A Trama Invisível: Livros, Canções e Imagens no Tecido do Tempo. Por Renato Queiróz
A Trama Invisível: Livros, Canções e Imagens no Tecido do Tempo
ATO I: A Conspiração dos Calendários e o Nascimento de um Dia Mágico
ATO II: Quando as Artes se Confundem
ATO III: Borges, Clarice e os Universos Paralelos da Leitura
ATO IV: O Fio Invisível
No dia 23 de abril, celebramos o Dia Mundial do Livro – data que homenageia a morte de gigantes como Cervantes e Shakespeare. Mas por trás dessa comemoração há uma ironia preocupante: na era da informação, nunca se leu tão pouco. Enquanto livros digitais e audiolivros ampliam o acesso, as estatísticas mostram que dedicamos cada vez menos tempo à leitura profunda. Será que estamos trocando a imersão literária por rolagens infinitas? Com esse dia simbólico, cabe refletir: como manter viva a paixão pelos livros em um mundo de distrações digitais?
Senta que lá vem História!
ATO I: A Conspiração dos Calendários e o Nascimento de um Dia Mágico
A origem do Dia Internacional do Livro, nos dias de hoje, também, do leitor, mergulha suas raízes na Catalunha, desdobrando-se numa narrativa de datas cambiantes e sincronicidades reveladoras.
Tudo começou com um sonho — ou melhor, com a mente inquieta de Vicent Clavel Andrés, um escritor e editor valenciano que havia fincado raízes na Barcelona pulsante dos anos 1920. Em 1926, movido por um fervor quase romântico pela literatura, ele levou à Câmara Oficial do Livro de Barcelona uma proposta audaciosa: criar um dia dedicado inteiramente ao livro. A data escolhida? 5 de abril — uma homenagem ao nascimento de Miguel de Cervantes, o gênio por trás da obra que mudou para sempre o rumo da literatura.
E que obra. “El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha” — ou simplesmente Dom Quixote — não é apenas um livro. É um monumento. Muitos o consideram o primeiro romance moderno, alicerce da literatura ocidental, enquanto outros vão além: para eles, é simplesmente a maior obra de ficção de todos os tempos. Clavel sabia disso. E queria que o mundo não só lesse, mas celebrasse.
A proposta, é claro, não era só sobre Cervantes. Era sobre o livro como objeto de transformação, sobre histórias que atravessam séculos e ainda nos arrancam risos, lágrimas e, quem sabe, uma ou outra loucura quixotesca. Barcelona abraçou a ideia, e assim nascia uma tradição que, anos depois, se espalharia pelo mundo.
O poder da ideia foi reconhecido rapidamente. Em 6 de fevereiro do mesmo ano, o governo espanhol de Miguel Primo de Rivera aceitou a proposta, e o rei Alfonso XIII conferiu-lhe solenidade ao assinar o decreto real que instituía a Festa do Livro Espanhol. Contudo, a história reservava uma inflexão.
Acontece que a história adora uma boa reviravolta. Quatro anos depois daquela primeira homenagem em abril, em 1930, o Dia do Livro ganhou novo endereço no calendário: 23 do mesmo mês. O motivo? Uma daquelas coincidências que parecem saídas de um romance.
Foi nesse dia, em 1616, que Cervantes — o mesmo homem que imortalizou um fidalgo sonhador e seu fiel Sancho Pança — deixou este mundo. Há quem diga que há poesia nisso: a celebração do livro encontrando seu destino na data de partida de seu maior mestre.
Este movimento, aparentemente simples, preparou o cenário para uma coincidência histórica de ressonância global. Anos mais tarde, em 1995, a UNESCO, ao instituir o 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, não o fez apenas por Cervantes. A data também marcava, no calendário consagrado, a morte de outro colosso: William Shakespeare.
A ironia do tempo, porém, esconde uma nuance cronológica crucial.
Curiosamente, ambos morreram em 1616, embora sim, ou não quase, no mesmo dia.
