Seminário Circuito Filmes que Voam! reúne 15 instituições em Carta Aberta pela ampliação e fortalecimento do circuito exibidor
Documento reúne demandas para políticas públicas que valorizem salas independentes, cineclubes e produções negras e indígenas.
O Seminário “Importância da Ampliação do Circuito Exibidor”, realizado pela produtora e distribuidora Borboletas Filmes (@borboletasfilmes), reuniu profissionais do audiovisual do Brasil, América Latina, Estados Unidos e Alemanha, em um encontro marcado por trocas, exibições de filmes e debates sobre a democratização do acesso ao cinema.
Como resultado das reflexões e diálogos promovidos entre os dias 21 e 25 de outubro, entidades e coletivos elaboraram uma Carta Aberta aos entes públicos estaduais e federais, com propostas voltadas à valorização e estruturação do circuito exibidor brasileiro.
Documento propõe fortalecimento de salas, cineclubes e políticas de fomento
A carta reivindica o fortalecimento de salas independentes, centros culturais e cineclubes da Bahia, tomando como referência os projetos Circuito Filmes Que Voam!, Os Filmes Que Eu Não Vi, Cine Movimenta Centro e Cinergia Diversa, exemplos de difusão e circulação do cinema e do audiovisual brasileiro.
O documento, assinado por representantes de 15 instituições, também propõe a consolidação de um circuito exibidor nacional integrado à manutenção das salas contempladas pela Lei Paulo Gustavo e o reconhecimento da audiência de cineclubes e centros culturais pela ANCINE, de modo a contabilizar o número real de espectadores das produções brasileiras.
Outros pontos abordados incluem o apoio contínuo aos festivais de cinema brasileiros, o incentivo a intercâmbios com festivais latino-americanos, a valorização das cinematografias negra e indígena, e o estímulo a pesquisas, encontros e formações voltadas ao audiovisual.
O documento também reforça a necessidade de políticas públicas que garantam a preservação de obras e acervos audiovisuais e o apoio a cinematecas, salas de arte e complexos que mantenham programações dedicadas ao cinema brasileiro e latino-americano.
Para o realizador, cineclubista e curador Luiz Alberto Cassol, Coordenador do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema, o debate sobre a ampliação do circuito exibidor é essencial para o fortalecimento do próprio mercado audiovisual brasileiro.
“Nós representamos espaços e instituições que são fundamentais para o fortalecimento e a vitalidade do cinema brasileiro. É nos cineclubes, centros culturais e salas de arte que o cinema se torna direito, reflexão e pertencimento. Nós atuamos de forma direta na democratização do cinema brasileiro, levando obras para os públicos mais diversos, em todas as regiões do país. Se contabilizarmos esse público nós mostraremos o quanto estamos reafirmando nossa identidade visual”, afirma Cassol.
Entre as instituições e nomes signatários estão Amanda Lima (Os Filmes Que Eu Não Vi), Ana Cristina Medeiros (Centro de Educação Ambiental), Camila de Moraes (Borboletas Filmes), Carolina Braga (Pontos Diversos), Daniela Mazzilli (Cinemateca Capitólio), Esmon Primo (Cine Movimenta Centro), Gisela Fonseca (Festival Internacional de Cine de Cartagena das Índias – FICCI), Leonardo Pardí (Spcine), Luiz Alberto Cassol (Festival Santa Maria Vídeo e Cinema), Rommel Neves (Instituto Federal do Maranhão), Rosélis Câmara (Festival Guarnicê de Cinema), Suzana Argollo (Circuito Saladearte), Uriara Maciel (Ativista e Produtora Cultural – Alemanha), Vanessa Lopez (jornalista e servidora pública) e Zakiya Carr (Ex-Diretora de Diversidade e Inclusão – EUA).
O projeto foi contemplado nos Editais Paulo Gustavo Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura (Governo Federal).
Confira a carta na íntegra – Documento Assinado
CARTA PÚBLICA
Salvador, 24 de outubro de 2025
Entre os dias 21 e 25 de outubro de 2025, entidades e coletivos do Brasil e da América Latina e Alemanha reuniram-se em Salvador, durante o Seminário – Importância da Ampliação do Circuito Exibidor. A partir dos saberes compartilhados, das palestras, rodas de conversa, exibições de filmes e da potência deste encontro presencial, deliberamos conjuntamente a seguinte carta, solicitando a máxima atenção dos entes públicos estaduais e federais para:
· Garantia e fortalecimento do circuito exibidor composto por salas independentes, centros culturais, espaços comunitários e cineclubes da Bahia, tomando como referência os projetos Circuito Filmes Que Voam!, Festival Os Filmes Que Eu Não Vi, Cine Movimenta Centro e Cinergia Diversa, exemplos de difusão e circulação do cinema e do audiovisual brasileiro;
· Consolidação de um circuito exibidor nacional integrado por salas independentes, centros culturais, espaços comunitários e cineclubes em todo o país;
· Sistematizar e atribuir um conjunto de ações administrativas, técnicas, operacionais e financeiras para as quatorze Salas de Cinema Vocacionadas, da capital e do interior do Estado da Bahia, recentemente instaladas, onde deverá ser implantada uma Rede Pública de Exibição;
· Reconhecimento, pela ANCINE, da audiência de cineclubes, centros culturais e espaços comunitários, garantindo que as produções brasileiras tenham contabilizado o número real de espectadores;
· Fomento e apoio contínuo aos festivais e mostras de cinema brasileiros, com publicação anual de editais específicos para esta importante cadeia de difusão cinematográfica, atribuindo linhas que atendam as regiões e interiores dos Estados e do País;
· Promoção do intercâmbio com festivais latino-americanos, incluindo o apoio ao deslocamento de coordenações de festivais nacionais para participação em eventos internacionais da região;
· Apoio às cinematecas, salas e complexos de cinema de arte que mantenham em suas programações filmes brasileiros e latino-americanos;
· Firmar intercâmbio com o Festival Internacional de Cine de Cartagena das Índias que na edição 2026 terá a Casa Brasil para valorizar a nossa produção.
· Estímulo à realização de seminários, encontros e palestras voltados à reflexão e ao fortalecimento do circuito exibidor, a exemplo deste Seminário – Importância da Ampliação do Circuito Exibidor;
· Incentivo a estudos, pesquisas, conservação e preservação de filmes e catálogos sobre o cinema brasileiro e latino-americano, valorizando o impacto do audiovisual em nossas trajetórias culturais;
· Valorização efetiva da cinematografia produzida por realizadoras e realizadores negros, negras e indígenas, reconhecendo sua importância na construção de uma política audiovisual diversa e representativa.
Assinam:
Amanda Lima – Os Filmes Que Eu Não Vi
Ana Cristina Medeiros – Centro de Educação Ambiental
Camila de Moraes – Borboletas Filmes
Carolina Braga – Pontos Diversos
Daniela Mazzilli – Cinemateca Capitólio
Esmon Primo – Cine Movimenta Centro
Gisela Fonseca – Festival Internacional de Cine de Cartagena das Índias – FICCI
Leonardo Pardí – Spcine
Luiz Alberto Cassol – Festival Santa Maria Vídeo e Cinema
Rommel Neves – Instituto Federal do Maranhão
Rosélis Câmara – Festival Guarnicê de Cinema
Suzana Argollo – Circuito Saladearte
Uriara Maciel – Ativista e Produtora Cultural – Alemanha
Vanessa Lopez – jornalista e servidora pública
Zakiya Carr – Ex-Diretora de Diversidade e Inclusão – EUA
