Cerca de cem empreendedores de Salvador e Lauro de Freitas celebram a cultura dos ‘butecos’ nesta sexta-feira, 10
Os empreendedores Ricardo Fabiano, Ana Paula e Claudia Silva integram à 17ª edição do ‘Comida di Buteco’ e revelam a transformação dos estabelecimentos através do concurso.
Às vésperas do ‘Comida di Buteco 2026‘, os bairros da Capelinha, Cajazeiras, Piatã, Pituba, Barra, Bonfim e outras 31 localidades do Centro, Subúrbio e Cidade Baixa, já sentem o cheiro da culinária de raiz tomar conta de Salvador e Lauro de Freitas.
O sextou oficial dos baianos, neste próximo dia 10 de abril, terá o gostinho especial dos 63 petiscos criativos, preparados pelos chefs novatos e veteranos do concurso. Para os donos dos butecos, a data também é sinônimo de festa. À frente do Boteco do Araújo – localizado na Rua José Mariz Pinto, na Baixa de Quintas, Ricardo Fabiano e Ana Paula destacam a movimentação intensa do comércio com o início da “principal temporada gastronômica da Bahia“.
“Os dias do concurso movimentam muito o meu comércio, trazendo novos clientes e também novos desafios, que servem de incentivo para mim e para os funcionários, dando um fôlego a mais para todos. Sem contar que aumenta significativamente a renda e desperta um espírito competitivo que me motiva bastante. Além disso, há uma valorização dos meus pratos de raiz”, comenta Ricardo.
Empolgados, os empreendedores do ‘Boteco do Araújo’ se juntam à outros 100 donos e donas de buteco que fazem parte da 17ª edição do concurso neste ano. A temporada conecta não apenas o público aos estabelecimentos, mas os comerciantes aos fornecedores da região, criando pontes que permanecem como legado do ‘Comida di Buteco’ nos bairros. “Os fornecedores dão muito apoio aos dias do concurso, e mantemos essa parceria com eles, tanto durante quanto após o CDB”, afirma o empreendedor.
Ainda segundo Ricardo Fabiano, os desafios do ‘empreendedorismo gastronômico‘ tem afetado os comércios locais. O proprietário do Boteco do Araújo afirma que a categoria vem sofrendo diante do aumento dos insumos e da ausência de mão de obra qualificada, o que tem dificultado os negócios.
Apesar das barreiras para manter a tradição raiz nas cozinhas, o coordenador regional nordeste do CDB, Max Rogers, afirma que o concurso segue como uma importante vitrine para os donos e donas de buteco na região. Para o profissional, a data que marca o calendário da cidade é um importante catalisador da economia local e criativa, unindo os empreendedores, fornecedores e o público na valorização de ingredientes, receitas e turismo gastronômico, do Centro às boêmias afastadas de Salvador e Lauro. “O Comida di Buteco é esse movimento transformador nos bairros, que gera oportunidades e mantém viva a tradição dos butecos“, explica Max.
Há cerca de doze anos no circuito do Comida di Buteco, a empreendedora Claudia Silva, à frente do tradicional Bar das Meninas, atualmente na Avenida Iemanjá, nº 211, Boca do Rio, também destaca os impactos positivos do concurso ao longo das edições.
A dona do estabelecimento afirma que a participação no concurso transformou sua trajetória e a de suas duas irmãs. Após sair de Xique-Xique (BA), começando o bar ainda no ano de 1994, em Salvador, a empreendedora destaca a transformação nos negócios após a entrada do concurso, desde visibilidade ao contato com produtores locais. “O CDB transformou nossas vidas. Em termos de movimento e visibilidade na mídia, a equipe é sempre atenta e eficiente, e nunca tivemos problemas com os fornecedores. Já participamos do concurso há doze anos, tendo ficado de fora apenas em duas edições desde então“, explica Claudia.
As trajetórias de Claudia, Ricardo, Ana Paula e mais 100 empreendedores estão nas mãos do público agora, que vai definir o ‘melhor buteco da região’. Com o recorde de 63 butecos participantes, a coroa do ‘CDB 2026’ está atualmente na disputa, em um movimento que já circula mais de R$ 4 milhões na economia.
Na disputa gastronômica, o Boteco do Araújo aposta na ‘Feijuca Crocante’, um bolinho de feijoada recheado com calabresa, bacon, carne defumada e couve refogada, finalizado com molho de limão-siciliano. Já o Bar das Meninas apresenta o ‘Vou Deitar e Rolar’, com pernil suíno ao barbecue enrolado em folha de couve refogada, acompanhado de tulipa de frango e um cremoso purê de brócolis com queijo.
Para Max, o sucesso por trás do ‘Comida di Buteco’ vem dessa disputa saudável e gastronômica, que acende o roteiro da culinária de raiz nos bairros e fortalece toda a cadeia local. “A disputa fica melhor a cada edição e quem sai ganhando, no final, é a própria cadeia gastronômica. É muito gratificante ver como o Comida di Buteco transforma vidas. A cada edição crescemos: mais bares, presença ampliada nos bairros, público engajado, bares mais profissionalizados e visibilidade consolidada. É um movimento que realmente impacta”, conclui Max Rogers.
