Aldeia Nagô
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Lilian Morais chamou a atenção com a performance “Feminicídio: prisão perpétua já!” que realizou durante o desfile da Mudança do Garcia

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Durante circuito Riachão, na tradicional mudança do Garcia, a artista performática Lilian Morais realizou a performance “Feminicídio: prisão perpétua já!”, uma intervenção urbana de forte impacto social e político que atravessou todo o trajeto do cortejo.

Na ação, a artista percorreu a avenida carregando nos braços o corpo de uma mulher em tamanho real, coberto por um lençol branco, simulando uma vítima de feminicídio. A imagem, dura e silenciosa, rompeu com a atmosfera festiva do carnaval para impor aos foliões e foliãs uma pausa forçada diante da violência cotidiana que atinge mulheres em todo o país. O objetivo da performance foi justamente esse: fazer com que o público fosse atravessado pela cena, sem possibilidade de desvio ou indiferença.

Segundo relato da própria artista, as reações foram diversas e reveladoras. Muitas pessoas se aproximaram para agradecer a coragem da ação. Comentários como “obrigada por você estar trazendo essa verdade nua e crua para a avenida” se repetiram ao longo do percurso, sobretudo entre mulheres, que demonstraram choque, emoção e apoio explícito à pauta defendida pela performance: a luta pelo endurecimento das penas para o crime de feminicídio, com a defesa da prisão perpétua.

Por outro lado, a intervenção também despertou reações de hostilidade. Em um dos episódios, um homem de aproximadamente 45 anos abordou a artista de forma agressiva, xingando-a e afirmando que chamaria a polícia para retirá-la do local. A tentativa de silenciamento, no entanto, não interrompeu a ação, que seguiu até o final do percurso, reafirmando o caráter de denúncia e resistência da obra.

A performance de Lilian Morais reafirma o carnaval como espaço legítimo de manifestação política e artística, mostrando que, mesmo em meio à festa, há corpos que seguem sendo violentados e histórias que insistem em ser contadas. Ao carregar simbolicamente uma mulher morta pela avenida, a artista transformou o percurso em um ato de luto coletivo, denúncia pública e exigência por justiça.

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