Pesquisa faz mapeamento sobre cadeia produtiva e redes profissionais no audiovisual da Bahia
Em todo o mundo, o setor audiovisual é um dos mais proeminentes da economia criativa e um dos que mais cresceram na década passada. Entretanto, no Brasil, o desmonte das políticas federais, associado à pandemia Covid-19, tem afetado significativamente o segmento. Na Bahia, onde o setor vinha registrando crescimento constante nos últimos anos, também houve uma retração na economia do audiovisual em 2020. Segundo estimativa da Agência Nacional de Cinema
(Ancine), existiam 311 produtoras audiovisuais cadastradas no estado em 2017. Entre 2008 e 2020, foram produzidos 110 longas metragens na Bahia.
Para evidenciar as dinâmicas de interação que viabilizam a produção audiovisual no estado, foi lançada a pesquisa “Audiovisual Baiano em Rede” com parceria do Observatório de Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA). A pesquisa vai mapear a organização produtiva e as redes de relacionamento dos agentes do audiovisual no estado para sistematizar e divulgar informações que promovam novas colaborações entre os realizadores do setor; melhorem os processos decisórios dos agentes e subsidiem a elaboração de políticas públicas de fomento ao audiovisual.
A pesquisa será realizada em duas etapas simultâneas. A primeira promoverá a caracterização da organização produtiva do audiovisual baiano através do levantamento e da análise de dados em bases oficiais, como o Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e a Ancine. Já as redes de interação serão mapeadas a partir de entrevistas diretas com empresas baianas que exercem atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão. O formulário está disponível até o dia 1º de março, segunda-feira, no site www.obec.ufba.br/redeavba, para preenchimento por produtoras baianas.
Os resultados serão compilados em formato de e-book e amplamente divulgados na internet. O OBEC-BA espera que a iniciativa possa gerar informações relevantes para quem atua no audiovisual: empresários, artistas, técnicos, fornecedores, além de estudantes, pesquisadores e gestores públicos. Os dados poderão ajudar na construção de indicadores que identifiquem potencialidades e limitações do campo, informações indispensáveis para entendimento da organização do segmento audiovisual baiano e formulação de políticas públicas mais eficazes.
Dados e contexto
De acordo com Carmen Lima, coordenadora da pesquisa e professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a escassez de dados periódicos e sistematizados afeta todo o setor cultural, o que dificulta o processo decisório dos agentes e a formulação de políticas públicas. “Em termos de organização produtiva, sistematizaremos os dados oficiais disponíveis sobre o audiovisual baiano. Eles podem fornecer as principais características das produtoras audiovisuais como: porte, natureza jurídica, ocupação, participação de acordo com os municípios e modificações na última década”, detalha a doutora.
Nayanna Mattos, pesquisadora e produtora executiva do projeto, conta que as conexões entre os profissionais do audiovisual acontecem em diversos níveis. “Muita gente está envolvida numa produção audiovisual, desempenhando diversas funções. Por isso, com esta pesquisa, queremos entender de que forma essas conexões acontecem e como essas redes se estabelecem”, completa a proponente da pesquisa.
Análise das redes sociais e da organização produtiva do segmento audiovisual na Bahia
O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.
“Audiovisual baiano em rede”
Formulários da pesquisa disponíveis em www.obec.ufba.br/redeavb
(para preenchimento de produtoras baianas até 1º de março)
