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Cortejo Afro abre Carnaval com homenagem histórica ao Benin e exalta ancestralidade no Campo Grande

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Pela primeira vez em seus 27 anos de trajetória, o Cortejo Afro homenageia um país africano em seu desfile. Com o tema “Bahia Benin – Reino de Daomé”, o bloco desfilou nesta sexta-feira (13/02), no Circuito Osmar (Campo Grande), abrindo sua participação no Carnaval de Salvador. 

Integrante do Cortejo Afro desde sua fundação, Mestre Éden destaca que o tem

a “Bahia Benin” dialoga diretamente com a identidade sonora do grupo, com uma proposta rítmica que incorpora referências africanas, sem perder a conexão com a musicalidade afro-brasileira e em sintonia com o conceito visual do desfile. Já Mestre Alin ressalta o significado simbólico da homenagem. Para Alin, o tema evoca resistência, força e a trajetória histórica do povo negro, elementos que atravessam a identidade do Cortejo.

O Benin, país da África Ocidental, possui profunda relevância histórica, cultural e espiritual para o Brasil, especialmente para a Bahia. A escolha do tema para o desfile deste ano do Cortejo Afro tem como objetivo reafirmar os laços ancestrais construídos ao longo da história afro-atlântica. 

Conhecido oficialmente como República do Benin, o país teve papel central na formação da sociedade brasileira entre os séculos XVII e XIX, durante o período do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. O território do Benin corresponde ao antigo Reino do Daomé, uma potência da África Ocidental com estruturas políticas, militares e religiosas complexas que existiu de 1600 até 1904. Colonizado pela França em 1892, o país conquistou sua independência apenas em 1960.

Um dos destaques do desfile do Cortejo Afro é sua ala de percussão que reúne 110 percussionistas, além de convidados estrangeiros, comandados pelos músicos Éden Paulo e Alin Gonçalves, conhecidos como Mestre Éden Gordo e Mestre Alin.A trilha sonora do carnaval 2026 é a canção “Agolô Naê”, composição de Valmir Brito e Alberto Pitta. A expressão significa “Me dê licença, por favor” e traz uma mensagem de respeito e espiritualidade. No refrão, puxando a saída do Bloco no Campo Grande, a música traz no refrão: “Agolô Naê, é um canto de paz, é um canto sofrido, é um canto de amor”.

Conceito estético – Para o desenvolvimento do projeto visual deste ano, Alberto Pitta contou com a parceria do artista visual paulista Luis Guimarães, em sua terceira colaboração com o Cortejo Afro. Segundo Guimarães, o conceito estético do desfile é construído a partir de múltiplas camadas, com atenção especial à elegância e à coerência visual.

“São muitas camadas envolvidas. A gente cuida da estética, da elegância e da construção visual como um todo. É muito gratificante desenvolver esse trabalho com Alberto, que consegue traduzir a proposta do bloco com muita consistência e sofisticação”, afirma.

Guimarães destaca ainda a presença de uma ala inspirada nas guerreiras do exército do Daomé, um dos elementos centrais do desfile. “A história do Benin ainda é pouco difundida para nós. Trazer essa ala é uma forma de evidenciar essa memória. O exército do Daomé tinha uma forte presença feminina, com cerca de um terço de mulheres”, explica.

Renovação – Fundado em Dois de julho de 1998, o Cortejo mostra no desfile a força e a beleza do bloco, que também é destaque no Verão de Salvador com seus concorridos ensaios. No público, pessoas de todas as idades, além da forte presença de um público jovem, como é o caso da psicóloga Juliete Barreto, que estreou no bloco este ano. 

“É a primeira vez que desfilo, mas sempre acompanhei o Cortejo. Como integrante do movimento negro, sempre enxerguei o bloco como um símbolo de representatividade para o povo preto baiano. Ele expressa a nossa identidade cultural. Participar agora é a realização de um sonho antigo”, afirma.

Criado pelo artista plástico e carnavalesco baiano Alberto Pitta, o Cortejo Afro reúne cerca de 2.500 integrantes neste ano, com figurinos especialmente desenvolvidos para o desfile, reforçando a identidade estética marcante do grupo.O Cortejo ainda se apresenta no domingo e na segunda-feira, no Circuito Dodô (Barra-Ondina). O bloco integra a programação do Programa Ouro Negro, iniciativa do governo do estado que garante a participação de 95 entidades de matriz africana nos principais circuitos da festa.

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