No século XVII, enquanto a Europa se debatia entre velhos e novos tempos, até os mortos sofriam as trapalhadas dos calendários.
A Inglaterra, teimosa, ainda se guiava pelo juliano, aquele mesmo que Júlio César impusera séculos antes. Já a Espanha, mais afeita às novidades, abraçara o gregoriano, a reforma do Papa Gregório XIII que ajustava os dias desgovernados. Resultado? Uma diferença de dez dias entre um reino e outro — tempo suficiente para confundir a história e embaralhar legados.
Eis que Miguel de Cervantes, o gênio por trás de Dom Quixote, morre no dia 23 de abril de 1616 — mas no calendário gregoriano, o que a Espanha já usava. Do outro lado do Canal da Mancha, na terra da rainha Elizabeth, William Shakespeare, o bardo de Stratford-upon-Avon, também teria partido no 23 de abril de 1616, só que no calendário juliano, ainda em vigor por lá. Traduzindo para o gregoriano? O inglês, na verdade, morreu dez dias depois, no 3 de maio.
Mas a história, como sempre, prefere a poesia à precisão. E assim, ficou registrado que ambos se foram no mesmo dia, ainda que os relógios do céu marcassem horas diferentes. Cervantes já havia morrido quando Shakespeare deu seu último suspiro — uma ironia digna de suas próprias obras.
E assim, entre ajustes papais e teimosias britânicas, dois dos maiores escritores da humanidade tiveram suas datas entrelaçadas num jogo de calendários, como se a morte também dançasse ao ritmo dos homens. A coincidência das datas registradas, somada ao falecimento do escritor catalão Josep Pla também em 23 de abril de1981, transformou o dia num poderoso símbolo universal da literatura, um ponto de convergência onde gigantes da palavra parecem ecoar juntos.
Josep Pla (1897–1981) foi um importante escritor e jornalista catalão, conhecido por sua prosa clara e observadora. Em 23 d’abril (1981), ele escreveu e publicou um breve texto sobre o Dia de Sant Jordi (Dia de São Jorge), uma data tradicional na Catalunha em que se celebra a literatura e o amor, trocando-se rosas e livros.
ATO II: Quando as Artes se Confundem
Esta trama transcende o calendário e invade o domínio da criação artística, onde fronteiras se dissolvem. Em 1997, o artista brasileiro Caetano Veloso encenou uma metalinguagem poética ao lançar quase simultaneamente um livro de memórias e reflexões e um disco de novas canções.
Em 1997, Caetano Veloso fez o que só os grandes artistas ousam: transformou um jogo de palavras em uma revolução sensorial. Quase como quem lança dois lados de uma mesma moeda ao ar, ele apresentou ao mundo, em sincronia quase perfeita, um livro de memórias e um disco de canções inéditas. A ideia inicial era uma provocação deliciosa: chamar o álbum de “Livro” e a autobiografia de “Disco” – uma troca irônica de naturezas, como quem diz que arte é sempre tradução, sempre transmutação.
No final, o livro ganhou o título “Verdade Tropical” (já uma declaração de princípios: verdade que queima, que sabe a fruta madura e ideias fervendo), mas o disco manteve o nome original: “Livro”. E ali, entre faixas e acordes, nascia a canção “Livros” – muito mais que uma homenagem, um feitiço literário-musical. A canção é a materialização sonora dessa ligação essencial entre as artes, da qual o próprio Caetano é um expoente magistral.
A magia dessa interconexão encontrou expressão visual e comovente no curta-metragem de animação “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” (2011), vencedor do Oscar. O filme oferece a imagem poética definitiva da vitalidade e do poder transformador dos livros. Eles não são objetos inanimados, mas entidades vivas que voam, curam feridas, devolvem cores a um mundo cinzento e abrigam histórias que, por sua vez, abrigam almas. O Sr. Lessmore atua como seu cuidador, um sacerdote dedicado a preservar e nutrir esse ecossistema narrativo.
O curta é um hino visual à ideia central de que os livros são guardiões ativos de memória, sonho e humanidade, capazes de nos resgatar e elevar.
