Aldeia Nagô
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O Globo defendendo a Ditadura

4 - 5 minutos de leituraModo Leitura

Editorial de "O Globo", em 02/04/1964






Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas,
independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre
problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a
ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus
chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a
disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em
arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a
garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome
da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como
se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para
que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os
direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas
desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem,
da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao
comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de
que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não
mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem
agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos
felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que
as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e
a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao
Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições
permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a
autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a
disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos
limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um
símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação
e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião
realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários
da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados,
nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as
Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de
seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos
vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores
conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado
das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os
mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as
Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso
povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento
vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi
contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada
dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do
País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os
chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como
sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos.
Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para
que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o
povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar
a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande
favor.

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