Movimento Irun apresenta Enio IXI Vírus
No próximo dia 28 de setembro, o Movimento Irun realiza mais um de seus encontros na Casa de Castro Alves, ponto de cultura em Salvador que conecta comunidades tradicionais, quilombolas, povos de terreiro, marisqueiras e movimentos sociais. A edição traz como tema “Viva os Santos Meninos”, celebrando a infância e os aprendizados que ela inspira.
Encerrando a programação, às 19h, o público será presenteado com a estreia de “Enio IXI Vírus em Encontros Híbridos”, um espetáculo musical-performático que integra o conceito de O Elo Real Transforma – projeto de Enio que promove o diálogo entre gerações, linguagens artísticas e experiências humanas. Neste encontro inédito, Enio e Vírus Carinhoso se inspiram na presença das crianças em suas vidas e nas lições que elas oferecem, trazendo um olhar afetuoso e transformador sobre a infância como força de renovação.
Enio
Músico, compositor, designer e produtor musical, Enio é um dos nomes centrais da cena afro-brasileira contemporânea. Vencedor do Prêmio Caymmi com seu álbum Axé, acumula uma trajetória que inclui a direção musical de Luedji Luna, produção para Larissa Luz e curadorias de festivais como o Afropunk Bahia e o Salvador Capital Afro. Criador do selo e projeto IXI, Enio pesquisa há mais de uma década novas formas de fruição da música a partir de experiências multissensoriais, sempre em diálogo entre tradição e vanguarda. Em 2025, lança seu novo trabalho, O Elo Real Transforma, resultado de uma residência artística e de um processo colaborativo que coloca as relações humanas no centro da criação.
Vírus
Do subúrbio ferroviário de Salvador, Jonatan Moreira, conhecido como Vírus Carinhoso, é um artista multidisciplinar cuja obra transita entre música, performance, teatro e cinema. Com dois EPs, um álbum e diversos singles lançados, já integrou o selo 999 de Baco Exu do Blues e foi selecionado pelo YouTube como um dos 50 nomes globais do Hip-Hop no projeto Fifty Deep Music Class of 2024. Sua sonoridade, que ele chama de “Música do Gênero Vírus”, mistura rap, afrobeats, amapiano, samba-reggae e música eletrônica. Vírus também se destaca em projetos audiovisuais autorais como o curta Sankofa (2023) e Karkará (2024), reafirmando sua identidade plural e conectada às raízes afro-brasileiras.
O encontro
No palco do Movimento Irun, Enio e Vírus unem suas linguagens em “Encontros Híbridos”, criando um rito musical que transcende o entretenimento: um espaço de diálogo vivo entre tradição e inovação, entre a experiência artística e a experiência humana. A partir da vivência de ambos como pais, a performance evoca o poder transformador da infância e celebra os “santos meninos” que habitam cada um de nós.
Mais sobre Enio
Enio é um destacado artista da música afro contemporânea brasileira, vencedor do prêmio Caymmi com seu álbum “AXÉ”. Ele se prepara para lançar “O ELO REAL TRANSFORMA” em 2025, um projeto que promove o diálogo entre gerações e linguagens artísticas. Com uma carreira repleta de sucessos, Enio foi produtor musical do show de Larissa Luz e diretor musical de Luedji Luna, além de ter atuado como diretor musical e curador do Festival Afropunk Bahia. Ele também dirigiu musicalmente o espetáculo “Pequeno Manual Antirracista” de Djamila Ribeiro e criou trilhas sonoras para o cinema baiano. Enio colabora com grandes nomes como Margareth Menezes, Mateus Aleluia e Carlinhos Brown, consolidando-se como uma figura central na cena musical afro-brasileira.
IXI (se pronuncia ixi) é um projeto/selo desenvolvido pelo artista Enio, que há mais de 10 anos investiga novas formas de fruição e consumo da música a partir de experiências sensoriais envolvendo múltiplas linguagens artísticas e tecnologias. A partir de um conceito inovador que tem seu propósito na celebração do encontro, no diálogo entre vanguarda e tradição, o projeto busca a construção do ELO REAL entre as pessoas, e assim criar sentidos diferenciados para os produtos culturais oferecidos, fazendo a diferença em mundo com excesso de informações e estímulos que disputam a atenção do público.
O processo de criação do seu segundo álbum de carreira solo, “O ELO REAL TRANSFORMA” também se dará em uma residência artística no Teatro Gamboa com artistas e não artistas convidados a tratar da música e da arte através das relações humanas e junto a isso uma programação de atividades e shows durante o segundo semestre como preparação para o lançamento juntamente de um artbook com conteúdos curados e editados em formato digital.
