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Festival Ọ̀rọ̀ Dúdú acontece de 29 de outubro a 1º de novembro em Salvador

6 - 8 minutos de leituraModo Leitura

Com entrada gratuita, programação no Espaço Cultural da Barroquinha reúne quatro espetáculos e vivências artísticas

A palavra carrega histórias, atravessa gerações, preserva memórias e também pode se transformar em música, movimento e resistência. Quando nasce das vivências negras, torna-se instrumento de afirmação, pertencimento e expressão. É a partir dessa potência que surge o Festival Literomusical Ọrọ̀ Dúdú — expressão em iorubá na qual òrò significa “palavra” e dúdú, “preta” – que irá ocupar o Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, com uma programação gratuita que reúne literatura, música, poesia e performance.

Idealizado pelos artistas e produtores culturais Igor Tiago e Bruna Silva, o festival propõe um encontro entre diferentes linguagens artísticas, tendo a palavra vinda de corpos negros como fio condutor. Na programação, versos ganham ritmo com os tambores, narrativas pessoais se transformam em performances e experiências individuais dialogam com histórias e referências coletivas.

Ao longo de quatro dias, o público poderá acompanhar os espetáculos Tamborismo, com Nelson Maca e Mestre Jorjão Bafafé; SSA – Suspiros e Sussurros de Acordar, de Heder Novaes; Fọ̀ Ìlù – A menina, o tambor e a palavra, com a musicista Nanny Santos; e Pivete Musa, obra inédita de Jordan Pivete Musa, inspirada em seu livro homônimo. Todas as apresentações acontecem às 19h, com entrada gratuita e ingressos disponíveis antecipadamente pela plataforma Sympla.

O Òró Dúdú propõe aproximar diferentes formas de expressão da cultura negra, explorando as possibilidades da palavra para além da escrita e valorizando artistas cujas produções abordam questões como ancestralidade, identidade, territorialidade, sexualidade e resistência.

“O Festival Literomusical Ọrọ̀ Dúdú nasce da necessidade de ampliar a visibilidade e a circulação da palavra preta na Bahia. O que o diferencia é a integração entre palavra, corpo, performance e música, compreendendo o som como parte da experiência poética. Nesta edição, a curadoria valoriza a diversidade e a potência estética e conceitual de artistas negros baianos, reunindo diferentes linguagens e formas de expressão. Além dos espetáculos, as vivências ampliam o espaço de troca, formação e compartilhamento de saberes.”, destaca o curador e idealizador do festival Igor Tiago.

Tamborismo: quando a palavra encontra o tambor

A abertura do festival, na quinta-feira (29), às 19h, fica por conta de Tamborismo, espetáculo que reúne os versos do poeta Nelson Maca à percussão de Mestre Jorjão Bafafé e participações especiais de Negrizu e Jorge Ceruto. Em cena, a palavra e o tambor estabelecem um diálogo que atravessa a ancestralidade africana, a resistência negra e as expressões contemporâneas da poesia falada. Apresentada desde 2014, a performance combina elementos do poema batuque, do slam, do dub poetry e do rap, acompanhados por ritmos do candomblé, reggae, funk e outras sonoridades afro-diaspóricas.

SSA: uma Salvador contada em versos, sons e memórias

Quantas cidades cabem dentro de Salvador? É a partir dos encontros, contrastes e identidades que atravessam a capital baiana que Heder Novaes constrói SSA – Suspiros e Sussurros de Acordar, espetáculo a ser apresentado na sexta-feira (30), às 19h. A performance parte de um olhar atento ao cotidiano da cidade e transforma suas experiências em poesia e música, revelando uma Salvador que pulsa entre a tradição, a contemporaneidade e as contradições de sua própria história.

Em cena, Heder combina a força da palavra com ritmos como cabila, samba-reggae, agueré, capoeira angola, pagode e ijexá. A partir dessas referências, o artista conduz uma narrativa que reconhece a riqueza cultural da cidade, mas também reflete sobre seus apagamentos históricos e desafios sociais. O espetáculo propõe um exercício de memória e pertencimento: olhar para o passado para compreender o presente e imaginar outros futuros possíveis.

