Quanto vale o silêncio de Mr. Trust? Por Alex Solnik
As façanhas do deputado cassado Eduardo Cunha atravessaram fronteiras. Ele virou tema de campanha da Transparência Internacional de combate à corrupção, na qual se explica para que serve um “trust”.
Cunha é apelidado de “Mr. Trust do Brasil”.
Ele que passou o tempo todo sustentando que não tinha conta no exterior, mas um trust, achando que assim se distanciava das acusações agora se confronta com a realidade de que um trust é uma das formas de esconder capitais sem origem legal mais usadas em todo o mundo.
Esse foi seu segundo erro.
O primeiro foi comparecer espontaneamente àquela CPI da Petrobrás comandada por um marionete e afirmar, ao responder à provocação da deputada Clarissa Garotinho, sua inimiga figadal, que não tinha conta no exterior.
Como é que um político considerado acima da média foi capaz de cometer dois erros tão primários?
Seu primeiro erro levou ao impeachment de Dilma.
Se não tivesse feito a declaração espontânea de que não tinha conta no exterior ele não seria denunciado ao conselho de ética.
E, sem a denúncia ao conselho de ética talvez não houvesse motivação para o impeachment.
O segundo erro, baseando sua defesa na tese de que tinha trust, mas não conta em banco, levou à sua cassação.
Assim que recebeu a sentença, saiu atirando ameaças e espalhando notícias-bomba: 1) vai escrever um livro contando tudo sobre o impeachment; 2) culpou Moreira Franco por sua debacle; 3) informou que Geddel Vieira Lima é o próximo a ser alcançado pela Lava Jato e 4) mandou espalhar que Temer não o ajudou “em nada”.
Cunha, que sempre negociou tudo, agora está negociando seu silêncio.
Artigo publicado originalmente em http://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/255003/Quanto-vale-o-sil%C3%AAncio-de-Mr-Trust.htm