Ampliar essa ponte entre as artes e o ato de ler exige convocar outras vozes fundamentais que decifraram o poder da palavra escrita.
Castro Alves, o “Menestrel dos Escravos” (1847-1871), usou sua poesia como um trovão contra as injustiças. Em “Navio Negreiro”, sua linguagem é incendiária, uma imolação verbal: “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade / Tanto horror perante os céus?!”. Ler Castro Alves não é um ato passivo; é ser arrebatado por um furacão de indignação e beleza, uma prova viva de que a leitura pode ser um ato revolucionário, um grito que atravessa séculos.
Paulo Freire (1921-1997) via nas letras do alfabeto muito mais que símbolos – enxergava trincheiras. Aquele homem de olhar sereno e mente incendiária nos ensinou, com sua voz calma que carregava trovões, que primeiro lemos o mundo – seus códigos ocultos, suas injustiças disfarçadas de normalidade – e só depois deciframos as palavras. Sua frase lapidar, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, não era um mero aforismo, mas um manifesto revolucionário disfarçado de princípio pedagógico.
Em “Pedagogia do Oprimido”, obra que abalou as estruturas do pensamento educacional, Freire não estava interessado em produzir meros decifradores de sílabas. Ele forjava libertadores. Cada página seu era um convite à insurreição – não armada, mas cognitiva. Seus livros não eram objetos passivos, mas armas carregadas de futuro, esperando nas estantes como granadas de consciência adormecidas, prontas para explodir nas mãos de quem ousasse virar suas páginas com verdadeira fome de entender.
O ato de ler, para Freire, nunca foi um exercício de passividade. Era um combate corpo a corpo com a realidade. Cada palavra aprendida era mais uma ferramenta para desmontar as engrenagens da opressão. Sua pedagogia não alfabetizava apenas olhos, mas consciências. Não ensinava apenas a juntar letras, mas a questionar estruturas. Nesse sentido, cada aula sua era uma sessão de descolonização mental, cada livro uma cartilha de libertação.
A genialidade de Freire estava em entender que a verdadeira alfabetização nunca termina na última página do livro – começa nela. Quando finalmente compreendemos que as palavras não são fins em si mesmas, mas portais para transformar o mundo que primeiro aprendemos a ler nas ruas, nas fábricas, nos rostos marcados daqueles que o sistema quis manter na escuridão. Essa era a alfabetização que ele pregava – não a que preenche laudas, mas a que ilumina vidas. Em “Pedagogia do Oprimido”, ele não fala de sílabas, mas de chaves – as abrem jaulas. Para ele, um livro nunca é só papel: é um manifesto dobrado em páginas, esperando para ser desdobrado por mãos ávidas por liberdade.
ATO III: Borges, Clarice e os Universos Paralelos
Jorge Luis Borges (1899-1986) vivia entre livros como quem navega por universos paralelos. Cego, mas enxergando mais que todos, ele transformava bibliotecas em labirintos mágicos onde cada obra era um portal para novos mundos. Seus contos em “Ficciones” e “O Aleph” não são simples histórias – são experiências que distorcem nossa percepção da realidade.
Com a precisão de um ourives e a imaginação de um artesão, Borges fazia da literatura um jogo infinito. Ele nos ensinou que uma biblioteca não é um depósito de livros, mas um jardim de caminhos que se bifurcam, onde cada volume contém todo o cosmos.
Depois de Borges, nunca mais conseguimos olhar para uma estante de livros sem sentir que ali podem estar escondidos todos os tempos e espaços do universo.
Clarice Lispector (1920-1977) ia mais fundo ainda. Ela não escrevia sobre pessoas – escrevia a partir delas. Seus textos são buracos de fechadura para o “instante-já”, aquele segundo em que a existência treme e se revela. Ler Clarice é como segurar um vulcão nas mãos: você nunca sabe se vai sair ileso.
