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Lançamento do livro “Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá”

Segunda-feira, 29/06/2026 às 09:00
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Lançamento do livro “Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá”

Lançamento integra esforço internacional pelo reconhecimento da cidade de Oyó como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Será lançado no dia 29 de junho de 2026, às 9h, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, o livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá. Escrita em português, inglês e iorubá, a obra reúne, pela primeira vez em formato ao mesmo tempo acadêmico e acessível, um amplo inventário do patrimônio imaterial da cidade de Oyó, no sudoeste da Nigéria.

O livro resulta do projeto de pesquisa As Cidades Iorubás: Arquiteturas das Cidades Históricas e Sagradas da Nigéria, fruto de um Termo de Cooperação Acadêmica, Científica e Cultural firmado em 2021 entre a UFBA, a Ajayi Crowther University of Oyo, a University of Lagos Akoka e o Palácio Real de Oyó, com o objetivo de integrar o processo de reconhecimento da cidade de Oyó como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Mais do que uma publicação, o material funciona como documento técnico de registro do patrimônio cultural imaterial iorubá, assumindo também dimensão diplomática e de memória histórica.

Um lançamento de alcance internacional

O livro será apresentado na abertura da 4ª Conferência Internacional LASUCAS 2026 – Cooperação Sul-Sul: os papéis da Nigéria e do Brasil na promoção da colaboração entre economias emergentes, organizada pelo Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Lagos (LASUCAS) em parceria com o grupo de pesquisa EtniCidades, da Faculdade de Arquitetura da UFBA, e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O evento acontece de 29 de junho a 1º de julho, em meio ao fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Nigéria.

A cerimônia de abertura reúne autoridades brasileiras e nigerianas: o Alafin de Oyó, Sua Majestade Oba Owoade Abimbola Akeem; a Ministra da Cultura da Nigéria, Hannatu Musa Musawa; o embaixador da Nigéria no Brasil, Geoffrey Onyeama; o Governador do Estado de Lagos, Babajide Olusola Sanwo-Olu; o presidente da Associação dos Descendentes Brasileiros em Lagos (Agudás), Lawal Pedro; a reitora da Universidade do Estado de Lagos, Ibiyemi Ibilola Olatunji-Bello; e o representante da UNESCO na Nigéria, Emmanuel Adeniyi Odekanyin, entre outras autoridades brasileiras.

A obra será distribuída gratuitamente, com prioridade para instituições de matriz afro-brasileira.

A herança iorubá que formou a Bahia

Entre os séculos XVIII e XIX, povos iorubás oriundos de Oyó e cidades associadas chegaram ao Brasil pelo último ciclo do tráfico transatlântico, vindos sobretudo dos portos de Lagos, Porto Novo, Cotonou e Uidá. Tiveram como principal destino os portos baianos – especialmente Salvador e Cachoeira – e deixaram marcas profundas na língua, na culinária, na música, na dança e nas religiões de matriz africana.

Destacam-se, nesse processo, os terreiros de Candomblé, a começar pelo Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca), do qual derivam o Terreiro do Gantois e o Ilê Axé Opô Afonjá – os três reconhecidos como patrimônio cultural do Brasil pelo IPHAN.

O livro reconstrói essa genealogia a partir da cidade de origem, documentando festivais de orixás como Xangô, Iemanjá, Ogum, Oxum, Oyá, Exu e Obaluayê; sociedades tradicionais como Yalodê, Gèlèdé e Egúngun; sistemas de adivinhação; a estrutura política do antigo Império de Oyó a partir da figura do Alafin; além de saberes ligados à produção de tecidos, instrumentos musicais e alimentos.

O arquiteto e urbanista Fábio Macêdo Velame, coordenador do grupo de pesquisa EtniCidades: Estudos Étnicos e Raciais em Arquitetura e Urbanismo (UFBA), afirma:

“Oyó não é apenas uma cidade nigeriana. É uma das origens da civilização brasileira. Assim como Meca é referência para o mundo muçulmano e Roma para os católicos, Oyó tornou-se, ao longo de mais de dois séculos de diáspora, uma referência ancestral para o povo-de-santo no Brasil.”

Velame acrescenta que “cada terreiro de Candomblé, cada orixá cultuado, cada palavra preservada em iorubá carrega essa memória viva. Este livro devolve a essa história o seu nome de origem e ajuda a construir a rede internacional necessária para que Oyó seja reconhecida pela UNESCO como patrimônio de toda a humanidade.”

Mentes, vozes e mãos que tecem esta obra

Uma obra coletiva, atravessada por diferentes territórios, saberes e matrizes civilizatórias.

Reúne pesquisadores de trajetória internacional: Fábio Macêdo Velame (UFBA), arquiteto e urbanista, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, realizou Pós-doutorado no Institut des Mondes Africains – IMAF da L´Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales – EHESS, Institut des Recherce pour le Développement -IRD, et Université Paris 1 Panthéon Sorbonne, Pesquisador Permanente do CEAO Centro de Estudos Afro-Orientais UFBA, Coordenador nacional da área de Arquitetura e Urbanismo da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN, e atual Diretor da Faculdade de Arquitetura da UFBA; Paula Dias Gomes, pesquisadora de cultura e espiritualidade iorubá na Nigéria, Embaixadora Cultural Honorária pelo Alafin de Oyó desde 2012 e participante de três exercícios de inventário da UNESCO em Oyó (2017, 2018 e 2021), no âmbito da Convenção de 2003 para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial; Oluwatoyin Sogbesan, arquiteta, historiadora cultural e museóloga, doutora pela City University London, membro do ICOM e do ICOMOS, e fellow do Instituto Smithsonian; e Tunji Adejumo, arquiteto paisagista e urbanista, professor da Universidade de Lagos e diretor do Centro de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo da instituição, ex-presidente da Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas (Região Africana) e da Sociedade de Arquitetos Paisagistas da Nigéria.

A publicação resulta de uma parceria editorial entre a Editora Jequitibá e a Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA), referência nacional na difusão da produção científica e cultural.

O livro foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

Conta ainda com suporte institucional de CNPq, CAPES, UFBA, UNEB e universidades parceiras na Nigéria.

SERVIÇO

Lançamento do livro: Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá. Obra em português, inglês e iorubá documenta a herança cultural iorubá na formação do povo brasileiro e integra esforços internacionais para o reconhecimento da cidade de Oyó como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Quando: 29 de junho de 2026 | 9h

Onde: Salão Nobre da Reitoria da UFBA – Salvador (BA)

Entrada e distribuição: gratuitas. Prioridade de distribuição para instituições de matriz afro-brasileira

Inscrições no evento: https://www.even3.com.br/4-conferencia-internacional-lasucas-brasil-2026-cooperacao-sul-sul-os-papeis-da-nigeria-e-do-brasil-na-promocao-da-colaboracao-entre-economias-emergentes-695550/

Informações adicionais

Publicado por - Helder

Valor -

Contato -

Periodicidade - O evento não se repete

Horário

Segunda-feira, 29/06/2026 das 09:00 às 12:00

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