Pesquisa inédita revela os hábitos culturais dos moradores de Salvador
Levantamento Cultura nas Capitais detalha acesso, preferências e potenciais da capital baiana;
Segundo os dados, Salvador é a capital que apresenta o maior índice de doações a instituições e projetos culturais;
Gospel é o estilo musical preferido (28%), seguido de MPB (24%); soteropolitanos estão entre os que mais vão a desfiles de Carnaval
Estudo contou com 19.500 entrevistas presenciais em todas as 26 capitais e no Distrito Federal;
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Resultados, metodologia, infográficos e relatórios completos: www.culturanascapitais.com.br
Salvador (BA), abril de 2025 – A pesquisa Cultura nas Capitais, maior levantamento sobre o tema já produzido no Brasil, analisou o comportamento dos moradores das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal, revelando padrões de acesso, exclusão e preferências culturais. De cordo com os dados, Salvador se destaca pelo interesse da população em apoiar o setor. Entre os entrevistados, 30% disseram ter feito doações para instituições e projetos culturais, o maior percentual entre todas as capitais (a média da pesquisa ficou em 23%). Junto com São Paulo, é a capital onde mais gente (90%) concorda que o governo deve dar atenção prioritária à arte e à cultura.
O levantamento ouviu 19.500 pessoas em todas as capitais brasileiras, incluindo 600 moradores de Salvador, entre fevereiro e maio de 2024. O trabalho foi realizado pela JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura, com parceria da Fundação Itaú.
A partir da investigação dos dados é possível traçar um panorama dos hábitos da população de Salvador, que mostra potenciais e desafios no campo cultural na capital baiana. Confira alguns dos principais achados do levantamento na cidade:
• Salvador está entre as capitais onde os moradores mais valorizam o Carnaval. Entre os entrevistados, 22% consideram a festa o evento mais importante da cidade. O índice é superado somente por Rio de Janeiro (27%) e Recife (36%).
• Está entre as capitais onde as pessoas mais participam dos desfiles de Carnaval (17%). O percentual só está abaixo da proporção do Recife (22%).
• Em Salvador, o gospel é o estilo musical preferido dos moradores (28%), seguido pela Música Popular Brasileira (24%). A capital baiana está entre as capitais em que as pessoas menos ouvem funk: apenas 7% responderam escutar o estilo, contra 11% da média das capitais. É também uma das capitais onde mais se ouve samba (15%, contra 11% da média nacional) e axé (14%).
• Salvador está entre as capitais do Nordeste com maior acesso a locais históricos. O percentual é de 46%, numericamente acima da média da pesquisa, 45%.
• É a capital onde as pessoas mais dão importância a temas ligados a cor/raça ao escolher uma programação cultural (84%, contra 71% no total da pesquisa). É uma das capitais em que mais pessoas se importam com temas ligados a gênero e orientação sexual ao escolher uma programação cultural (72%, contra média de 64% na soma das capitais).
• Feiras de livros (20%), circo (13%) e sarau (10%s) são as atividades culturais com percentuais um pouco abaixo da média nacional, mas dentro da margem de erro.
• Salvador está entre as capitais do Nordeste com menor acesso a festas populares (30%) e apresentações de dança (20%).
Comparativo de Salvador com a média das demais capitais
A partir do levantamento é possível comparar o desempenho no acesso às atividades culturais de Salvador em relação à média das capitais brasileiras. Confira o cruzamento dos dados:
● Feiras do livro: Em Salvador, 20% dos entrevistados disseram ter frequentado o evento ao menos uma vez no ano anterior à pesquisa. O percentual, considerando a margem de erro, é praticamente o mesmo da média das capitais: 21%.
● Circo: Dos entrevistados, 13% acessaram circos ou apresentações circenses nos 12 meses anteriores à pesquisa, percentual similar ao da média nacional (14%).
● Saraus: O acesso aos saraus também apresentou percentual próximo ao da média das capitais (10% contra 12%).
