Cinema: Psiquiatra Antônio Nery participa de debate sobre invisibilidade de pessoas em situação de rua em Salvador
Preconceito, abandono, violência e o vício das drogas. O filme “Ninguéns” retrata a rotina de personagens reais, excluídos e invisíveis socialmente, que vivem nas ruas de Salvador sofrendo todo tipo de discriminação. O longa, que será exibido no dia 24 de agosto, às 19h, na Saladearte Cinema do Museu, é um compilado da série documental de mesmo nome, exibida em cinco episódios de 26 minutos pela TV Educativa no ano passado.
Diretor do longa, Bruno Masi trabalhou por mais de dois anos no roteiro e finalização do documentário, que agora tem duração de 128 minutos, sem qualquer prejuízo na narrativa das diferentes histórias dessas pessoas em situação de abandono da família e do Estado. Sem vínculos, muitos mergulham na droga como um suporte para se manter vivo.
“Buscamos retratar o lado humano dessas pessoas, a fragilidade delas. Tiramos o foco da marginalização e abordamos questões como saúde e a possibilidade concreta de reconstrução”, destaca Bruno Masi, que além da direção e roteiro também filmou todo o documentário.
“Ninguéns” contou com assessoria científica do psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Antônio Nery Filho, que durante muitos anos coordenou o Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD/UFBA). Logo após a exibição do filme, Nery participa de um bate-papo sobre o tema, junto com as psicólogas Patrícia Von Flach e Renata Berenstein e de Bruno Masi e Thais Laila, produtora e também roteirista do filme. A ideia é promover uma reflexão sobre a necessidade de políticas públicas para lidar com esse drama real, que é, na verdade, uma questão de saúde pública.
“O documentário mostra a necessidade de tornar essas pessoas visíveis. São sujeitos de Direito, que precisam ser reconhecidos e o poder público no Brasil não dá atenção a essas pessoas. Não há casas de acolhimento e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) não funcionam como deveriam. Essas pessoas precisam ser vistas. É preciso criar dispositivos e alternativas para cuidar delas”, avalia Antônio Nery.
“Ninguéns” reforça, além da necessidade de tornar visíveis esses cidadãos, a importância da efetiva implementação da política de Redução de Danos, para diminuir os riscos associados ao abuso de substâncias psicoativas e para cuidar dessa população extremamente vulnerável pela ótica da saúde e da assistência social, através de cuidados e afeto.
Assista Trailer
Serviço: Mostra “Ninguéns”
Onde: Saladearte Cinema do Museu
Avenida Sete de Setembro 2195 – Corredor da Vitória – Museu Geológico
Quando: 24 de agosto (quarta-feira)
19 horas – Apresentação do filme
20h15 – Bate-papo com a participação de Antônio Nery Filho