Aldeia Nagô
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“Pedrinhas Miudinhas – Ano II” chega a Luanda e amplia diálogos entre Brasil e Angola

2 - 3 minutos de leituraModo Leitura

Travessias sensíveis entre memória, ancestralidade e encontro no Atlântico Negro

A circulação internacional de obras artísticas nem sempre implica diálogo real entre territórios. Muitas vezes, desloca-se o objeto sem deslocar a escuta. A pesquisa visual Pedrinhas Miudinhas – Ano II, do artista e pesquisador David Sol, parte de outra premissa: a de que viajar é produzir relação. Ao sair de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e chegar ao Instituto Guimarães Rosa, em Luanda (Angola), o projeto não propõe apenas uma exposição, mas a construção de um campo compartilhado de memória entre margens historicamente conectadas pelo Atlântico.

O trabalho investiga como a experiência afro-indígena brasileira preserva traços de continuidade com matrizes africanas não apenas na dimensão histórica, mas no sensível — no gesto, no rito, na paisagem cotidiana. Ao reunir pintura, fotografia e escrita, a pesquisa elabora imagens que dialogam com os terreiros do Recôncavo Baiano, seus caboclos, cobras corais, festas e imaginários espirituais. A materialidade dessas imagens não opera como documento etnográfico, mas como linguagem de reconhecimento: uma tentativa de tornar visível aquilo que a experiência ancestral mantém em circulação.

Essa perspectiva foi experimentada anteriormente em Maputo, no Museu Mafalala (Moçambique), onde a mostra integrou uma colaboração com o Instituto Guimarães Rosa e mobilizou comunidades locais, artistas e visitantes em oficinas, rodas de conversa e vivências estéticas. Ali, a obra demonstrou que o deslocamento da arte pode gerar encontro quando se orienta pela escuta e não pela representação do outro.

Em Luanda, Pedrinhas Miudinhas: Atlântico Negro aprofunda essa hipótese. O Instituto Guimarães Rosa torna-se espaço de troca, onde imagens funcionam como mediadoras entre experiências africanas e afro-brasileiras. O miúdo das pedras, marcas do cotidiano, memórias visuais e encantamentos, evidencia vínculos que sobrevivem ao tempo e à distância. A exposição argumenta, assim, que a diáspora não é apenas ruptura histórica, mas também continuidade sensível.

Mais do que itinerância cultural, esta etapa afirma que arte e ancestralidade não pertencem a um único território; elas habitam uma rede de experiências compartilhadas. Ao transformar pequenas pedras em metáfora de permanência, o projeto sustenta que identidade se constrói na escuta e no reconhecimento mútuo. Nesse sentido, Pedrinhas Miudinhas propõe uma política do encontro: pequenas imagens como sementes de pertencimento, cura e reaproximação. O Ano II da pesquisa abre, portanto, um percurso de navegação simbólica pelo Atlântico Negro, não como passado a ser lembrado, mas como campo vivo de relações em permanente atualização.

O projeto “Pedrinhas Miudinhas: Edição Atlantico Negro” tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia.

Programação

04/03 – 9h | Abertura para visitação pública
05/03 – 10h | Abertura institucional e diálogo aberto
06/03 – 10h | Apresentação de pesquisa e visita guiada

Pedrinhas Miudinhas
Ano II – Atlântico Negro
Circulação Artística e Pesquisa de David Sol
Local: Instituto Guimarães Rosa (Luanda – Angola)
Data: 03 a 10 de março

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