● Festas populares: Na comparação com a média das capitais, o acesso às festas populares apresentou percentual bastante próximo. Em Salvador, 30% dos entrevistados disseram ter ido a eventos do segmento. A festa junina foi a mais citada (78%) por esses entrevistados, seguida por desfiles de Carnaval (56%) e blocos de Carnaval (44%).
● Visita a locais históricos: Na capital baiana, o acesso a locais históricos apresenta um dos maiores percentuais entre as atividades pesquisadas. Dos entrevistados, 46% frequentaram nos 12 meses anteriores à pesquisa, numericamente acima dos 45% relativos à média das capitais.
● Shows de música: O percentual de moradores de Salvador que frequentaram shows nos 12 meses anteriores à pesquisa está próximo da média das capitais (37% e 41%, respectivamente).
● Leitura de livros: Na capital baiana, 58% dos moradores afirmaram ter lido ao menos um livro no ano anterior à pesquisa. O percentual ficou próximo ao da média nacional de 62%.
● Jogos eletrônicos: Entre as atividades pesquisadas, os jogos eletrônicos aparecem com um dos maiores percentuais em Salvador (46%). No entanto, está distante da média das capitais (51%).
● Cinema: Dos moradores de Salvador, 42% disseram ter ido ao cinema ao menos uma vez no ano anterior à pesquisa. O percentual ficou abaixo da média nacional (48%).
● Dança: Em Salvador, o percentual de frequência nos espetáculos de dança foi de 20%, um pouco abaixo da média nacional, de 24%.
● Museus: Na capital baiana, a frequência em museus ficou aquém na comparação com a média da pesquisa. O percentual de acesso é de 16%, contra 27%.
● Concertos de música clássica: Das 14 atividades pesquisadas, a que os moradores de Salvador menos acessam é concerto (6%, próximo da média das capitais, de 8%).
● Teatro: Em Salvador, 20% dos entrevistados afirmaram ter assistido a uma peça de teatro, percentual inferior à média das demais capitais, 25%. Outro dado relevante é o fato de ser a cidade onde as pessoas mais disseram ir sozinhas ao teatro— 33% dos frequentadores relataram não ter companhia nessa atividade, quase o dobro da média da pesquisa, de 17%.
● Bibliotecas: O acesso a bibliotecas em Salvador é de 19%, inferior ao da média das capitais (25%).
Variação nos últimos dez anos
A pesquisa de hábitos culturais de 2024 foi a terceira realizada pela JLeiva em Salvador com a metodologia semelhante. As outras ocorreram em 2014 e 2017. Em dez anos, o acesso a quase todas as atividades diminuiu. As quedas maiores estão em festas populares (tombo de 22 pontos percentuais: 53% em 2014, 36% em 2017 e 30% em 2024), cinema (recuo de 15 pontos percentuais: 57% em 2014, 60% em 2017 e 42% em 2024), shows (queda de 14 pontos percentuais: 51%, 45% e 37%, respectivamente) e bibliotecas (queda também de 14 pontos: 33%, 31% e 19%). Confira tabela abaixo.
“Em todas as capitais onde já havíamos pesquisado, o acesso recuou em 2024. Mas sabemos que a queda maior mesmo foi durante a pandemia, quando a grande maioria das atividades teve público zero, porque os espaços culturais estavam fechados. Será preciso fazer pesquisas mais adiante para saber se a recuperação que aconteceu desde a pandemia se acentuará ou se os patamares de 2024 vão se manter”, afirma João Leiva, diretor da JLeiva Cultura & Esporte.

Interesse do público e possibilidades para crescimento
A pesquisa de 2024 também mediu a estimativa do público potencial de cinco atividades culturais. Foram consideradas respostas das pessoas que não frequentaram eventos nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas demonstraram alto interesse em frequentar. Se o alto interesse se transformasse em acesso de fato, o acesso cultural na cidade seria consideravelmente maior.
● Shows: Mais da metade dos entrevistados disseram não ir a shows (63%), mas 26% manifestaram alto interesse pela atividade. Esse público potencial está entre os maiores encontrados na pesquisa, ao lado de Fortaleza (29%) e Porto Velho (26%).