Quando folheamos o grande livro da literatura brasileira, não encontramos apenas palavras – descobrimos retratos vívidos da nossa alma coletiva. Essa história não foi escrita por uma só mão, mas por múltiplas vozes que, em diferentes tempos e tons, compuseram o mosaico da nossa identidade.
Machado de Assis (1839-1908), esse gênio discreto de óculos, barba e bigode, nos presenteou com obras que desafiam o tempo. Seu “Dom Casmurro” não é apenas um romance – é um espelho embaçado onde gerações se miram, tentando decifrar se Capitu traiu ou não Bentinho. Quantas discussões acaloradas já não nasceram dessa dúvida genialmente plantada?
Enquanto isso, Euclides da Cunha (1866-1909) trocava a pena pela espingarda e nos levava para os sertões de Canudos. Seu “Os Sertões” não é livro para se ler deitado – exige do leitor a mesma coragem dos beatos que marcharam para o arraial de Conselheiro. A cada página, sentimos a terra áspera sob os pés e o sol inclemente sobre as cabeças.
O século XX chegou com o estrondo modernista. Mário de Andrade (1893-1945), com seu “Macunaíma”, nos mostrou que podíamos rir de nós mesmos enquanto construíamos uma identidade cultural. Já Oswald (1890-1954), com seu manifesto antropófago, sugeria que devorássemos as influências estrangeiras e as transformássemos em algo genuinamente brasileiro – ideia que até hoje ecoa em nossa produção cultural.
Na poesia, Drummond (1902-1987) nos ensinou que havia uma pedra no meio do caminho – e que essa pedra era a própria vida. Seus versos secos como o café da manhã de mineiro falam de amor, política e existência com igual profundidade. Enquanto isso, João Cabral (1920-1999) construía poemas como engenheiros constroem pontes – cada palavra no lugar exato, cada rima calculada para sustentar o peso da realidade.
O sertão que em Euclides era tragédia, em Graciliano Ramos (1892-1953) virou prosa cortante e erteira. Seu “Vidas Secas” nos mostra Fabiano e sua família com uma crueza que dói – mas é uma dor necessária. Já Guimarães Rosa (1908-1967) pegou esse mesmo sertão e o transformou em universo mítico, onde jagunços filosofam e o amor pode ser mais perigoso que uma briga de facão.
Clarice Lispector (1920-1977) nos levou para dentro da mente humana como ninguém. Ler “A Paixão Segundo G.H.” é como assistir a um eclipse – você sabe que não deveria olhar diretamente, mas não consegue desviar os olhos. E Lima Barreto (1881-1922), pobre e negro num Brasil que preferia ignorar essas condições, escreveu com o suor da humilhação e o sal das lágrimas – seu Policarpo Quaresma é o retrato do idealista que esbarra na dura realidade brasileira.
Antonio Candido (1918-2017), o grande mestre que nos ensinou a ler esses autores, mostrou que literatura não é luxo, mas necessidade básica – como pão e água. Em “Formação da Literatura Brasileira”, ele costurou essas vozes diversas num tecido coerente, mostrando como, juntas, elas contam a história do Brasil melhor que muitos tratados de história.
Esses escritores não são nomes em livros didáticos – são companheiros de viagem. Quando lemos Drummond no ônibus lotado, ou Machado numa noite de insônia, ou Clarice num momento de crise existencial, descobrimos que a grande literatura não fala sobre a vida – ela é a vida, condensada em palavras que atravessam décadas e ainda nos alcançam, frescas como fruta recém-colhida.
Jorge Amado (1912-2001) não apenas escreveu sobre a Bahia – ele a musicou em prosa. Em “Gabriela, Cravo e Canela”, as palavras têm cadência de samba, e os personagens falam como quem canta. Não à toa, suas obras viraram pérolas da MPB nas mãos de Dorival Caymmi e outros bambas.
Cecília Meireles (1901-1964) escrevia versos que pareciam já nascer com melodia. Seu “Romanceiro da Inconfidência” é um épico que canta, e poemas como “Motivo” – onde diz “Eu canto porque o instante existe” – ganharam voz eterna na interpretação de Elis Regina e Fagner.
