio, em Iraquara, serão os locais para essa bela troca, que culminará em uma cartilha ilustrada coletiva sobre a cultura popular das brincadeiras nestes diferentes territórios.
A proposta é criar em cada encontro um ambiente de expressão artística, escuta ativa e celebração, além de catalogar as brincadeiras e histórias próprias de cada localidade. O empoderamento e fortalecimento da cultura negra são os motes guias da Ciranda ao colocar no centro da roda memórias historicamente construídas por esses povos na promoção de uma infância digna e do bem-viver.
“Nos tempo s atuais em que as crianças são seduzidas pelas telas se fazem necessárias e fundamentais ações que trabalhem a presença, assegurando assim os direitos da infância e o bem viver. O projeto Ciranda Cultural tem a proposta de compartilhar a expressão de corpos, olhares, brincadeiras, alegria, o estar juntos, a união”, detalha Fábia Medeiros, multiartista pós-graduada em Pedagogia e uma das monitoras do projeto.
Um encontro que abraça o comum
Em cada comunidade, o encontro acontece a partir da articulação com lideranças locais, em especial mulheres que são referências para o território. A Ciranda Cultural dura em torno de 4 horas, com intervalo para um momento de lanche com a equipe e os participantes. Luanna Lima e Fabia Medeiros são as monitoras e idealizadoras da iniciativa sociocultural ao lado da articuladora local Eliana Belo.
“O contato com as comunidades acontece através do diálogo em rede com pessoas ligadas a elas e principalmente em acordo com as associações locais. Em um primeiro contato explicamos o projeto e agendamos a primeira visita, depois com o grupo definimos as datas dos encontros da Ciranda”, explica Luanna sobre o processo de construção dos encontros.
Os participantes receberão ainda um kit com camisa, uma caneca do projeto, bem como uma bolsa auxílio para estimular a adesão e viabilizar o transporte, acesso e permanência durante as atividades.
Todos os encontros da Ciranda Cultural são registrados formando um rico material que servirá de base para construção de uma cartilha digital com livre e gratuito acesso a download, que também será distribuído de forma física em escolas públicas e associações culturais das cidades de Seabra e Iraquara. Com a força de preservar memórias, a cartilha ilustrada funcionará como um instrumento de valorização da cultura preta e quilombola na Bahia.
Retornos para a sociedade: lançamento e exposição
Em fevereiro de 2027, o lançamento da cartilha será mais um retorno para a sociedade. A produção será dividida com o público através de uma live virtual e em eventos presenciais em duas escolas públicas estaduais, com a presença de uma profissional de acessibilidade cultural.
Nestes espaços de aprendizado, a equipe do Ciranda Cultura fará ainda a instalação de uma exposição de fotografias das cirandas e de artesanatos criados pelas participantes nas visitas. O momento contará com vivências para compartilhamento com estudantes do ensino médio da rede pública sobre a importância da valorização das brincadeiras na cultura popular do país.
“Brincar é um direito universal para toda e qualquer criança. Com o projeto, nós promovemos um reencontro das mulheres quilombolas da Chapada com o brincar do seu tempo. Esse re-acordar do brincar reforça o cultivo do bem-viver, de estar junto com a natureza, onde podemos despertar o potencial criativo e brincante de toda a comunidade, valorizando as memórias e histórias daquele local”, celebra Luanna Lima.
Ciranda Cultural é uma realização contemplada nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
SERVIÇO
O quê: Ciranda Cultural visita comunidades quilombolas baianas para promover atividades sobre o brincar
Quando: Outubro de 2026 – Fevereiro de 2027
Onde: Seabra e Iraquara, na Chapada Diamantina (BA)
Mais informações: (71) 99111-2725 (Elis Freire)
