Billie Holiday, a Canção

A montagem teatral, que é inédita em Salvador, cuja dramaturgia é do poeta e escritor sergipano Hunald de Alencar (in memoriam), fez um enorme e surpreendente sucesso em terras sergipanas, demonstrado através das inúmeras declarações do público. Essa tem sido a maior produção teatral já realizada em Sergipe, nas últimas décadas, e se pontuou como um divisor de águas, sem precedentes, do teatro sergipano!
O drama musical é formado por breves momentos da personagem Billie Holiday, através da passagem do tempo, culminando em um quarto de hospital em que a cantora se encontra após ser diagnosticada com cirrose hepática pelo uso contínuo e descontrolado de álcool.
Em seu monólogo solitário, Billie expurga suas marcas indeléveis de dor e ressentimento, onde apenas a música consegue içá-la de seus porões de medo e infortúnio. Lembra-se da miséria que viveu, do corpo que teve que pintar com graxa de sapato para escurecer mais a pele, considerada muito clara para cantar o jazz, e das máculas que teve que levar consigo. A acidez impressa no texto expõe o escárnio de uma sociedade perversa com alguns dos seus, principalmente se forem mulheres e negras.
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