TERRA BATIDA celebra o samba, a capoeira e o candomblé como forças vitais do Brasil
Ritmo, ritual e resistência em um documentário sobre a força vital do coletivo vai ser lançado no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema.
TERRA BATIDA é um documentário brasileiro de 77 minutos, com roteiro e direção de Jon Lewis e produção executiva de Sol Moraes, que mergulha nas linhagens rítmicas do samba, da capoeira e do candomblé como expressões vivas de ancestralidade, resistência e sentido de existência. Mais do que manifestações culturais, esses rituais se revelam como tecnologias de sobrevivência simbólica, capazes de atravessar o tempo e se atualizar a cada toque de mão, a cada pisada de pé no chão.
No coração do filme está a potência do ritual como força organizadora da vida. Em um mundo cada vez mais consumista, individualista e desconectado de seus vínculos coletivos, TERRA BATIDA propõe um reencontro com aquilo que nos humaniza: o gesto compartilhado, o corpo em movimento, a celebração do sagrado e a experiência do estar junto. O filme afirma que é no rito — e na busca por uma força maior — que recuperamos memória, pertencimento e alma.
Realizado ao longo de 12 anos, TERRA BATIDA é, em si, um ato de resistência. O projeto atravessou longos períodos sem financiamento, contou inicialmente com apoio do Itaú Cultural para pesquisa, com o desenvolvimento de roteiro via Ancine, e só pôde ser finalizado a partir dos recursos da Lei Paulo Gustavo, dois anos atrás. Durante essa longa jornada, vidas se transformaram, personagens partiram, caminhos precisaram ser refeitos. Ainda assim, novas lideranças, mestres, mestras e protagonistas surgiram, trazendo ao filme uma força humana profunda, generosa e vibrante.
Filmado em Salvador, no Recôncavo Baiano, em Foz do Imbassaí, em Mata de São João e também na Chapada Diamantina, na Serra do Sincorá, o documentário constrói um território sensível onde corpo, ritmo e espiritualidade se entrelaçam. Cada pessoa da equipe foi escolhida não apenas pelo rigor profissional, mas pelo envolvimento afetivo e ético com os temas abordados — algo que reverbera na tela como cuidado, escuta e amor.
Para o diretor Jon Lewis, o filme parte da compreensão de que samba, capoeira e candomblé compartilham uma mesma matriz africana e uma mesma lógica simbólica: o movimento de três. A ginga da capoeira, o ritmo das palmas do samba, as giras das danças dos orixás, nkisis e voduns expressam uma filosofia de vida onde recuar também é estratégia para avançar. Esses ritmos tornam-se metáforas da existência, ensinando que continuidade, adaptação e coletividade são fundamentos da resistência. Como canta Taata Mutá Imê no filme: “Coisa bonita pisada de caboclo: ele pisa na aldeia do rastro do outro” — imagem poderosa da transmissão de saberes e da permanência das tradições.
As falas de quem participou convergem ao afirmar que as tradições afro-brasileiras não pertencem ao passado, mas atuam como forças vivas que estruturam o presente. Juliana Ribeiro destaca a ancestralidade como experiência de tempo circular, vivida no corpo, no canto, na dança e nos rituais coletivos, onde o que se chama de “passado” se atualiza e se torna presença sensível. Terra Batida, nesse sentido, revela poeticamente essa circularidade como algo vivencial, não teórico.
Mestra Janja amplia a reflexão ao apontar que o filme provoca uma crítica à perda da “alma coletiva” da sociedade contemporânea, reafirmando o valor das comunidades de pertencimento como guardiãs de saberes, estéticas e formas outras de conhecimento, baseadas na sabedoria e na relação entre sujeito, território e tempo. Já Mãe Clea de Oyá enfatiza o papel fundamental do ritual como alimento do axé e como prática orgânica de reconstrução da coletividade, onde a diversidade, o cuidado com a natureza e o trabalho conjunto devolvem sentido à vida. Em conjunto, as falas defendem o ritual, a ancestralidade e a vida comunitária como caminhos imprescindíveis para reconstituir o sentido coletivo em um mundo marcado pelo individualismo.
Acima de tudo, TERRA BATIDA celebra o poder do coletivo. É um filme construído por muitas mãos, corpos e saberes — diante e atrás da câmera — e afirma que juntos somos mais fortes. Ao evocar o ngunzo, o axé, a força vital que atravessa os rituais, o documentário convida o público a lembrar do que significa estar vivo.
Lançamento e exibições TERRA BATIDA integra a programação do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece de 25 de março a 1º de abril, com mais de 130 filmes exibidos e uma ampla agenda de atividades formativas. O festival também realiza sessões em Cachoeira, de 25 a 29 de março.
Exibições do filme:
• 26/03 – 16h30 | Cine Theatro Cachoeirano – sessão seguida de debate
• 27/03 – 16h40 | Cine Glauber Rocha – Sala 1 – sessão seguida de debate
• 30/03 – 13h10 | Cine Glauber Rocha – Sala 1 – reprise, sem debate
Festivais selecionados (até 22/02/2026)·
• Luanda International Pan African Film Festival (LUANDA PAFF) – Angola
• Africa International Human Rights Film Festival – Nigéria
• Documentaries Without Borders International Film Festival – EUA
• Anatolia International Film Festival – Turquia
• XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema – Brasil
• All That Moves Film Festival – Brasil
Assessoria de Imprensa de Terra Batida – Doris Pinheiro
