Os Quase pretos. Por Walmir França S. Kitekuê
O movimento negro de Salvador tem a sua própria “fábrica de moer gente” — digo isso com muitas ressalvas, mas observando algo que me inquieta: o comportamento, tanto de novas quanto de velhas lideranças, que muitas vezes apaga, com uma espécie de “perda de memória qualificada”, aquilo que já foi feito em prol da nossa comunidade.
E se isso acontece entre nós, imagine com pessoas que têm a pele de cor diferente da minha?hahahaha!
Nesta nossa conversa de hoje, quero listar algumas pessoas que considero fundamentais para conhecermos — ou para relembrarmos.
Quem conhece Yêda Pessoa de Castro sabe que é uma renomada etnolinguista, reconhecida internacionalmente por suas pesquisas sobre a influência das línguas africanas no português do Brasil. Com mais de 40 anos dedicados ao estudo das culturas africanas, destacou-se especialmente na investigação do grupo Banto e seu impacto no vocabulário brasileiro. É autora de obras fundamentais como Falares Africanos na Bahia, considerado o mais completo vocabulário afro-brasileiro, e A Língua Minageje no Brasil.
Marco Aurélio Luz é professor, pesquisador e escritor amplamente reconhecido por seu trabalho na preservação da cultura afro-brasileira e das matrizes civilizatórias africanas no Brasil.
Juanita Elbein dos Santos, antropóloga argentina radicada no Brasil, é considerada uma das maiores autoridades nos estudos da cultura nagô e das religiões de matriz africana. Foi professora da UFBA e fundadora da SECNEB (Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil). Sua obra mais influente, Os Nagô e a Morte, publicada em 1975, é tida como um clássico da antropologia por detalhar a ritualística e a concepção de morte e ancestralidade no candomblé.
Ordep Serra (Ordep José Trindade Serra) é antropólogo, escritor e pesquisador baiano, reconhecido como uma das principais vozes no estudo das religiões afro-brasileiras e do patrimônio imaterial. Teve papel decisivo no tombamento de terreiro da Casa Branca. Entre suas obras mais importantes estão Águas do Rei, sobre liturgia e simbolismo no candomblé, e Os Olhos Negros do Brasil, que analisa a resistência e estética dessas religiões.
Jefferson Bacelar (in memoriam) foi um eminente antropólogo e historiador, especialista na cultura negra e na história social de Salvador. Professor da UFBA e pesquisador do CEAO, contribuiu significativamente para os estudos da diáspora africana. Entre suas obras destacam-se A Hierarquia das Raças, sobre desigualdades raciais no Brasil, O Negro em Salvador: Atalhos Raciais, e a biografia Mário Gusmão: Um Príncipe Negro nas Terras do Dragão da Maldade.
Emiliano José, jornalista, escritor e político, é outra figura importante na difusão da cultura e da causa negra, com atuação marcante na imprensa e na vida pública. Quando foi Deputado Estadual do Estado da Bahia, propos o Capitulo do Negro na Constituição Estadual de 1989, e quando vereador em 1998 realizou a primeira sessão especial em homenagem a Revolta dos Malês.
Todos essas pessoas, foram e são importantes no enfrentamento ao racismo e na construção de um estado brasileiro que aceite e cuide da nação que tem.
Aueto Sambangola!!
Walmir França Kitekuê é fazedor cultural e Tata de Caiango