Chico Buarque (1944-) é a prova viva de que literatura e música são irmãs siamesas. Seus discos são livros cantados como “Construção”, enquanto romances como “Budapeste” têm a precisão de um verso e o fôlego de um samba-enredo. Em “Roda Viva”, capturou a mesma dor que atravessa seus personagens: “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu…”
Vinicius de Moraes (1913-1980) nunca soube se era mais poeta ou letrista. Seu “Soneto de Fidelidade” pode ser recitado ou cantado, e “Garota de Ipanema” é um poema disfarçado de bossa-nova. Ele dizia que escrever era “como jogar jazz” – improviso dentro da forma, como quem deixa as palavras encontrarem sua própria música.
Todos eles, cada um à sua maneira, mostraram que as fronteiras entre literatura e música são ilusórias. Seja nas páginas de um livro ou nos acordes de uma canção, o que importa é essa arte de arrancar beleza do caos, de transformar palavras em experiência visceral.
ATO IV: O Fio Invisível
Como diria Clarice, é no instante-já entre a leitura e a escuta que a magia acontece – quando percebemos que todas as artes são, no fundo, diferentes formas de contar a mesma história humana. Ler obras como “A Hora da Estrela” ou “Perto do Coração Selvagem” é uma experiência sensorial e introspectiva, uma demonstração de que a leitura mais profunda é um mergulho no abismo do próprio ser.
Autores como Umberto Eco (1932-2016), especialmente em “O Nome da Rosa”, exploraram o livro como objeto de poder e perigo dentro de labirintos físicos e simbólicos, ecoando a visão borgiana da biblioteca como universo.
O que une, então, Miguel de Cervantes na Espanha do século XVII, William Shakespeare na Inglaterra isabelina, Caetano Veloso no Brasil contemporâneo, o Sr. Morris Lessmore num mundo animado, Castro Alves na Bahia imperial, Paulo Freire nos rincões brasileiros, Jorge Luis Borges nas bibliotecas além de Buenos Aires e Clarice Lispector no Rio de Janeiro? É o Fio de Ariadne das Narrativas Compartilhadas. Não uma conspiração oculta, mas uma conspiração no sentido mais puro – um “respirar juntos” – uma força coletiva e ancestral que compreende que livros, música e cinema são veículos distintos do mesmo impulso humano fundamental: o de contar e recontar histórias, de dar sentido ao caos da existência, de transcender a finitude individual através da partilha da experiência.
O livro pode ganhar asas nas animações, transmutar-se em ritmo e melodia nas canções, incendiar consciências na poesia social ou iluminar o eu mais profundo na prosa introspectiva. Mas seu cerne permanece imutável: é um receptáculo de espíritos, um portal aberto para infinitos mundos possíveis, uma chave forjada por essa constelação de criadores ao longo do tempo.
Segurar um livro é segurar essa chave, capaz de destrancar não apenas histórias, mas a própria essência multifacetada do ser humano – frágil, sonhador, quixotesco na sua busca por sentido e eternamente sedento pela próxima página, pela próxima canção, pelo próximo frame que ilumine a jornada. A espiral da narrativa humana jamais se encerra; convida-nos, sempre, a virar a página.
“Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” (2012) é um curta-metragem que encantou o mundo e levou o Oscar de Melhor Animação. Criado por William Joyce e Brandon Oldenburg, o filme é uma celebração mágica da literatura, onde páginas ganham vida em um balé de animação tradicional e digital. Como complemento poético, destacamos “Livro”, de Caetano Veloso (do álbum homônimo de 1997). Produzido em parceria com Jaques Morelenbaum e Luiz Brasil, o tema – embora não integre a trilha oficial – conversa perfeitamente com o curta, capturando em versos e melodias aquele fascínio único que só os livros inspiram.
SONZAÇO!
Renato Queiroz é professor, compositor, poeta e um apaixonado pela história da música.
