O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury, é Lançado em Versão Física pelas Edições Sesc
O quarto livro da coleção Discos da Música Brasileira, O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury, lançado inicialmente em e-book, acaba de ganhar sua versão impressa.
Neste volume, o jornalista baiano Luciano Matos entrevistou artistas e compositores – como Letieres Leite (1959-2021), além de Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Liminha, Vovô do Ilê, Márcia Castro e Márcia Short – para recontar a história e os bastidores do disco e do estilo que surgiu na Bahia e ganhou as ruas pelo Brasil.
O livro tem como ponto de partida um show da cantora realizado em São Paulo, no vão do Masp. Em junho de 1992, ela, ainda pouco conhecida do grande público, parou a Avenida Paulista em pleno meio-dia, mas sua apresentação foi interrompida, após 40 minutos, por conta da enorme concentração de pessoas e da forte vibração sonora que poderia abalar a estrutura do museu. É justamente a partir desse fato que contribuiu para a consolidação da chamada axé music que Matos conta a história de Daniela e do álbum O canto da cidade.
Entretanto, como a história é sempre maior e mais abrangente do que as 12 faixas de um disco, o autor volta às origens do que seria absorvido por essa cena musical que surgia: os blocos afro. No livro, ele reconta a trajetória de seus maiores representantes na capital baiana, como Ilê Aiyê, Olodum, Malê Debalê, Muzenza e Ara Ketu, e volta à origem da batida de Neguinho do Samba, Mestre Jackson e Ramiro Musotto que somou aos timbaus e repiques da levada do reggae uma poderosa batida grave de surdos, dando vez ao samba-reggae.
De acordo com Matos, o resultado desse encontro da cantora com os blocos e com o samba-reggae aparece já no primeiro disco: “Swing da cor”, música de trabalho do álbum, descoberta em um festival do bloco Muzenza e gravada com a percussão do Olodum e Neguinho do Samba. “A gente estava descendo a ladeira de São Bento [no trio], quando Marcionílio perguntou se eu já tinha ouvido a música nova do Olodum. Eu não conhecia ainda. Então ele cantou um trecho de ‘Faraó’ e o povo respondeu. Aquilo foi incrível. Fiquei enlouquecida. Era um samba novo, uma síntese nova. Uma estrutura louca, uma música longa e interessante. Era muito diferente”, lembra Daniela em entrevista ao autor.
“A enorme visibilidade alcançada por Daniela serviu para escancarar de vez o que já era realidade na Bahia. A música pop baiana, que ganhou o apelido de axé music, virava uma realidade nacional sem que os artistas precisassem sair de lá, como antes acontecera com quase toda a música surgida fora de Rio de Janeiro e São Paulo”, afirma Matos. Além de se enveredar pelos meandros da axé music, ele aborda o embranquecimento promovido por esta indústria e seu modus operandi.
Em seu prefácio para o livro, o organizador da coleção, o crítico e jornalista Lauro Lisboa Garcia, diz: “Os êxitos musicais e influências de Daniela Mercury, como se comprova, foram muito além do álbum de 1992. Cercada de profissionais do alto escalão, como Liminha, Ramiro Musotto, Carlinhos Brown, Letieres Leite, Alfredo Moura e Neguinho do Samba, ela faria na sequência outros álbuns consistentes e de expressiva repercussão popular, como Música de rua (1994), Feijão com arroz (1996), Sol da liberdade (2000) e Carnaval eletrônico (2004), mas O canto da cidade é a mola propulsora de seu sucesso e de todo um cenário que se elevou a partir dali& rdquo;. Ainda de acordo com ele, além de contar a história do álbum – tocando, também, em pontos obscuros –, Matos realiza um robusto documentário sobre o momento de maior visibilidade e popularidade da axé music. E finaliza: “Atrás daqueles baianos só não foi quem já estava morto”.
SOBRE O AUTOR
Baiano de Salvador, Luciano Matos é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e produtor cultural. Mantém, há mais de 20 anos, o site sobre música el Cabong (****@************om.br/True” target=”_blank” rel=”noopener noreferrer” data-auth=”NotApplicable” data-linkindex=”0″ data-ogsc=”windowtext”>www.elcabong.com.br). Desde 2008, produz e apresenta o programa Radioca, na rádio Educadora FM (Bahia), e é um dos responsáveis pelo festival musical Radioca. Além de ex-editor do site i Bahia, colaborou em jornais, portais e revistas como A Tarde, UOL e Showbiz.
Ficha Técnica:
O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury
Autor: Luciano Matos
Edições Sesc São Paulo, 2021
1ª impressão, 2023
Coleção Discos da Música Brasileira
Número de páginas: 211
ISBN: 978-65-86111-64-4
Preço de capa: R$ 40,00
Os títulos das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc São Paulo, nas principais livrarias, em aplicativos como Apple Store e Google Play e também
Sobre a coleção Discos da Música Brasileira
A Coleção discos da música brasileira é uma série de livros lançados inicialmente em e-book e que vem sendo gradativamente disponibilizada em formato físico. Apresenta, em cada volume, a história de um importante álbum que marcou a música, seja pela estética, por questões sociais e políticas, pela influência sobre o comportamento do público, como representantes de novidades no cenário artístico ou, também, por seu impacto no mercado fonográfico. Analisando as obras de um ponto de vista histórico, cultural, social e estético, os textos propõem apresentar narrativas em forma de livro-reportagem, ouvindo as pessoas envolvidas na criação do álbum e aprofundando-se em detalhes sobre as canções, contando histórias de bastidores das gravações e estabelecendo elos com o presente, desenhando uma cadeia de influências que permite um olhar sobre a música brasileira hoje. A coleção Discos da Música Brasileira, publicada em português e em inglês, tem organização do crítico musical Lauro Lisboa Garcia.
Atualmente com cinco volumes lançados em e-book e quatro com versões físicas, a coleção se iniciou com a publicação digital Da lama ao caos: que som é esse que vem de Pernambuco? do jornalista e crítico musical José Teles, que destrincha o álbum de Chico Science e Nação Zumbi, um dos mais representativos da cena manguebeat. O segundo volume da coleção é o livro Acabou Chorare: o rock’n’roll encontra a batida de João Gilberto, do jornalista e escritor Marcio Gaspar, que analisa o icônico álbum dos Novos Baianos. Já a terceira obra é o África Brasil: Um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver, da jornalista e pesquisadora musical Kamille Viola. O quarto livro é O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury, do jornalista e produtor cultural Luciano Matos. As publicações acima já estão disponíveis em formato físico e o título Refazenda: o interior floresce na abertura da fase “Re” de Gilberto Gil, da jornalista e pesquisadora Chris Fuscaldo, está disponível apenas em e-book, por enquanto.
SOBRE AS EDIÇÕES SESC SÃO PAULO
Pautadas pelos conceitos de educação permanente e acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam livros em diversas áreas do conhecimento e em diálogo com a programação do Sesc. A editora apresenta um catálogo variado, voltado à preservação e à difusão de conteúdos sobre os múltiplos aspectos da contemporaneidade.
