Aldeia Nagô
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Os vazamentos do WikiLeaks, o genocídio do povo palestino televisionado, a cisão geracional judaica e a censura digital.

2 - 3 minutos de leituraModo Leitura
Camila_Ribeiro

Julian Assange previu o que iria acontecer: o desenvolvimento tecnológico que tornou mais fácil e abundante o vazamento de informações provocaria uma reação de tentativa de censura digital, e, portanto, uma tentativa de retroceder o uso da tecnologia de informação.

Antes de ser preso, Assange refletiu sobre a digitalização da informação tornar mais fácil a cópia, o tráfego e o vazamento de informação secreta (provas de crimes especialmente). Ele declarou que a avalanche de documentos vazados de governos, de empresas e de organizações, futuramente, provocaria uma necessidade de retrocesso na forma tecnológica de documentação e/ou transmissão de dados. Ou seja, para dificultar novos vazamentos, os grupos criminosos teriam que evitar a digitalização de dados, no arquivamento e/ou na transmissão e acesso.
Esse retrocesso tecnológico interferiria não apenas na facilitação de acesso e de vazamentos de informações, mas na eficiência de Estados, corporações e organizações.

Semana passada tivemos um exemplo disso. Uma ex-porta-voz do governo Obama teve viralizada sua fala num encontro sionista. Ela reclamou que a juventude judia dos EUA, por influência dos vídeos que mostram o genocídio palestino no TikTok, teriam “entendido erradamente” a lição que deveriam aprender nas aulas sobre o genocídio judeu na 2a. Guerra Mundial.

Por mais que a “contextualização” sionista tente na prática negar, para a ex-porta-voz, Sarah Hurwitz, as informações inegáveis dos massacres diários perpetrados pelo exército de Israel na Faixa de Gaza criaram na juventude judaica dos EUA a “errônea” compreensão de que a lição a ser aprendida é que genocídio ocorre não apenas com o povo judeu, mas com o palestino, e que a tecnologia de morte testada no corpo do povo palestino é depois replicado no povo negro nos EUA. E o pior, para a ex-porta-voz de Obama (o genocida mais carismático que os EUA já teve como presidente), a pior lição mais “errada” aprendida pela juventude judia dos EUA sobre o holocausto judeu é que “nunca mais” é nunca mais para povo nenhum. Essa compreensão “errada” provocada pela avalanche de vídeos dos massacres na Faixa de Gaza (que o Tribunal Penal Internacional definiu como genocídio) seria causadora de uma repulsa ao estado de Israel e uma recusa da juventude judaica dos EUA em apoiar o sionismo.

A porta-voz indicou como remédio urgente para sanar o que ela chamou de divisão geracional na comunidade judaica dos EUA: retrocesso de tecnologia da informação. Judeus deveriam ser proibidos de usar smartphones até chegar aos 18 anos. Chega de TikTok. Chega de smartphone. Ela mesmo falou em retirar os smartphones da garotada e lhes entregar “dumb phones” (telefones burros, sem internet).

Hilariante. E patético.
Aposto que Julian Assange deu muita risada se ele ficou sabendo da recomendação da senhora ex-porta-voz de Obama.

Não dá para apagar da memória um genocídio.
Nem da memória digital, nem da memória neural. Os suicídios de soldados israelenses comprovam o que Drummond escreveu: o mau cheiro da memória é insuportável.

Se a memória fede, a consciência sempre cobra.
E o TikTok é a nota fiscal.

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