Cinema e teatro baianos marcam presença em Goiás
A Casa Candeia de Cultura, em Cavalcante, Chapada dos Veadeiros, Goiás, reabriu na quinta-feira (15) com uma programação contemplando múltiplas linguagens artísticas. Dia 15 aconteceu a exposição multiartistica e o Sarau Candeia de poesias , dia 16 o espetáculo “Godó, o mensageiro do Vale” , monólogo do baiano Caco Monteiro , dia 17 a performance Solta com a musicoterapeuta Lara Luzuah e fechando dia 18 as exibições do curta metragem “Meio Poeta” e do documentário de média metragem ” As águas do Rio de Yá Nitinha D’Oxum” ambos com roteiro e direção de Caco Monteiro.
*Molho baiano*
A convite do centro cultural, no coração da Chapada dos Veadeiros, Caco Monteiro encenou o espetáculo que desde 2017 circula no interior da Bahia, em Minas, São Paulo, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Angola e Portugal.
Primeiro monólogo escrito e encenado por ele, após 14 anos de pesquisa, Godó, com direção do inglês John Mowat e iluminação de Jorginho Carvalho é uma ficção baseada em fatos reais acontecidos no Vale do Paty, na Chapada Diamantina, na Bahia entre 1937 e 1985. Com uma narrativa que usa do recurso do flashback, Godó, aos noventa anos, leva o espectador ao seu mundo fabular, retornando a infância, ao convívio com o pai e a mãe, além da galinha Zenaide e do amigo imaginário Biziu.
A apresentação da peça em um contexto marcado pela diversidade cultural rico de histórias ancestrais e natureza exuberante , rendeu bons resultados. ” Foi mágico, agradeço o convite para trazer Godó a esse espaço de cultura, em plena natureza, para um público especial nesses 9 anos encenando, foi a experiência mais forte . Bom agradecer e saber que o teatro é a minha paixão ” afirmou o protagonista.
Com 45 anos de carreira, Caco Monteiro é um artista premiado, com destaque para os prêmios “Martim Gonçalves” de Melhor Ator (1983) e “Bahia em Cena” (1989). No cinema, participou de filmes como Dawson, Isla 10 (2008), Faroeste Caboclo (2011), Irmã Dulce (2014), Divaldo, o mensageiro da paz (2019) e A Matriarca (2023). Na TV, atuou em Laços de Família (2000) e outras produções da Rede Globo. Em 2016, foi assistente de direção de Deborah Colker na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio.
Já na linguagem cinematográfica, o sotaque baiano da programação se destacou pela exibição do documentário curta metragem “As Águas do Rio de Yá Nitinha D’Oxum”, dirigido por Caco Monteiro, que narra a trajetória de vida e resistência de Areonithe da Conceição Chagas, a Mãe Nitinha, importante ialorixá iniciada na Casa Branca. O filme resgata a memória histórica e celebra seu legado no Asè Iyá Nasso Oká Ilê Osun no Rio de Janeiro.
O filme estreou em junho de 2024 no Teatro Odylo Costa Filho, na UERJ, Rio de Janeiro.
É uma homenagem à Mãe Nitinha que foi uma figura de destaque na preservação da cultura afro-brasileira, também reconhecida por sua atuação como educadora e parteira.
O curta documental traz a voz de familiares, filhos e filhas de santo, Ogans e Ekedjis, para narrar a história de uma das mais importantes Iyalorixás do Brasil: a saudosa Yá Nitinha D’Oxum.
Sua história se inicia em Salvador (BA), na Casa Branca do Engenho Velho, Terreiro onde foi iniciada aos 4 anos de idade para Osùn, por Mãe Massi de Oxaguiã. Sua jornada espiritual a levou, anos depois, do interior da Bahia ao Rio de Janeiro, guiada por Osùn e Ogum Cariri. É no bairro de Miguel Couto, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que a Iyalorixá funda, em 1971, o Ilê Asé Iyá Nassô Oká Ilê Osun. Inicialmente coberto por uma lona de paraquedas, o Ilê cresceu tijolo por tijolo e, sob sua liderança, se transformou em um “Castelo de Oxum”.
Yá Nitinha D’Oxum faleceu em 2008, mas seu legado segue vivo através da liderança de sua neta, Yá Débora D’Oxum, e dos mais de 500 filhos e filhas iniciados por essa grande matriarca.
Por Cláudia Correia