Fọ̀ Ìlù: a menina, o tambor e a força da ancestralidade

O que acontece quando o tambor também aprende a contar histórias? No sábado, 31, às 19h, a percussionista Nanny Santos apresenta Fọ̀ Ìlù – A menina, o tambor e a palavra, ao lado das artistas Bruna Silva, Laura Rigaud e Thei Nascimento. O espetáculo parte da união entre os termos iorubás Fọ̀, que significa recitar, e Ìlù, tambor, para construir uma experiência em que música, poesia, oralidade e expressão corporal se encontram.
A performance reúne composições musicais, poemas, textos autorais e referências da cultura afro-brasileira. A cada encontro entre as artistas, vozes, versos e instrumentos se complementam em uma narrativa que dialoga com a espiritualidade, a memória e os saberes transmitidos entre gerações. Mais do que um recital musicado, Fọ̀ Ìlù propõe uma experiência sensorial, na qual o ritmo conduz a palavra e a palavra encontra novas possibilidades de expressão.

Pivete Musa: performance, poesia e infâncias LGBTs

A poesia e a música se encontram para narrar histórias, desafios e afirmações de infâncias negras, LGBTQIAPN+ e periféricas. No domingo (1º), às 19h, o poeta Jordan Pivete Musa apresenta Pivete Musa, apresentação construída a partir dos poemas de seu livro homônimo, conduzida pelo próprio artista e acompanhada por um músico. A obra percorre diferentes períodos da história brasileira, da Colônia e da escravidão à ditadura militar e aos anos 1990, evocando vivências atravessadas pela diversidade de gênero e pelas experiências de infâncias dissidentes.

Poeta, dramaturgo e slammer, Jordan Pivete Musa vem conquistando espaço na cena do hip-hop por meio das batalhas de slam, além de alcançar novos públicos com poemas que circulam e viralizam nas redes sociais. Em sua performance, a palavra falada e a música se articulam para afirmar memórias, identidades e existências historicamente marginalizadas.

Vivências: da experiência individual à criação coletiva

Além dos espetáculos, o Festival Òró Dúdú promove três vivências formativas no Boca de Brasa Centro, nos dias 30 e 31 de outubro. Conduzidas pelos artistas participantes, as atividades propõem experiências práticas e trocas de saberes em torno dos processos criativos que atravessam os espetáculos presentes na programação. Cada vivência oferece 20 vagas gratuitas, mediante inscrição por formulário virtual.

Na sexta-feira (30), das 10h às 12h, Bruna Silva abre as experiências de troca de saberes com Escrita Criativa. Poetisa, escritora e vencedora do Slam das Minas Bahia em 2017, Bruna parte das perguntas: por que escrever, para quem escrever e sobre o que escrever? para conduzir uma experiência de autoconhecimento por meio da poesia.

No sábado (31), das 10h às 12h, Nelson Maca conduz Performance Poética, encontro dedicado à construção da poesia negra e às suas possibilidades de expressão. Ainda no sábado, das 13h às 16h, Jordan Pivete Musa ministra Performance, Poesia e Infâncias LGBTs, vivência que permitirá que os participantes desenvolvam seus próprios poemas e experimentem a força da palavra dita em público.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

SERVIÇO

O quê: Festival Literomusical Ọrọ̀ Dúdú – Palavra-Preta

Quando: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026

Onde: Espaço Cultural da Barroquinha e Boca de Brasa Centro – em Salvador

Entrada: Gratuita, com ingressos antecipados pela Sympla

Programação de espetáculos:

29/10 (quinta-feira), às 19h: Tamborismo, com Nelson Maca e Mestre Jorjão Bafafé, participações de Negrizu e Jorge Ceruto

30/10 (sexta-feira), às 19h: SSA – Suspiros e Sussurros de Acordar, com Heder Novaes

31/10 (sábado), às 19h: Fọ Ìlù – A menina, o tambor e a palavra, com Nanny Santos e as participações de Bruna Silva, Laura Rigaud e Thei Nascimento

01/11 (domingo), às 19h: Pivete Musa, com Jordan Pivete Musa

Vivências gratuitas: De 30 a 31 de outubro, no Boca de Brasa Centro, com 20 vagas por atividade. Inscrições por formulário virtual na bio @festivalorodudu, no Instagram. Link: https://docs.google.com/forms/d/19dTPN-pvkm5bJfgwGjOPG4eE6ax5pId0qVfH0GiZLFE/viewform?edit_requested=true

Programação de vivências:

30/10 (sexta-feira)

10h às 12h – Escrita Criativa, com Bruna Silva

31/10 (sábado)

10h às 12h – Performance Poética, com Nelson Maca

13h às 16h – Performance, Poesia e Infâncias LGBTs, com Jordan Pivete Musa

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