Continuamos sem medo de ser feliz! por Marcelo “Tuk” Leite
Os dois atos – a entrega do diploma à Lula e a
reivindicação dos 10% do PIB para a Educação -, ao acontecerem juntos, ganham
um significado único.
Nesta Terça-Feira, 20, estudantes da UFBA
fizeram mais um grande ato em defesa dos 10% do PIB para Educação, dessa vez na
presença do ex-presidente Lula, na cerimonia em que este ganhava o título
honoris causa da UFBA. Após participarem de uma Aula Pública que debatia a
importância de se construir uma Universidade Popular, mais de 200 estudantes
saíram em passeata da Faculdade de Educação da UFBA em direção a Reitoria, onde
já havia começado a cerimônia de diplomação do ex-presidente, com um auditório
lotado de professores, servidores, estudantes e dirigentes da Universidade, além
do prefeito João Henrique e do governador Jacques Wagner.
Os dois atos – a entrega do diploma à Lula e a
reivindicação dos 10% do PIB para a Educação -, ao acontecerem juntos, ganham
um significado único. De um lado, a diplomação do ex-operário, líder de um dos
maiores movimentos de massas na luta por outro modelo de desenvolvimento do
país, que se torna o presidente que mais criou universidades públicas sem nunca
ter sentado numa cadeira de universidade. De outro, centenas de jovens que se
formaram traduzindo seus desejos de mudanças no "Lula-lá!", muitos desses que
só entraram na Universidade após as políticas de democratização desta, seja
através das cotas, seja através da expansão de vagas, dizendo que nossa luta
por outro modelo de desenvolvimento não passa só pela expansão, mas por um novo
modelo de educação, que reflita a diversidade e demandas do povo brasileiro,
passa pelo investimento de 10% do PIB na Educação.
O que em outro contexto poderia ter se
configurado como um enfretamento entre estudantes e um ex-presidente, na
verdade logo se mostrou uma experiência de maturidade da juventude diante dos
desafios colocados para a nossa geração. No momento em que vemos os banqueiros,
a elite e a grande mídia exigindo uma agenda cada vez mais recessiva de corte
de "gastos", alta dos juros e aumento do superavit primário para enfrentar a
crise, cobrando que o governo adote a agenda derrotada nas eleições de 2010,
nós saímos às ruas para dizer que tipo de desenvolvimento queremos para o
Brasil enfrentar a crise: mais investimento, e outro modelo de educação,
libertário democrático e popular.
Ao contrário da luta da juventude nos anos 1990,
quando tínhamos um postura defensiva de resistência ao ataques constantes da
política neoliberal de Collor e FHC, hoje nos encontramos em um novo papel
histórico. Passados dois mandatos de Lula e vivendo um terceiro mandato petista
em meio a uma nova crise do capitalismo, precisamos passar para uma necessária
ofensiva dos movimentos sociais que paute um modelo pós-neoliberal de
desenvolvimento popular para o Brasil.
Era isso que estava em jogo no Salão Nobre da
Reitoria da UFBA, nesta Terça-Feira. Não era a imagem do ex-presidente operário
que queríamos atingir, muito menos exigíamos dele (agora é com Dilma e o Congresso
Nacional) os 10% do PIB pra Educação. Nossos alvos estão nos escritórios dos
bancos e empreiteiras da Copa, nas mansões dos latifundiários do agronegócio e
dos tubarões da educação. Para derrotá-los, nossa geração sai às ruas para
ganhar a sociedade, fazer a disputa ideológica, constranger a pauta dos
derrotados, dizer que a luta continua, com a nossa cara, com as nossas pautas,
mas continuamos "sem medo de ser feliz". Nesta Terça, os estudantes deram o
recado e um sinal de independência política, acerto na pauta, e centralidade em
quem são nossos verdadeiros inimigos. Em meio a autógrafos e abraços com Lula,
a juventude pulava e gritava fazendo o Salão Nobre da Reitoria tremer: "Das
ruas, das praças, quem disse que sumiu, aqui está presente o Movimento
Estudantil!"