Mais sobre Vírus
A pluralidade de sua arte é um reflexo direto de tudo que o atravessa e o forma. Esta talvez seja a forma mais direta de apresentar Jonatan Moreira, que pelo nome Vírus Carinhoso se apresenta como um artista multidisciplinar do subúrbio ferroviário de Salvador, na Bahia. Filho de Orlando Santanta Moreira pintor e mãe Leonice Galdino de Souza Cozinheira, o soteropolitano iniciou sua trajetória artística ainda na infância, quando ingressou no grupo de teatro Herdeiros de Angola. Ali foi a porta de entrada para uma sequência de primeiras experimentações que o direcionaram para a Cia de Teatro BIML, durante a adolescência. Entre um coletivo e outro, as habilidades cênicas e criativas foram aflorando uma carreira que hoje acumula dois EPs, um álbum e diversos singles lançados desde 2020, quando começou a botar música na rua – vários destes lançamentos inclusive chegaram por meio do selo 999, projeto de Baco Exu do Blues. Agora, toda esta trajetória ímpar culmina em importantes reconhecimentos, como integrar a curadoria dos 50 nomes globais para o projeto FIFTY DEEP Music Class of 2024 – em que o YouTube selecionou artistas globais promissores em comemoração aos 50 anos do Hip-Hop.
O primeiro coletivo de arte, música e poesia era chamado “Roupa Suja”, um espaço criado por Vírus para ser ponto de expressão para jovens artistas como ele. As primeiras memórias afetivas de Vírus com a arte são profundamente ligadas à sua família, especialmente ao teatro e ao movimento hip-hop, influências transmitidas por seus irmãos mais velhos. Essas experiências iniciais foram fundamentais para moldar sua sensibilidade artística, algo que ele só veio a compreender plenamente anos depois, durante a ocupação do Ministério da Cultura em Salvador, em 2017 – momento em que escreveu sua primeira poesia. Pouco depois, lançou sua primeira música pelo selo independente que liderava, o “Lápide Rec”, e em seguida, passou a integrar o selo 999 (encabeçado por Baco Exú do Blues), onde continuou a expandir sua presença na cena musical.
Em 2022, Vírus alcançou um marco importante em sua carreira com o lançamento do álbum VxRxS, que contou com colaborações nacionais e internacionais – como a madrilenha Sila Lua –, consolidando sua reputação como um artista inovador. No ano seguinte, ele lançou o curta-metragem “Sankofa”, gravado no Quilombo do Quingoma, um trabalho que refletiu sua profunda conexão com suas raízes afro-brasileiras e seu compromisso com a cultura e a história negra. Ainda em 2023, Vírus participou da aceleração artística da Novíssimos Lab, uma iniciativa que impulsionou ainda mais sua carreira. Seu som é resultado de uma fusão de diferentes estilos e influências, refletindo sua identidade multifacetada. Vírus descreve sua sonoridade como “Música do Gênero Vírus”, uma mistura de ritmos que vai do Rap ao Afrobeats, do Amapiano ao Samba Reggae, passando pela música eletrônica. Suas suas referências na música incluem: Sun Ra, Beyoncé, Tyler The Creator e Vandal. Na dança, ele se inspira em Negri Zu, Luan Sanches e Zebrinha. Em termos de performance, admira Mamba Negra, Malayka SN e Shankar, enquanto no campo visual se inspira em Moxca, Larissa Machado, Edvaldo Raw e Og Cruz.
Marcado por um crescimento eruptivo, o artista baiano começou o ano de 2024 com uma performance marcante na exposição “Raízes”, no Muncab, ao lado de mais de 80 artistas brasileiros e africanos. Seu novo projeto, o curta-metragem “Karkará” (co-dirigido por ele mesmo), exemplifica sua abordagem eclética e pessoal à criação musical contada em partes: o primeiro ato com o single “SCANK VIVE”, em póstuma homenagem ao seu irmão e artista, e é contornado pelo sentimento de redenção e se baseia na pesquisa dos Adinkras e ideogramas; o segundo com o EP O Nó, versando sobre resiliência e sabedoria nas escolhas; e, por fim, a conclusão se dá com um ideograma criado por Vírus que significa “quem renasce das cinzas de um Karkará, pronto para a vida está”, com o álbum Karkará.
Serviço
Show: Enio IXI Vírus em Encontros Híbridos – Viva os Santos Meninos
Quando:28 de setembro de 2025, 19h
Onde: Casa de Castro Alves – Centro Histórico de Salvador
Entrada: gratuita, com credenciamento no local ou inscrição pelo Instagram da Casa de Castro Alves

O texto me parece fascinante pela riqueza de vozes e histórias que apresenta! Fico particularmente curiosa sobre como Enio e Vírus vão se encontrar no palco do Movimento Irun – a ideia de fundir suas linguagens em Encontros Híbridos soa incrivelmente poderosa, como um verdadeiro diálogo entre tradição e inovação. A forma como ambos carregam as raízes afro-brasileiras em suas criações, seja através da Música do Gênero Vírus ou das experiências sensoriais do projeto IXI, ressoa fortemente. Adorei ver como suas trajetórias, desde o teatro infantil de Vírus até o trabalho multidisciplinar de Enio, se conectam em um eco de criação e transformação. Espero que essa colaboração não apenas divirta, mas também nos faça refletir sobre a força das conexões humanas e artísticas!