Ele nos manteve fora da guerra. Por Carlos Pronzato
Este foi o slogan da campanha do democrata Woodrow Wilson (1856-1924), com o qual ganhou as eleições presidenciais nos EUA há cem anos. Muito diferente daquela época, se hoje houvesse eleições nos EUA, o slogan para a campanha de Trump seria diametralmente o oposto: “Ele nos levará à guerra”.
Vejamos alguns exemplos neo imperialistas, fora a imposição das esdrúxulas tarifas alfandegárias a inúmeros produtos estrangeiros: houve ataques e intervenções na Venezuela (incluído o sequestro do presidente constitucional), Irã, Nigéria, Iêmen, Somália, Síria e ameaças ao México, Colômbia e Cuba, enquanto países que não seguem a cartilha do Tio Sam aguardam pronunciamentos similares. E até já disse com todas as letras que vai invadir a gélida Groenlândia, para onde já singram o Atlântico Norte navios de guerra da OTAN na defesa de um país/continente sob o protetorado da Dinamarca, portanto sob a órbita da Europa.
Acrescentemos a brutal repressão interna contra os trabalhadores imigrantes através da ICE (Immigration and Customs Enforcement), que já provocou mortes e mais de mil protestos – principalmente em Minnesota, Minneapolis e Denver – e até o auspicioso ressurgimento dos Panteras Negras (Black Panther Party) em resposta à violência estatal e com amparo legal para portar armas e assim proteger os manifestantes e as comunidades negras.
Nessa trigésima-terceira eleição presidencial realizada em novembro de 1916, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) já estava em curso e os EUA se mantinham neutros, inclusive com a população se inclinando às forças britânicas e francesas, mas evitando o envolvimento com a guerra. Foi difícil para seu concorrente, o republicano Charles Evans Hughes (1862-1948), vencer a plataforma pacífica de Wilson, mas criticou o seu apoio militar a facções opostas à Revolução Mexicana (1910 -1920), bem no estilo da Doutrina Monroe, de 1823 (América para os americanos), hoje rebatizada popularmente como Doutrina Donroe. Não obstante, os EUA, após anos de neutralidade, entraram na guerra em 1917 motivados pelo afundamento de navios americanos, promovendo o desfecho da conflagração bélica e a sua ascensão como potência mundial.
No início do século XX, a estratégia expansionista norte-americana foi a “Política do Grande Garrote” (Big Stick Policy), instaurada pelo presidente Theodore Roosevelt (1858-1919), utilizando ameaças militares visando proteger seus interesses políticos e econômicos, usurpando e intervindo em toda a América Latina e depois no mundo. Seu axioma foi “falar suavemente carregando um grande garrote”.
Donald Trump o atualizou eliminando a fala suave e colocando o mundo, com suas bravatas e ações, à beira de uma iminente guerra nuclear.
Carlos Pronzato
Cineasta, diretor teatral, poeta e escritor
Sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)
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