Aldeia Nagô
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O jornalismo ordinário. Por Beta Bastos

2 - 3 minutos de leituraModo Leitura

A atuação de Malu Gaspar tem seguido um roteiro conhecido e cada vez mais desgastado, de insinuar antes de provar, sugerir conflitos onde há fatos ordinários e apostar na dúvida como ferramenta de desgaste público.

Não se trata de crítica jornalística legítima, mas de um método que privilegia a suspeição permanente, quase sempre amparada em fontes anônimas e conexões indiretas que não se sustentam quando confrontadas com os fatos.

Esse padrão não é novo. Durante a Operação Lava Jato, Malu Gaspar esteve entre os nomes que ajudaram a naturalizar narrativas punitivistas, baseadas em vazamentos seletivos, delações frágeis e “convicções” apresentadas como prova.

O tempo e as decisões do Supremo mostraram o que muitos alertavam desde então, abusos processuais, atropelo de garantias e uma construção narrativa que não resistiu ao devido escrutínio jurídico.

Ainda assim, raramente houve autocrítica ou revisão de método.

Hoje, o alvo preferencial parece ser Alexandre de Moraes.

A estratégia é clara, não enfrentar suas decisões no campo jurídico, mas tentar descredibilizá-lo no campo simbólico e moral.

Reuniões institucionais viram suspeitas; relações profissionais legais viram insinuações de conflito; esclarecimentos públicos são tratados como reação defensiva, nunca como fato que encerra o debate.

O objetivo não é informar o leitor, mas semear desconfiança.

Mesmo quando não há prova de irregularidade, a dúvida é lançada, e isso basta para produzir desgaste.

É o jornalismo da sugestão, não da demonstração. O leitor é conduzido a concluir algo que o texto não afirma explicitamente, mas insinua o tempo todo.

Esse tipo de prática é especialmente grave quando direcionada a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ao tentar enfraquecer a credibilidade de Alexandre de Moraes sem base factual sólida, o que se atinge não é apenas uma pessoa, mas a confiança nas instituições.

Questionar o poder é essencial; minar reputações com insinuações recorrentes é irresponsável.

Jornalismo sério se sustenta em documentos, provas, contexto e contraditório real.

Quando a insinuação vira método, como já ocorreu na Lava Jato e se repete agora, a credibilidade deixa de ser um pressuposto e passa a ser um problema.

Não por discordância ideológica, mas por falta de rigor. E isso, cedo ou tarde, o público percebe.

Beta Bastos é Comunicadora | Feminista | Progressista

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