● Teatro: Salvador apresenta um alto percentual de entrevistados que não foram ao teatro (80%). Mas, entre eles, 37% gostariam muito de ir. Dessa forma, somado à proporção dos que foram (20%), o púbico potencial ultrapassaria 50%.
● Festas populares: Uma grande parcela de pessoas não compareceu a festas populares no ano anterior à pesquisa (70%). Destas, somente 17% manifestaram o desejo em participar. Assim como Porto Alegre e Curitiba, é uma das capitais onde menos entrevistados dizem ter alto interesse em festas populares (36%, contra 44% da média da pesquisa).
● Museus: Dos entrevistados em Salvador, o percentual de pessoas que não foram a museus é bastante elevado (84%). Destes, 32% disseram que gostariam de visitar espaços museológicos, o que resultaria em quase 50% de frequência.
● Dança: Na capital baiana, 80% dos entrevistados não foram em apresentações de dança no ano anterior à pesquisa. Destes, 27% desejam conferir os espetáculos no segmento, representando um aumento de mais de 50% em relação ao público atual (20%).
Oportunidades para políticas públicas e investimentos
Moradores de Salvador demonstram interesse em várias atividades culturais, sugerindo alto potencial de crescimento no setor cultural. Para tanto são necessários mais investimentos do poder público e da iniciativa privada. A seguir estão algumas oportunidades a serem exploradas:
• Junto com São Paulo, Salvador é a capital onde mais gente concorda que o governo deve dar atenção prioritária a cultura (90%). Um grande indicativo de que há público interessado no acesso às atividades no setor.
• Salvador é a capital onde as pessoas mais dão importância a temas ligados a cor/raça ao escolher uma programação cultural (84%, contra 71% no total da pesquisa). O percentual de pessoas que preferem a arte brasileira em vez da estrangeira também é alto (76%).
• Moradores de outras 15 capitais relataram que o último museu visitado foi em Salvador. Esse cenário demostra o interesse pela cultura e o turismo na cidade, reforçando a importância desses setores.
“Salvador é uma cidade com diversas oportunidades a serem exploradas no setor cultural. Shows e espetáculos teatrais se destacam entre as atividades com alto interesse do público. A manutenção das festas populares é outro ponto de atenção e com potencial de crescimento”, avalia João Leiva, diretor da JLeiva Cultura & Esporte. “Ao fomentar e investir em cultura, Salvador também pode atrair cada vez mais turistas”.
Metodologia
Nesta edição da pesquisa Cultura nas Capitais foram ouvidas 19.500 pessoas, moradoras de todas as capitais brasileiras – as 26 estaduais, além de Brasília – com idade a partir de 16 anos, de todos os níveis socioeconômicos, entre os dias 19 de fevereiro e 22 de maio de 2024. As pessoas foram abordadas pessoalmente em pontos de fluxo populacional. Ao todo, os pesquisadores foram distribuídos por 1.930 pontos de fluxo (entre 40 e 300 por capital), em regiões com diferentes características sociais e econômicas. Os entrevistados respondiam até 61 perguntas, além das relacionadas a características sociais e econômicas (como escolaridade, cor da pele etc.). O instituto responsável pelo estudo é o Datafolha.
Além da pergunta sobre renda, a pesquisa também adotou o Critério Brasil de Classificação Econômica, um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade de alguns itens domiciliares de conforto e grau de escolaridade do chefe de família) para diferenciar a população em classes: A, B, C, D ou E (Fonte: ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).
Sobre a JLeiva Cultura & Esporte
Consultoria especializada em concepção, planejamento, execução, análise e disseminação de dados e informações sobre o setor cultural no Brasil. Conduz estudos, mapeamentos e benchmarking para empresas privadas, instituições públicas e organizações sociais com atuação em cultura e esporte — como Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Vale, British Council, Vale, Nike, Museu do Amanhã e Instituto Goethe. Desde 2010, realiza pesquisas de hábitos culturais, consolidando-se como referência nessa área.
