Aldeia Nagô
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Do Trio Experimental aos Trios de Blocos. Por Nelson Varón Cadena

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Dodô e Osmar nunca imaginaram que o Trio Elétrico, um dia, seria incorporado pelos blocos de Carnaval. Orlando Campos muito menos. O Trio Elétrico nasceu como experimentação musical, se viabilizou com o patrocínio da Fratelli Vita, Rum Bacardi, Rum Montilha, Rádio América, Atlas, Ipiranga, Coca Cola, aguardente Jacaré/Saborosa… e em especial dos políticos. Quando foram chamados de Trios Independentes, já eram totalmente dependentes do poder público como são até hoje.

Antes foram chamados de Trios Volantes. Em 1978, nove trios desfilaram na cidade, cinco eram volantes, com o patrocínio da Bahiatursa: Dodô & Osmar, Novos Baianos, Tapajós, Marajós e Saborosa. Os quatro restantes já puxavam blocos de Carnaval, custeados pelos associados que adquiriam mortalhas. Um desses blocos era os Internacionais que em 1977 desfilou com o Trio Elétrico Tapajós e os Novos Baianos. Os associados não gostaram; no ano seguinte contratou 60 ritmistas e 40 músicas de sopro e fez valer o velho samba no pé.

O samba no pé e as marchinhas cariocas estavam na origem do Trio Elétrico como contou Orlando Campos: “nos tocávamos de tudo, frevo, marchas, musiquinhas de Emilinha Borba, Marlene. Os frevos a gente copiava de Osmar, que entendia tudo de música, ele era o Dodô da eletrônica, um solista de primeira”. Até a mutação do frevo pernambucano em frevo baiano, os sambas e as marchinhas cariocas prevaleceram.

Em 1976 o trio de Armandinho, Dodô e Osmar, levou para cima do trio a banda. Antes, os músicos ficavam no andar de baixo, o alto do trio exibia cornetas sedan. Em 1978, os Novos Baianos também desfilaram no alto do trio, com os PAs da Concha Acústica.

Bell Marques, o vocalista da banda Scorpius, ficou maravilhado com essa exposição dos artistas do alto do trio, numa entrevista declarou: “É isso que eu quero para mim.”

E quando a banda foi contratada para puxar o trio elétrico do Traz os Montes, os músicos foram para o andar de cima, ainda com a percussão no andar de baixo, se podemos chamar assim. E, em 1980, o trio do bloco, que se diferenciava dos outros pelo figurino de macacão, ao invés da mortalha, exibiu um equipamento totalmente transistorizado, novidade que reinventou o trio elétrico e reinventou o Carnaval. A maioria dos blocos adotou logo o padrão, todos em meados da década.

Era o prenuncio de um novo tempo. O dos blocos estruturados profissionalmente, com planejamento, marketing, fidelização dos associados, o Camaleão e o Eva na liderança e como vitrine desse processo. E na sequência: Cheiro de Amor, Tiete Vips, Traz a Massa, Pinel, Beijo, Crocodilo… E até os afros e afoxés, um dia, renderam-se à tecnologia do equipamento.

A expansão do som eletrizado lhes permitiu ampliar a sua base de associados e desfilar nas mesmas condições dos blocos de trio, ainda que segregados no horário nobre do circuito do Campo Grande. Para a semana abordaremos as nuances desse processo. (Nelson Cadena)

De minha autoria, publicado hoje no Jornal Correio

Imagem: Trio Saborosa

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